Lucia e o sexo
O cinema espanhol não vive só de Almodóvar, sem desqualificá-lo, vou me ater aqui a outro grande diretor Julio Medem, em específico seu filme “Lucía y el sexo”, no Brasil, Lucia e o Sexo. Desta vez o cinema espanhol não foi feito com as cores dominantes “azul e vermelho”, o mestre Miró foi deixado de lado, mas com grandes atores e um roteiro belíssimo, esta estória é contada sem amores impossíveis, tragédias grotescas como estamos acostumados em alguns filmes espanhóis.
O que se entende no filme, diga-se de passagem, é imprescindível assistir a seu início para entendê-lo por inteiro, é na verdade o inusitado, o encontro de um escritor com sua obra, ou melhor, sua musa inspiradora. Na verdade o filme inteiro é transpiração, a obra nos mostra o sexo sem preconceitos ou estereótipos, algo nu e cru como acontece realmente entre quatro paredes, sem culpas e com muita volúpia, o sexo libertário.
O filme é ao mesmo tempo linear e não linear, às vezes nos enganamos onde é ficção, ou melhor, onde é o livro, neste caso linear, e onde está a própria narrativa (não linear). Algo sublime no roteiro, assinado pelo próprio Medem.
Será que somos uma ilha ? cercado de nada por todos os lados, um vazio ou somos simplesmente atores deste teatro chamado vida, e eu lhes pergunto o que é a vida ? O que é o inusitado, você estar em um bar, conversando com um amigo, e de repente aparecer uma mulher, se declarar sem nenhuma culpa e sem nenhum clichê. Ao começar assistir ao filme, pensei: Será que é mais uma estória de um amor impossível ? Algo novelesco ? Isto é o que vocês vão ver ao assistir o filme.
Muitos estão se perguntando, esse cara, não está escrevendo mais sobre filmes ideológicos ? Filmes brasileiros ? Glauberianos ? Marginais ? Um cinema contestador ? Não, estou escrevendo sobre cinema, para mim, algo provocador não passa necessariamente por algo ideologizante ou dogmático. Se passa pela ética, em saber retratar alguma coisa sem maquiagens e clichês. Sem se preocupar com a bilheteria ou uma corte baseado em uma trilha sonora como um videoclipe. Um filme puro, onde cada um se encontra com ou sem perguntas ou angústias. Um filme que passa algo que muitas vezes vivemos ou queremos viver, com uma diferença: como nossas vidas podem passar pelo cinema sem que notamos. Nada de heróis olimpianos, capas de revista.
É claro que não vamos viver tudo isto em Fernando de Noronha, mas, podemos viver intensamente onde estamos ou onde podemos um dia passar.
Que viva a vida !
Hasta.
Richardson Pontone
