PF ouvirá Crivella sobre evasão de divisas

Bernardo de la Peña, Cesar Tartaglia e Toni Marques

BRASÍLIA E RIO. O candidato do PL a prefeito do Rio, senador Marcelo Crivella (PL-RJ), vai ser ouvido pela Polícia Federal no inquérito que apura a prática de crimes de evasão de divisas, manutenção de contas no exterior sem o conhecimento das autoridades e sonegação fiscal. Ele foi indiciado no inquérito 1.903-8, aberto em São Paulo e enviado ao Supremo Tribunal Federal (STF) quando Crivella foi eleito senador. O Ministério Público Federal investiga a operação de compra da TV Rio, atual Record, e a participação da Igreja Universal do Reino de Deus, da qual Crivella é pastor.

A investigação tem o objetivo de apurar a prática de crimes pelos diretores de duas empresas off shore , a Investholding e a Cableinvest, que funcionavam em paraísos fiscais. A primeira nas ilhas Cayman e a segunda, desativada em 11 de outubro de 1999, nas ilhas Jersey. Segundo parecer do Ministério Público Federal, que faz parte do processo no STF, Crivella dirigia a Investholding e era dono da Cableinvest.

As duas empresas emprestaram recursos para a compra da emissora de televisão a Alba Maria Silva da Costa e, segundo o Ministério Público, ?enormes cifras de dinheiro? a José Antonio Alves Xavier. Segundo depoimento de Alba, incluído no inquérito no Supremo, a operação de compra da Record teria envolvido cerca de US$ 12 milhões. Na verdade, teriam sido US$ 20 milhões.

Fonteles pediu quebra de sigilo da Universal

O procurador-geral da República, Cláudio Fonteles, pediu ao ministro Carlos Velloso, relator do inquérito, a quebra do sigilo fiscal da Igreja Universal. Em 4 de maio deste ano, Velloso determinou, entretanto, que a Polícia Federal tome antes o depoimento de Crivella, do bispo Edir Macedo, do ex-deputado Laprovita Vieira e de João Batista Ramos da Silva. Depois dessa providência, o ministro decidirá se quebra o sigilo da Universal.