Um artigo do Jornal Inverta sobre Bolivar e + algumas materias




O Pensamento de Simon Bolívar

As contradições principais das sociedades classistas são
entre aqueles que produzem e aqueles que se apropriam do trabalho
alheio. Partindo desse pressuposto, qual seria a mais importante
contradição na sociedade americana nos séculos XVIII e XIX?
Evidentemente àquela antagonizada por um lado, por escravos, índios,
arrendatários e trabalhadores pobres. Por outro, por latifundiários,
comerciantes, proprietários, donos de minas, etc. Porém, a
contradição que suscitou uma guerra aberta, que partiu a sociedade
americana em dois campos beligerantes, se deu entre as oligarquias
criollas e os interesses espanhóis. O povo americano, primeiro ganho
pelos realistas, passa ao decorrer da história para o lado da
oligarquia local.
Qual a relação entre as guerras de independência e a
contradição de classes da sociedade americana no pensamento de Simon
Bolívar? Sabemos que Bolívar era originário de uma família
oligárquica, que passara sua adolescência e formação no continente
europeu. Logo concluímos que o pensamento de Bolívar deve um tributo
a sua origem. Ele conhece a realidade americana de uma forma
romantizada. Sua ideologia está mais vinculada ao iluminismo europeu
que a uma matriz americana.
O que ocorre para que, no final de sua vida, vendo a
consolidação da independência política americana da forma mais
vantajosa possível para a casta criolla, Bolívar esta profundamente
amargurado? Por que morre isolado, decepcionado e desgostoso?
Podemos notar uma transformação do pensamento bolivariano
durante a vida de Bolívar. Após demonstrar-se um militar brilhante,
principalmente na campanha admirável de 1813, Bolívar sente a derrota
quando o paramilitar Boves, com falsas promessas ilude e recruta
grande massa de pequenos arrendatários, e escravos negros (prometendo
a libertação), fazendo uma verdadeira guerra suja contra as tropas
libertadoras. Como poderia um projeto de independência vitorioso, se
boa parte do povo luta pelo lado dos colonizadores? Bolivár percebe
que "nossa divisão e não as armas espanholas propiciaram nossa
escravidão".
A estratégia de Paéz foi apelar para o sentimento de classes
desses oprimidos, levando-os a se alçarem contra seus exploradores
diretos: os ricos fazendeiros Venezuelanos. Seu exército, apesar de
ter raízes populares, mantinha um objetivo reaccionário: garantir o
domínio espanhol sobre a colônia. Para muitos, podemos identificar
aí o início do fenômeno do paramilitarismo colombiano, que até hoje
aterroriza a população pobre em nome dos interesses da ordem.
Para Bolívar, ficam claras as causas da queda da primeira e
da segunda república. A falta e participação do povo no processo
revolucionário.Para derrotar esse caudilho, Bolivár percebe a
necessidade de ampliar as bases do exército revolucionário. O povo
tem que tomar parte dessa luta. Isso significa, também, ampliar as
bandeiras da libertação política para bandeiras que atendessem os
interesses dos mais explorados. Assim, Bolivár passa a defender o fim
imediato da escravidão, a educação gratuita, a propriedade estatal do
sub-solo, a devoluçaõ da terra aos indígenas. O grande propósito
bolivariano foi a tentativa de transformar a luta anticolonialista
pela indepndência em um regime revolucionário que assumisse profundas
mudanças democráticas, regime que "proporcionasse ao maior número de
pessoas a maior soma de felicidade possível.
A resistência da oligárquia a esse movimento era enorme. Em
1814, por exemplo, o congresso colombiano (formado por donos de
escravos), proíbe o general Nariño de libertar os escravos das minas
que lutem pela independência. Bolivár tembém vê sua principal súplica
ao Congresso de Angostura, a libertação dos escravos, ser negada.
O L0ibertador havia sido percussor também em defender a
unidade latino-americano como única estratégia viável para que os
interesses americanos não fossem engolidos pelos das potências
européias e pelo nascente imperialismo estadunidense.
Com Paéz no comando dos mesmos homens que antes lutaram por
Boves, Bolivár consegue realizar uma ampla aliança capaz de derrotar
os espanhois após sangrentas batalhas. Porem, Bolivár e seu grupo são
alijados do poder pelos seus inimigos políticos, como Santander e
outros. Esses, defendem interesses estritamente anti-populares, em
concluio com os novos interesses coloniais (Da Inglatrra e dos EUA).
Assim, no final de sua vida o Libertador morre amargurado, ao ver
como os interesses de caudilhos oligárcas passaram a primeiro plano
na política dos Estados Americanos. Esses caudilhos, ao promoverem
seus interesses pessoais, favoreciam o divisionismo que algumas
décadas depóis desembocariam, por exemplo, na guerra do Pacífico e na
guerra do Paraguai.
Portanto, podemos afirmar que a obra de Bolivár não foi
concluída. Sua última batalha, a batalha contra os interesses
oligáquicos, foi derrotada. Como disse José Martí: "O que Bolívar
deixou sem fazer, sem fazer esta até hoje. Porque Bolívar tem ainda
o que fazer na América"







Parte dois- Trabalho final
A Vigência do pensamento Bolivariano na América Hoje.

Como vimos na parte anterior desse trabalho, a ideologia de
Bolivár não pode ser apenas explicada pela luta contra a dominação
política por parte da metrópole. Se fosse apenas este seu objetivo,
ele teria morrido com a sensação de missão cumprida e não de que
passara sua vida "arando no mar". O grande propósito bolivariano foi
a transformação da luta anti-colonialista pela independência em uma
luta revolucionária que atendesse aos anseios das massas populares e
democratizasse o poder. Porém, a democratização do poder não negava a
necessária centralização para vencer a guerra. Ela significava muito
mais, bloquear as tentativas das oligarquias de assumiur o poder. Na
vespera da batalha de Carabobo que definiu de uma vez por todas a
sorte da guerra na venezuela, Bolivár escreveu a Santander criticando
o congresso constituinte de Cucutá em 1821, congresso convocado pelos
seguidores de Santander, que não reconheciam o Congresso de Angostura
onde ficou criada a Grande Colômbia.
"Por aquí pouco se sabe do Congreso de Cúcuta...Esses senhores pensam
que a vontade do povo é a opinão deles, sem saber que na Colômbia o
povo está no exército...Todo o demais é gente que vegeta con mais ou
menos malignidade ou com mais ou menos patriotismo, mas todos sem
nenhum direito a ser outra coisa que cidadãos passivos...Pensam
esses cavalheiros que Colômbia está coberta de toscos, protegidos nas
chamines de Bogotá, Tunja y Pamplona. Não levantaram seus olhares
sobre os cumes do Orinoco, sobre os pastores de Apure, sobre os
marinheiros de Maracaibo, sobre los vogas de Magdalena, sobre os
bandidos de Patía, sobre los indómitos past usos, sobre los Guajibos
de Casanare e sobre as hordas salvagens da África e da América que,
como gamos, recorrem a solidão da Colômbia".

Na sua constituição para a Bolívia, Bolivár não descuidou da já
mencionada centralidade necessária em um momento de guerra, propondo
o cargo de presidente vitalício, porém, também propunha a eleição
popular (não censitária, cujo único requisito para votar era a
alfabetização) dos cargos locais.
"o poder eleitoral recebeu faculdades que não estavam assinaladas em
outros governos que se estimam entre os mais liberais. Me parece não
só conveniente e útil, senão também fácil, conceder aos
representantes imediatos do povo os privilégios que mais podem
desejar os cidadãos de cada departamento, província ou cantão. Nenhum
objeto é mais importante a um cidadão do que a eleição de seus
legisladores, magistrados, juízes, pastores...desse modo se põe um
novo peso contra o Executivo, e o governo adquiriu mais garantias,
mais popularidade e novos títulos para que sobressaia entre os mais
democráticos.
Porém, uma correlação de forças adversa, imepdia os
revolucionários de firmar-se ao poder, para pô-lo ao serviço do povo.
Bolivar foi usado pela oligarquia criolla, pois serviu muito bem para
comandar as guerras de independência, porém suas idéias não
interessavam na hora da estruturação dos novos estados. A revolução
bolivariana terminou por ser uma abortada pela traição de uma classe
dirigente, que não vacilou em bloquear todas as bandeiras sociais que
mobilizaram esse formidável esforzo popular que foram as guerras de
independência. Isolaram, ou eliminaram (vide assassinato de Sucre,
libertador da Bolíva)os revolucionários mais democráticos. Bolivar
foi expulso da Venezuela e considerado pessoa não grata na Colômbia,
morrendo ao se preparar para exilar-se na Espanha). Para efeito de
comparação, podemos citar os jacobinois franceses. Pois, esses também
estiveram no poder em época de grande mobilização social, realizaram
as tarefas necessárias pelo conjunto das classes alijadas do poder
(derubada do Antigo Regime na França e fim do domínio espanhol na
América), mas quando seu governo começava a passar dos limites dos
interesses da nova classe dominante (questionamente da propriedade
privada pelos jacobinos e democratização do poder pelos
bolivarianos), foram isolados e atacados.
Na época e durante algumas décadas depois de sua morte,
Bolivár foi escondido, ostracizado. Esse era o tempo necessário para
que se apagara sua chama revolucionária, abrindo caminho para que as
oligarquias pudessem canonizar Bolivár em uma estátua de mármore.
Assim, Bolivár passou a ser nome das principais praças de quase todas
as praças da Bolívia, da Venezuela, da Colômbia, do Equador, do Perú.
Porém o conteúdo democratico de Bolivár foi esvaziado.
Bolivár então passou a ser disputado pelos partidários da
ordem e pelos partidário das mudanças. José Marti disse que a cada
cem anos Bolívar ressucita. Parece que mais uma vez a sombra do
Libertador move mentes e corações na América Latina. Como conciliar a
figura desse iluminista radical, filho da oligárquia que aceita a
causa do povo conscientemente, com os interesses do povo hoje em dia.
A colonização ibérica sobre a Améria acabou. Os escravos
receberam status político de homens livres. Mas será que muita coisa
mudou? Como pode Bolívar a 200 anos profetizar que "Os Estados Unidos
parecem destinados pela providência a pragar a América Latina de fome
e miséria em nome da liberdade". Como essa e outra postulações mantêm-
se tão atuais? Apenas percebendo a profunda identidade histórica
entre o presente e essa época do passado é que podemos perceber por
exemplo, como um projeto político conhecido como "Revolução
Bolivariana" na Venezuela, mobilizou de forma inédita milhões de
trabalhadores pobres a defenderem seus interesses de classe. Chávez,
representante dessa corrente é visto na Venezuela por muitos como um
segundo Bolivár. A Revolução Bolivariana é apoiado em amplas
bandeiras sociais entre as quais, próximas da conquista, estão, a
erradicação do analfabetismo, o acesso universal ao ensino superior e
o acesso a saúde (através da parceria com Cuba que mandou milhares de
médicos voluntários para trabalharem nas favelas venezuelanas. A
fórmula de Bolivár de que o melhor governo é o que garante a maior
soma possível de felicidade ao maior número de pessoas.
Na Colômbia, declaram-se filhas de Bolivar, as Farc-ep.
Resgatam Bolivar na luta pela segunda e definitiva independência.
Nesses dois países, originariamente um, vemos também um processo com
o qual podemos traçar um paralelo histórico. Recentemente, 100
paramilitares colombianos da AUC foram detidos na Venezuela onde
instalavam uma base de treinamento para lançarem um ataque
desestabilizador ao governo bolivariano. Assim como no século XIX, as
oligarquias desses dois países conspiram juntas para destruir os
desejos de unidade e atacar os povos desses países. Assim, a tensão
entre as fronteiras colombianas e venezuelanas se agrava dia a dia.
Mais uma vez, a oligarquia colômbiana, ontem com Santander, hoje com
Uribe, extermina os melhores filhos da pátria latino-americana (de
cada 7 sindicalistas assassinados no mundo, 6 são colombianos).
Pividal em seu formidável livro " Simon Bolivar: pensamento
percussor do anti-imperialismo demonstrou que o dedo do imperialismo
estava por trás dos interesses de Santander, hoje com Uribe não é
diferente. Qual estadunidense atua com a máscara de Henry Clay,
congressista estadunidense anti-latino americano: Shapiro, Noriega,
Carter?
Chavez declarou a pouco que não é comunista. Não expropriou
nenhuma propriedade privada na Venezuela. Porém, admitiu que o que
Fidel chama de socialismo em Cuba, ele chama de Bolivarianismo na
Venezuela. A verdade é que para solucionar os graves problemas
estruturais da América Latina não bastará uma ideologia iluminista
como a de Bolivár. Assim como revolucionários burgueses como
Robespierre exerceram influências sobre a revolução proletária de
outubro, também Bolivár será exemplo para os que lutam por
transformações na América. Porém, mais como símbolo do que como
ideologia transformada em força material. Hoje mais do que nunca
tornou-se anacrônico falar em revolução nacional, em projeto
nacionalista, que nãoi seja um projeto profundamente popular. A
oligarquia americana, após o período de passagem de hegemonia no
sistema capitalista da Europa para os Estados Unidos ( metade do sec
XX), reafirmou sua posição de vassala e apêndice do imperialismo. Os
mesmos que traíram Bolivar e dividiram a America em países inimigos,
hoje estão dispostos a entregar todo o poder ao imperialismo. Prova
disso é o Plano Colômbia, que entre outras coisas prevê a extradição
de guerrilheiros presos na Colômbia para serem julgados nos Estados
Unidos.
Assim repete-se mais uma vez a história latino-americana.
Repetem-se os símbolos, os motivos, as batalhas, as traições,
esperamos que não o desfecho.

O Caracaço

Caracas é a capital da agora República Bolivariana da
Venezuela., antes apenas Repúiblica da Venezuela. A cidade, que
concentra uma grande parte da população do país, que é de 23 milhões
de habitantes (que comparada ao Brasil -179 mi- é pequena, mas a
outros países como Portugal -10 mi_ é grande), foi palco de um
massacre no dia 27 de fevereiro que ficou conhecido como o Caracaço.
Recentemente, o governo bolivariano reconheceu a responsabilidades do
estado (naquela época dirigido pelo neoliberal Carlos Andres Perez)
na chacina.
Dentro da venezuela existem duas formas de interpretar esse
dia, alguns a querem esquecê-la, pois a data é sinônimo de pesadelo,
de tristeza, de desordem, para outros a data significa alegria,
rebeldia, recuperar nas ruas o que é seu. Na verdade, o dia ficou
mais conhecido pelo massacre que vitimou milhares de pesoas (pela
cifra oficial da época, logicamente subestimada seriam trezentas
pessoas). Porém esse massacre feito pelas forças de segurança veio em
resposta a um grande levantamento popular contra o pacote de medidas
neoliberais imposto pelo governo submisso ao FMI. Esse pacote,
lançado nos primeiros dias do recem-empossado governo, entre outras
coisas, aumentava o preço da cesta básica, dos transportes, algo
muito semelhante ao pacotão que o FHC baixou quando da
superdesvalorização do real. As pessoas desceram dos cerros (como se
chamam os morros lá) e sairam a protestar e a expropiar alimentos e
outros bens de primeira necessidade.
A resposta da burguesia e do imperialismo foi dura. Se tratava de
não deixar uma só sensação de vitória (ainda que momentanêa) impressa
no espirito do povo. Se tratava de destruir a moral de todos os
homens e mulheres que cometeram o sacrilégio de violar a propriedade
privada, ainda que para consumir o mínimo necessário para a sua
sobrevivência. Os soldados disparavam, realizando uma limpeza
semelhante a do Massacre do Candelário, só que em proporções
gigantescas. As imagens registradas por jornalistas, mostarm ruas
apinhadas com corpos e manchadas com sangue. O temor de Simón
Bolivar, o libertador, que liderou os exércitos vencedores na guerra
de independência da Venezuela, da Colombia, da Bolívia, do Peru e
do Equador se realizou: "maldito seja o soldado que dispare contra
seu povo"
Esse dia ficou de diversas maneiras registardo na mmória das pessoas,
para os burgueses e parte da classe média, foi um dia de anarquia,
onde o povo agiu como animais, mas para o povo, para a grande maioria
da população a data é sinônimo de lutar, de honrar os que ali
tombaram, pois o s que morrem lutando pela vida não podem ser
consideradosa mortos. No dia 27 de fevereiro de 2002, duas marchas
foram realizadas lembrando esse dia desses dois pontos de vista.
Essas duas marchas acirraram os animos das classes em luta e foi um
dos antecedentes do golpe que viria a ocorrer dois meses depois.


Quatro de Fevereiro, dia da dignidade
nacional e da unidade cívico militar

Como resultado direto do Caracaço, acirraram-se as lutas contra o
governo de Carlos Andres Peres que já começara desgastado,
enfrentando a raiva e a indignação do povo venezuela. A Venezuela,
ainda encontrava-se na chamada quarta república, denominação dada, a
assim chamada democracia iniciada depois do pacto de Punto Fijo em
1958 que pois fim a ditadura militar de Peres Jimenez e inicoua
democracia burguesa na venezuela. Esse pacto, do qual pretendo tratar
em outro artigo pois na ilegalidade o partido comunista e
caracterizou-se por uma divisão do poder entre os diversos setores
das oligarquias através da manipualação das eleições. Mais ou menos o
que vivenciamos no Brasil depois da chamada "redemocratização". Hoje
consideramos que a Venezuela caminha pela quinta repúlica, onde uma
constituição que prevê o poder popular e a ampla participação das
massas, abre espaço para a democratização do poder. Algo semelhante
aoq eu o PCML defende na proposta da Plataforma Comunista. Bem, não
haviam meios para expressar-se o descontentamento popular, e alguns
jovens militares, mais uma parcela de civis, optou pela insurreição e
iniciaram um levante no dia 4 de Fevereiro de 1992 para depor Carlos
Andres Perez e convocar novas eleições.
O levante foi então liderado pelo então desconhecido tenente-coronel
Hugo Chavea Frías (atual presidente da Venezuela), e ainda que
vitoriosa em parte da capital, onde rapidamente ocupou pontos
estratégicos, como o Palácio presidencial e os principais quarteis da
cidade, ele não foi bem sucedido em outras partes. Já com os informes
da derrota de seus companheiros, a coordenação do levante, resolveu
recuar, porém tal era o ardor revolucionário dos soldados pelo resto
do país, estes não queriam depor suas armas, combatendo até a morte.
Um acordo foi feito entre o governo e o chefe do levante, Chavez, de
que ele iria pedir aos soldados que baixassem as armas, caso pudesse
falar sem censura na televisão por alguns minutos. Ao contrário do
golpe fascista que a Venezuela sofreu em 2002, onde ninguém assumiu a
responsabilidade pleo golpe, o Comandante Chavéz assumiu inteiramente
a responsabilidade pelo levante, assim como Fidel Castro havia feito
39 anos antes, no assalto ao quartel de Moncada, no dia 26 de julho.
Na verdade, as semelhanças entre o 4 de fevereiro venezuelano e o 26
de Julho cubano são muitas. Ambos foram mal-sucedidos militarmente,
apesar da bravura dos jovens que aí combateram, mas serviram para
despertar a dignidade da pátria que andava adormecida e criar no povo
a moral para combater. Hugo Chavez diz na televisão: "...
Companheiros, lamentavelmente, por agora, os objetivos que propusemos
não foram alcançados... ou seja, aqui em Caracás, não conseguimos
controlar o poder... Les agradeço a lealdade, a velentia, o
desprendimento, e eu, ante o país e ante vocês, ssumo a
resposabilidade desse movimento militar bolivariano. Chaves Foi preso
e passou dois anos na cadeia, até ser anistiado pelo então presidente
Rafael Caldeiras. Saiu já querido pelo povo, de quem expressava os
sentimentos revolucionários, o que lhe concedeu a arrebatadora
vitória eleitoral em 1998.
Revolução Bolivariana: Hora de separar o joio do trigo

Na quinta feira, 3 de junho, a Junta Nacional Eleitoral,
surpreendeu ao anunciar que as assinaturas necessárias para ativar o
referendo revogatório contra o mandato do presidente Hugo Chávez
Frias foram conseguidas. Segundo o órgão, no processo de rapro, pelo
menos 614.968 assinaturas foram validadas, somando no total 2.451.821
contra as 2.436.083 necessárias para que o referendo ocorra dia 8 de
agosto.
Acontece que essas assinaturas são fruto de uma mega fraude
eleitoral, como vêm sendo insistentimente denunciadas pelo povo
venezuelano. Atrasou-se, maliciosamente, as atualizações dos
cadastros de óbitos (paralisados desde o início do ano), e assim, os
mortos puderam votar desde suas tumbas, foram presas pessoas com
centenas de documentos falsos e clonados. Muitas fraudes foram
flagradas e abortadas, porém, a maioria ainda esta por descobrir-se.
Isso tudo foi ignorado pelo CNE, principalmente pelos reitores
Sobella Mejía e Ezequiel Zamora (sic), agentes do imperialismo
yanqui. Essas práticas fraudelentas que a burguesía tem para
controlar sua "democracia", não são nenhuma novidade. O referendo por
si só já seria irregular pois não foi convocado dentro da época
prevista na constituição.
Na verdade, trata-se da realização dos planos imperialistas,
que já vem sendo anunciados há tempos por diversos movimentos
populares e vêm se realizando conforme o script. O próximo passo é
preparar uma nova fraude para o dia 8 de agosto, gerando
instabilidade e diante de dúvidas de um possível resultado prepar a
guerra civil na Venezuela. Não nós esqueceçamos que a menos de um dia
foram presos mais de cem paramilitares de direita colombianos que
estavam treinando e se preparando para entrar em ação em breve.
Os movimentos populares permanecem coesos e unidos pela NÃO
realização desse referendo. A cordenação Nacional dos círculos
bolivarianos e a Federação Bolivariana dos Trabalhadores em um
comunicado exigem que o CNE não seja condenscendente com a fraude.
Manifestações espontâneas começaram a surgir, em Merida a praça
Bolívar foi ocupada, e por todo o país o povo é convocado a se
mobilizar e manter-se em prontidão para derrotar os planos golpistas.
Também é pedida a revisão da presença do Centro Carter e da
Organização dos Estados Americanos (OEA), que Che Guevara já havia
batizado há 30 anos de Ministério das Colonias dos Estados Unidos.
Esses órgãos abandonarão sua posição de observadores e passaram a
atuar como porta-vozes da oposição ao minimizar o problema das
assinaturas fraudulentas. Houve alguns disturbios no centro de
Caracás onde foram queimados carros e uma van da coca-cola. O
movimento Tupamaro assumiu a autoria dessas ações, comparando essa
decisão do CNE com a do Supremo Tribuanl Federal de agosto de 2002
que inocentou os golpistas que derramaram o sangue do povo
bolivariano na tentativa de golpe do dia 11 de abril. Foi
pichado "não ao golpe, não a fraude, milícias populares na rua!"
Pela primeira vez há uma divisão entre as forças que
sustentam o governo. O Comando Ayacucho, nome dado a coalizão de
partidos institucionais que sustenta o governo, passou a dizer que um
referendo seria bom para que o governo tivesse mais uma chance de
derrotar a oposição eleitoralmente. Na Rádio Nacional de Caracas,
houve uma chuva de telefonemas de ouvintes indignados com a posição
capitulacionista do agora batizado pelo povo Comando Hablámucho
(Comando Falamuito).
A Assembléia Popular Revolucionária (ww.aporrea.org), chama
Chavéz a que não perdõe os golpistas dessa vez e que não de as costas
ao povo soberano. Estão sendo convocadas assembléias populares dos
círculos bolivarianos, dos comites de terras, dos trabalhadores para
que o povo discuta uma resposta a oligarquia e ao mimperialismo e
seus enviados (Centro Carter e OEA).
Surpreendeu também a posição do própria Chavéz, até agora, de
certa maneira, havia assumido o principal papel de vanguarda
política, que aceitou a fraude da oposição. Com um discurso
conciliador, Chávez foi a TV em cadeia nacional, dizer que o
referendo revocatório era uma figura importante na constituição
Venezuelana e que não se sentia derrotado, pois o jogo começa agora e
que está certo de uma nova vitória. Chávez disse estar contente pelo
fato da oposição ter entendido que não chegaria a lugar nenhum por
métodos golpistas e violentos e que finalmente aceitou participar do
jogo democrático. Disse que o árbito é o povo e que transcorrido
metade de seu mandato esta pronto para ser julgado. Também disse que
sua aceitação mostrou que ele não é nenhum tirano e que a acusação da
oposição de que ele não aceitaria o referendo (discurso repetido até
a exaustão antes e depois do golpe) demonstrou-se mentirosa. Essa
posição do presidente pode acalmar os ânimos dos movimentos sociais.
Nós do PCML já vimos assinalando que o processo
revolucionário venezuelano avançou bastante na questão da
conscientização e mobilização popular, porém ainda não tirou os meios
de produção da burguesia. A solução para o povo Venezuelano não esta
só em Bolivár ou num discurso anti-oligárquico. Enquanto as fábricas
a terra e os bancos estiverem nas mãos da burguesia, o estado que
compactua com isso ainda sera de caráter burguês. Cabe aos
trabalhadores venezuelanos (e aí veremos se Chávez acompanhará até o
final os interesses da classe operária), desmontar esse estado
(polícia, judiciario, etc), expropriar a burguesia e construir um
verdadeiro estado que emane do poder popular.
O momento de ruptura é este, os planos do imperialismo
infiltrando paramilitares, a escalada de violência na vizinha
Colômbia, o acirramento do cerco a Cuba, demonstrão a crise da
dominação burguesa no continente. Uma guerra pode estar próxima,
desencadeada a partir do conflito colombiano. A mobilização contra na
fraude e a impunidade dos golpistas pode evoluir para uma guerra
aberta que oponha capital e trabalhadores. Para a classe operária
tomar seu destino em suas próprias mãos, na Venezuela, quando esse
referndo revocatório significa uma desmoralização e derrota dos
movimentos populares a hora do ataque final é essa, amanhã é tarde.


MAteria das FARC
Cabalgamos con Bolívar


Los estallidos sociales y los cambios revolucionarios jamás se
presentan como surge el fuego de la cabeza de Júpiter o como un
trueno en la mitad de un día soleado. Siempre hay un acumulado
histórico, un devenir de problemas y situaciones no resueltos que al
igual que las aguas encajonadas y represadas, cuando las bases que
sustentan el embalse son débiles y no corresponden a la presión
recibida por ellas, éstas las arrastran llevándose a su paso todo lo
que encuentran.

El actual embalse de la sociedad colombiana no resiste más la presión
de la lucha popular por los cambios que han venido siendo aplazados
inmemorialmente y que tienen su secuencia desde las luchas contra el
conquistador Español, expresada en la resistencia, entre otros, de
los caciques: Calarcá, Nutíbara y la extraordinaria Gaitana que trató
de fundar la primera confederación de tribus para enfrentar al
opresor, pasando por José Antonio Galán con sus Comuneros del Socorro
y San Gil (en el Departamento de Santander) hasta llegar a Simón
Bolívar que con el pueblo organizado en Guerrillas y una amplia
alianza de castas y razas, tras una fiera confrontación armada con
los ejércitos del Rey Español, los vence y sella la independencia de
Colombia, Venezuela, Ecuador, Perú y Bolivia.

Bolívar luchó no sólo contra las tropas oficiales del ejército
realista sino contra sus paramilitares de entonces, los asesinos
Monteverde y Boves, que tras sus banderas negras con calaveras
blancas descuartizaban patriotas o adherentes a éstos, anegando en
sangre los campos de la libertad, desatando el terror y promoviendo
los odios de casta para la preservación del régimen amenazado.

Recurre también la Corona española a enviar al ¨ pacificador ¨ Pablo
Morillo para ¨ frenar la lucha entre hermanos ¨ desviando así la
atención sobre los verdaderos objetivos que buscaban, evitar la
independencia de sus colonias, convirtiendo el paredón en su macabro
emblema.

De otro lado las potencias de la época afilaban sus garras para
apoderase de nuestras riquezas. Onerosos préstamos y privilegios
comerciales eran su divisa. Inglaterra y Estados Unidos rivalizaban
en codicia, hecho oportunamente visualizado por el libertador.

Pretendieron matar en la cuna los sueños de una América unida, que
sería ¨ el equilibrio del mundo ¨ e hicieron tabla raza la esencia
del pensamiento bolivariano. Presentaron a Bolívar en monumentos de
mármol o retratos acartonados, sin comprender que el Genio de la
gloria dormía vigilante en la conciencia de los pueblos de este mundo
joven, de nuestra patria grande y que sus sueños estaban inconclusos
pero no desechados. Para que surgieran Bolívar, el ejército patriota
y la ¨ conciencia Americana ¨ transcurrieron trescientos años de
ignominia.

No importa que hoy como ayer, los nuevos conquistadores mientan a la
humanidad disfrazando tras la lucha contra el narcotráfico, sus
verdaderas intenciones de dominación y saqueo, y que con su Plan
Colombia traten de impedir que las aguas represadas del descontento
popular, ante tanta desidia, abandono y miseria arrasen de Colombia y
de América Latina el corrupto sistema que nos han impuesto y
cambiarlo por otro donde reine la justicia, la felicidad y la
igualdad, que son banderas bolivarianas absolutamente realizables.
Han transcurrido 170 años desde su desaparición física y nuevamente
Bolívar, baja del mármol. Rompe los cristales de los cuadros donde lo
tenían secuestrado. Monta en su caballo Palomo. Va al reencuentro de
su Venezuela Bolivariana, guía con mano maestra en Colombia el
accionar de las Fuerzas Armadas Revolucionarias de Colombia Ejército
del Pueblo, FARC-EP, conversa con el movimiento indígena y popular
ecuatoriano, dialoga con los pobres del Perú, se mete entre los
nativos bolivianos, le habla a Argentina, Chile, Uruguay, Paraguay,
Brasil, a Centroamérica, a la América toda y nos invita a dar la
batalla para conquistar nuestra segunda y definitiva independencia.

Nos dice que unidos somos invencibles. Nos llama a cabalgar juntos en
la lucha por esta noble y justa causa, que es Fariana, Bolivariana y
Latinoamericana.

Aquí estamos, Libertador, a tu lado cabalgamos.