Convocação urgente aos Patriotas!
Combater e derrotar a guerra imperialista invasora na Amazônia, nos Andes e em toda a América Latina

Compatriotas antiimperialistas:

Esta Rede Solidária Antiimperialista de cidadãos e cidadãs brasileiros e latino-americanos, considerando que:

1. O governo narco-fascita-paramilitar de Álvaro Uribe Vélez e as Forças Armadas oligárquicas oficiais da Colômbia estão de fato tuteladas e sob rígido controle doutrinário, técnico e financeiro do Comando Sul do Exército imperialista norte-americano sob comando do gorila, general James T. Hill.

2. As Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia-Exército do Povo, o Exército de Libertação Nacional-ELN e outros grupos guerrilheiros estão intactos e reorganizando suas forças e planos para novas fases da guerra popular revolucionária contra a dominação oligárquica e das multinacionais imperialistas através do Terrorismo de Estado da casta plutocrática de banqueiros, latifundiários e dissimulados narcotraficantes colombianos.

3. A melhor prova do fracasso da estratégia de guerra contra-guerrilheira do subserviente e narco-presidente Uribe Vélez são os anúncios do chefe do Comando Sul do Exército ianque de uma ampla campanha guerreirista que envolva praticamente toda a América Latina, especialmente focalizada nos Andes e na Colômbia como teatro de operações de partida, transformado este país irmão no epicentro da guerra imperialista contra os povos latino-americanos, numa tentativa desesperada de esmagar a prolongada resistência popular que lideram as FARC-Exército do Povo.

4. O Comando Sul não mais utiliza o desmoralizado pretexto de “guerra ao narcotráfico”, mas tenta esboçar mais um novo e cínico guarda-chuva ideológico, que chama de ‘populismo radical’ contra a mobilização popular continental oposta ao neoliberalismo e às estratégias de expoliação dos nossos povos, o que considera como uma ameça à segurança nacional norte-americana, o que requer, segundo James Hill, uma resposta contundente e imediata para manter o controle do seu tradicional quintal como uma eterna neocolônia ianque.

5. O Comando Sul através do senhor Hill está exercendo uma virulenta pressão sobre o governo do Presidente Hugo Chávez e outros governos da região para que adiram ao Plano Patriota e se envolvam diretamente nesta guerra imperial, conseguindo com que o Brasil conceda seu espaço aéreo e realize seu Plano Cobra na fronteira com a Colômbia; que o Equador ponha em marcha seu Plano Fronteira Norte; que a Bolívia execute seu Plano Dignidade; e que o Peru e o Panamá ponham em prática o Plano Vigilância Fronteiriça.

6. Estão, pois, criadas todas as condições para aprofundar a guerra imperialista invasora não só na irmã Colômbia mas em toda a região andina e amazônica.

Concluímos e conclamamos urgentemente:

A todos os verdadeiros patriotas antiimperialistas e revolucionários a darmos uma resposta militar urgente à agressão imperial, prestando efetiva solidariedade e apoio concreto ao heróico movimento guerilheiro das FARC-Exército do Povo, do ELN e outras forças revolucionárias, mas também e sobretudo preparando a própria organização do movimento popular em termos militares contra a agressão imperialista, transformando em prioridade a organização e a expansão da luta armada popular revolucionária em todo o território andino e amazônico, incorporando para tal toda a experiência acumulada nas guerras revolucionárias contra o imperialismo norte-americano, especialmente a atual e heróica resistência guerrilheira iraquiana.

- CONTRUIR JÁ O EXÉRCITO POPULAR ANTIIMPERIALISTA EM NOSSA AMÉRICA!
- DESTRUIR TODAS AS BASES IANQUES E MATAR OS SEUS ASSESSORES MILITARES E LACAIOS COLABORADORES!
- TRANSFORMAR A GUERRA IMPERIALISTA EM GUERRA DE LIBERTAÇÃO NACIONAL PELO SOCIALISMO DO SÉCULO XXI!
- APOIO EFETIVO ÀS FARC-EXÉRCITO DO POVO!

Declaração
Movimento Bolivariano pela Nova Colômbia

Uma greve justa

As cifras mentiroas com as quais o governo deforma a realidade, não são suficientes para esocnder a intensificação da guerra suja, da insegurança, da violação dos direitos humanos nem a entrega do país ao narco-latifundismo paramilitar.

Essas cifras não têm podido ocultar o desassossego e a desesperança de 28 milhões de colombianos mergulhados na pobreza por culpa da rapacidade dos governantes e de sua política neoliberal.

Nem manipulando as estatísticas tem podido o governo desviar as realidades do altíssimo desemprego, baixos níveis de consumo, de pauperização crescente na qualidade de vida da maioria dos colombianos.

O projeto de novas cargas tributárias, de reforma previdenciária e a negociação do Tratado de Livre Comércio (TLC) com os Estados Unidos, apresentados oficialmente como sábias decisões para salvar da quebra as finanças do Estado, fazem parte da estratégia antipopular que met a mão no bolso dos setores médios e pobres do país para financiar a guerra fratricida, a corrupção e o pagamento da usureira banca mundial.

São falaciosos também os dados oficiais sobre a confrontação militar e o desenvolvimento do pró-ianque “Plano Colômbia” e sua extensão, o “Plano Patriota”, supostamente traçado para recuperar a institucionalidade em vastos setores da nação – sempre vilipendiados e espoliados, sob o pretexto de que os ianques e a oligarquia colombiana serão capazes de impor a paz dos sepulcros, a pax romana em nossa atribulada nação.

Coincidimos com milhões de colombianos, com grande quantidade de organizações políticas, sindicais, camponesas, comunais, indígenas, étnicas, artísticas, juvenis e com personalidades da vida econômica, política e social do país na necessidade de encontrar uma saída diferente da guerra para solucionar as profundas fissuras existentes na estrutura da sociedade e que não podem ser superadas artificialmente com cifras manipuladas.

Também coincidimos na necessidade de trabalhar a convergência de todas as lutas de massas para colocar o povo colombiano como protagonista-forjador de seu próprio destino, tornando inócua a pretensão de impor supostos Messias, que só aspiram a usurpar o exercício da soberania popular.

O inconformismo e o repúdio à oligárquica e pró-imperialista política oficial e o propósito de que isto mude para aclimatar outra atmosfera distinta à da injustiça social, da corrupção, da impunidade, da guerra e da subserviência perante o imperialismo, é clamor geral que cresce, assim como a decisão de enfrenta-la.

Por isso saudamos os acordos do encontro nacional de organizações sociais e a cúpula social em torno de temas vitais como: a luta pelas liberdades democráticas, contra a reeleição de Uribe, contra a reforma tributária, pela intercâmbio humanitário e pela solução política para o conflito social e armado, contra a ALCA e a dívida externa. Identificamo-nos e nos solidarizamos com a greve convocada para o próximo dia 12 de outubro.

A saída democrática para a crise não passa pelo ajoelhado tratado de extradição nem muito menos pele peça teatral cômica de Ralito (desmobilização do narco-paramilitarismo) que pretende dissimular a legalização da pistolagem narco-paramilitar, o roubo de terras dos camponeses e a impunidade que generosamente Uribe defende para seus amigos.

O regime ultra-reacionário de Uribe Vélez está sendo notificado pela crescente e incontível luta popular de que sua estratégia de fome e terror não tem futuro, que não é detendo massivamente civis inocentes nem fechando hospitais, nem desperdiçando o orçamento em jogos de guerra, nem bombardeando incessante e inutilmente as selvas do país, como saíremos em diante. O libetador Simón Bolívar afirmou certeiramente que “a violência da força arrasta consigo os princípios de sua própria destruição”.

Movimento Bolivarianos pela Nova Colômbia
Montanhas da Colômbia, 3 de outubro de 2004

FARC: sobre os avanços
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12.10.2004 [ANNCOL] Damos a conhecer a todos os nossos leitores um documento da Comissão Internacional das FARC, divulgado por esta organização insurreta em dias passados.

Avanços nos diálogos Pastrana-FARC-EP

Das conversações de paz adiantadas pela insurreição da guerrilha das FARC-Exército do Povo e pelo governo de Pastrana, destacam-se entre outros os seguintes avanços:

Os 12 pontos da Agenda Comum para a Mudança, assinados em La Machaca

A Agenda comum que sem dúvidas constitui o avanço mais importante das conversações, porque aí estão contidos os temas políticos, sociais e econômicos de cuja solução concreta poderá sobrevir a paz com democracia e justiça social.

A Agenda Comum é a carta importante de navegação para a solução política negociada do conflito interno.

A realização das audiências públicas, multitudinário cenário da participação cidadã nos diálogos de paz.

O intercâmbio humanitário de prisioneiros de guerra doentes, trouxe como resultado a decisão unilateral das FARC-Exército do Povo de deixar em liberdade 350 soldados e policiais capturados em cruentos combates.

O acordo de Los Pozos, assinado pelo Presidente Pastrana e pelo Comandante Marulanda em fevereiro de 2001, relançou o processo de paz em um momento de dificuldades.

O informe da Comissão de Notáveis, bem recebido pelas partes e por amplos setores do país, em que se estabeleceram recomendações concretas para diminuir a intensidade do conflito e acabar com o fenômeno do paramilitarismo entre outros aspectos.

O acordo de San Francisco de la Sombra, que introduziu importantes elementos humanitários para dinamizar o processo de paz em seu conjunto.

O cronograma aprovado em 20 de janeiro de 2002 e a decisão do acompanhamento internacional das Nações Unidas, do grupo de países amigos e facilitadores e da Igreja Católica colombiana, adotadas posteriormente.

Os aspectos anteriores, por si sós, justificam o valor e a importância histórica das negociações adiantadas durante o governo Pastrana, e por sua vez servem de ponte para os futuros diálogos e negociações que devem produzir-se no país entre o Estado e as guerrilhas revolucionárias.

Em sua negativa para negociar a paz, entre outros argumentos, o governo e os círculos dominantes que o rodeiam difundiram a pérola de que “O Estado não vai se entregar em retalhos à subversão”, e que tampouco torna-se admissível fazer uma “revolução negociada” com a “insurreição totalitária”. Nada mais enganoso e carente de realismo político.

Tais argumentos são apenas uma forma de esquivar a necessidade das mudanças democráticas e de estabelecer um viés pejorativo à negociação dos temas de fundo, próprios para um acordo de paz na conjuntura histórica atual.

O certo é que a plataforma de 10 pontos da guerrilha das FARC é um catálogo de reivindicações democráticas, de conteúdo econômico e social a favor da imensa maioria da população colombiana. Nem ditadura do proletariado, nem socialismo representa, por exemplo, a agenda comum dos 12 pontos, assinada entre o governo de Pastrana e as FARC-Exército do Povo.

Em conclusão, para conseguir a solução política para o conflito interno colombiano, tornam-se indispensáveis as reformas políticas e econômicas de fundo, com um maior equilíbrio social e uma ampla mobilização de todos os setores do povo. A solução política para o conflito deve dar origem a um Estado autônomo, democrático, pluralista, patriótico e livre de ataduras aos organismos internacionais financeiros e sob a égide dos Estados Unidos.

A solução política para o conflito interno é o início de um novo modelo democrático das relações entre o Estado colombiano e seus cidadãos, e é o princípio da construção conjunta de uma nova sociedade em paz e em progresso, baseada na equidade, no respeito aos direitos e às liberdades das maiorias eternamente excluídas e vilipendiadas pelos ricos no poder.

Comissão Internacional das FARC-Exército do Povo
Montanhas da Colômbia, outubro de 2004.

O triunfalismo do Exército se sustenta em falsidades
FARC-Exército do Povo

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15.09.2004 [Roberto Gutiérrez, ANNCOL] Em um primeiro balanço divulgado na semana passada sobre o desenvolvimento do tão publicitado Plano Patriota, o general Castellanos, oficial responsável por esta operação, apresentou aos meios de comunicação cifras nas quais falavam da destruição de 220 acampamentos e posta fora de combates de numerosos gurrilheiros das FARC. No entanto, destacou que “as condições nas quais têm combatido os soldados do Exército, são precárias”, fazendo com que, em seguida, o Ministro da Defesa, Jorge Alberto Uribe reconhecesse que “isto vai durar muito”.

ANNCOL quis saber a opinião das FARC-Exército do Povo, objetivo principal do Plano Patriota. Por via radial tivemos a oportunidade de entrevistar o Chefe da Comissão Internacional desta agrupação insurreta, Raúl Reyes.

No que se refere ao TLC (Tratado de Livre Comércio), Reyes nos disse com segurança que o caracteriza em suas respostas aos meios de comunicação nacionais e internacionais ao afirmar que “é o grande negócio para que os ricos se tornem mais ricos e os pobres muito mais pobres”.

ANNCOL: O Plano Patriota, em sua primeira fase – 5 meses e meio -, disse o general Reinaldo Castellanos, que está a frente, ter dado baixa em 167 guerrilheiros das FARC e reconhece a morte de 49 de seus soldados. Que credibilidade estas cifras merecem? A de vocês?

Reyes: As cifras em baixas do exército da oligarquia e as baixas guerrilheiras estão registradas com responsabilidade e rigor revolucionário em nossas partes de guerra e comunicados públicos. O triunfalismo do Exército de Uribe se sustenta em falsidades, mentiras e calúnias para garantir os milhões de dólares da intervenção ianque no conflito interno.

ANNCOL: O general Castellanos também disse que “apesar das difíceis condições climáticas e topográficas, as ações castrenses têm permitido, inclusive, destruir grande parte da infra-estrutura do Secretariado das FARC e do denominado Estado Maior do Bloco Oriental”, então poderia-se pensar que outros seis meses e pronto, as FARC estão mortas?

Reyes: Para outra frustração mais dos altos comandos militares e da oligarquia liderada por Álvaro Uribe Vélez, as FARC-Exército do Povo continuam intactas em seu acionar político-militar rumo ao objetivo de prosseguir a luta revolucionária na defesa dos interesses das maiorias nacionais de nossa pátria, sua soberania e independência definitiva.

ANNCOL: “Falta muito. No entanto estamos comprometidos e estamos decididos, isto vai durar muito, pode durar anos e essa batalha vamos ganha-la”, disse o ministro da Defesa, Jorge Alberto Uribe neste primeiro balanço do Plano Patriota. Como vê isso, comandante Raúl?

Reyes: O povo colombiano está enfrentado em uma luta de classes diametralmente antagônica na qual a classe governante pretende assegurar-se no poder recorrendo para esse fim à guerra total contra os pobres, com o apoio de mercenários do governo dos Estados Unidos. Pelo menos depois de dois longos anos de governo paramilitar, seus representantes começam a reconhecer as dificuldades que têm em tornar realidade seu sonho de liquidar o povo em armas em curto tempo. Este governo fascista, da guerra total, do neoliberalismo e da injustiça social, também descumpriu suas promessas aos financiadores e promotores da morte dos pobres.

ANNCOL: Os meios de televisão mostraram em 7 de setembro passado como os aviões da Força Aérea colombiana bombardeavam pontes e estradas construídas por vocês e pelas comunidades em suas áreas de influência e epicentro hoje do Plano Patriota. Qual é a análise?

Reyes: Os bombardeios dos aviões da Força Aérea contra as vias de comunicação a serviço das comunidades camponesas e populações pobres é a constante do exército colombiano diante da impossibilidade de golpear o movimento guerrilheiro. A gente pobre das regiões constrói com grandes sacrifícios e com a ajuda da guerrilha suas pontes, estradas ou caminhos de ferro que o Estado nunca quis fazer, mas logo o seu exército os destrói como demonstração de selvageria e covardia. Assim procedem os verdugos do povo a serviço da oligarquia, da corrupção, da politicagem e do tráfico de drogas que cinicamente dizem combater na Colômbia.

ANNCOL: Finalmente, o povo simples e pacato vê a ALCA como um monstro de muitas cabeças. Como será se até os produtores de artidos de primeira necessidade começam a se beliscar. O que opina disto comandante?

Reyes: O Tratado de Livre Comércio é outro componente da entrega de nossos recursos e interesses ao Império norte-americano, com o que crescerá a pobreza e a miséria entre a população pobre, afetando muito mais a precária produção dos camponeses pobres e pequenos comerciantes e empresários asfixiados pela política neoliberal. O TLC é o grande negócio para que os ricos se tornem mais ricos e os pobres muito mais pobres.

Mensagem do ELN às FARC-Exército do Povo
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10.10.2004 [ANNCOL] Tornamos público este documento chegado à redação de ANNCOL, em Estocolmo.

Comandante Manuel Marulanda Vélez

Camaradas todos do Secretariado das FARC-Exército do Povo, para vocês e comandos de sua organização guerrilheira, um fratrnal abraço.

Hoje queremos compartilhar com vocês a alegria de haver realizado o Sexto Pleno de Direção Nacional do ELN. Concentrar a condução nacional para avaliar o trabalho revolucionário e projetar a luta é, sem dúvida, uma batalha das tantas ganhas na luta, que demonstra além do mais que o inimigo está muito longe de vulnerar a insurreição guerrilheira.

Nosso Sexto Pleno refletiu e analisou o complexo momento pelo qual atravessa a luta dos povos do mundo e a soberba feroz do imperialismo para impedir os avanços revolucionários que abrem passagem em diversos espaços do continente e do mundo.

Se é verdade que temos reivindicado a continentalidade da luta revolucionária, percebemos que hoje vários povos latino-americanos abrem espaço com fórmulas muito particulares, as quais nos estão oferecendo ensinamentos, sobretudo na criatividade, para gerar desenvolvimentos no movimento de massas e dar assim importantes batalhas democráticas e antiimperialistas.

Sentimos como próprias as lutas dos povos latino-americanos e continuaremos trabalhando para fortalecer a corrente Bolivariana que foi-se criando.

Reafirmou o evento que a luta armada revolucionária deve se desenvolver em estreita relação com a luta das massas e em tal sentido traçou rumos como desafios para os anos vindouros.

Reafirma iguamente que a unidade da insurreição guerrilheira continua sendo um assunto indispensável para fortalecer o processo revolucionário colombiano e nesse sentido garante os compromissos que temos pendentes.

Ao considerar que o repúdio às políticas de Uribe vem crescendo em uma importante faixa de organizações populares, de setores médios e de forças que, a partir da própria instituição procuram saídas que apontem para superar a crise, o Plenário conclui na necessidade de dinamizar uma clara política de alianças e de unidade em que os objetivos para construir a nação pela paz e justiça social sejam os eixos que projetem tais desenvolvimentos.

O evento parte da consideração de que a crise social tocou fundo e requer da insurreição guerrilheira propostas que envolvam a população inteira e que cheguem também a nossos amigos no exterior. Nesse sentido mantemos aberta a janela do diálogo para procurar coloca na opinião o pensamento do ELN sobre assuntos de interesse nacional.

Por último, camaradas, o evento conclui que a insurreição deve trabalhar nos diferentes espaços e formas de luta social e política, procurando confluências para somar; assim crescemos na medida em que os outros também se desenvolvam, para o bem comum da causa revolucionária.

Com apreço e fraternidade revolucionária,

Sexto Plenário da Direção Nacional do ELN.
Montanhas da Colômbia, outubro de 2004.

A Colômbia nas mãos dos militares dos EUA

A agenda entre os Estados Unidos e a Colômbia já não é traçada pelos políticos, mas pelos militares. Isso é revelado em um estudo realizado por três das instituições mais sérias de Washington, que monitoram as relações que os EUA mantêm com os militares da América Latina e do Caribe.

10.10.2004 [Redação Internacional, Palenque Colombia]

Segundo o informe, os temas que afetam a América Latina, especialmente a Colômbia – país onde a participação militar dos EUA é mais alta -, deixaram de ser um assunto do Departamento de Estado e passaram a ser tema do Pentágono e do Comando Sul, que são os que definem o rol de Washington na região.

Aponta o estudo que, como a América Latina passou a ter pouca prioridade para os funcionários do Poder Executivo dedicados à política exterior, os militares norte-americanos – que têm os recursos, o pessoal e a influência política para se ocuparem até de zonas relativamente relegadas – estão se transformando nos principais intérpretes dos assuntos da região. “Este fato induz os políticos de outros níveis de governo a ver a América Latina a partir da perspectiva desproporcionalmente militar, baseada nas ameças à segurança”.

Isto, segundo analistas em Washington e Miami, poderia dissipar as dúvidas que todos tinham sobre o porquê a América Latina não esteve presente no debate entre George W. Bush e John Kerry, na semana passada. “A Colômbia e a América Latina, em geral, deixaram de ser um assunto político para se transformar em um tema claramente militar. Duvido que seja tocado em algum debate presidencial”, diz Malcom Seronal, da Universidade de Miami.

O informe realizado pelo Fundo para a Educação do Grupo de Trabalo sobre a América Latina (LAWG), o Centro para a Política Internacional (CIP) e o Escritório em Washington para Assuntos Latino-americanos (WOLA), aponta que é o Comando Sul do Exército dos Estados Unidos que estabelece as prioridades entre os EUA e a América Latina, e que devido a isso a participação militar na região é cada vez mais alta. Os militares norte-americanos treinaram 22.855 latino-americanos no último ano, a maioria da Colômbia, seguidos pela Bolívia, Panamá, Peru e Equador. “Isto representa um aumento de participação militar de 52%”.

A jornalista do Washington Post Dana Priest, assegurava em um livro que o Comando Sul tem mais gente trabalhando sobre assuntos latino-americanos – 1.100 – do que a maioria dos principais organismos federais juntos”. Por isso os funcionários do Comando Sul visitam com mais frequência a região do o fazem os membros de outros departamentos. O diretos do Comando Sul, general James T. Hill, que esteve de visita esta semana em Bogotá e Quito, realizou, entre agosto de 2002 e julho de 2004, 78 viagens a América Latina.

Isto, segundo outros programas de assistência militar que têm os EUA na região e na Colômbia especificamente, está sendo pago em grande medida pelo Departamento de Defesa. “Os dois terços desse treinamento militar são pagos diretamente através do Departamento de Defesa, e não pelo orçamento de assistência exterior que administra o Departamento de Estado, através de “parcelas antinarcóticos” e programas de “intervenção” das Forças Especiais, que operam com poucos limites e com poucas oportunidades para o escrutínio público”, aponta o informe.

“Isto é muito sintomático, já que tradicionalmente o treinamento militar exterior tem sido financiado e administado pelo Departamento de Estado, devido às sérias implicações que tal assistência tem em matéria de política exterior”, diz o estudo. Com um agravante adicional, pois esse tipo de assistência era condicionada ao cumprimento de certos requisitos de direitos humanos, além de informes ao Congresso. O treinamento financiado diretamente através do Departamento de Defesa não está submetido a particamente nenhuma destas restrições.

Novas propostas

Sobre a Colômbia, aponta o estudo que, como as Forças Armadas Colombianas têm pouca experiência em operativos em grande escala e em longo prazo, os militares e os contratistas privados (mercenários a soldo) dos EUA estão desempenhando um papel essencial no Plano Patriota, dando informação de inteligência às tropas no campo, ajudando a manter o equipamento e oferecendo apoio de planejamento e logístico, por exemplo, ajudando as tropas colombianas de avanço a manter suas linhas de combustível e provisões.

“Desde janeiro de 2004, entre 15.000 e 20.000 militares colombianos, muitos deles circusncritos em unidades móveis que acabam de ser criadas com assessoria e treinamento dos EUA, vêm operando no sul da Colômbia, Caquetá, Meta e Guaviare, bastião por muito tempo das Farc”, diz o estudo.

O mais grave, segundo os realizadores do informe – Adam Isacson, Joy Olson e Lisa Haugaard – é que o papel de destaque do Comando Sul na região tem importantes consequênias políticas, pois “os problemas sociais estão sendo definidos como ameças militares emergentges e se está correndo o risco de justificar uma resposta militar”. Asseguram que “consideramos particularmente inquietante identificar o ‘populismo radical’ como uma ameaça para a segurança.

Tal como o concebem atualmente os políticos, o termo parece estar destinado a dirigentes políticos e movimentos sociais que promovem políticas sociais e econômicas que poderiam não estar de acordo com as diretrizes de alguns políticos norte-americanos, mas que estão longe de ser ameaças que justifiquem uma resposta militar”.

Por isso, desde há algum tempo o governo norte-americano está tratando de traçar planos militares na região que não têm contado com o aval de vários países latino-americanos. No passado mês de setembro, vários ministros de Defesa de sete nações sul-americanas rejeitaram a visão dos EUA de que às forças armadas da região cabia uma importante função na luta contra o terrorismo. Esta negativa não foi suficiente, pois, diz o informe que os EUA estão promovendo uma força naval latino-americana.

“Os funcionários de defesa da administração Bush estiveram elaborando uma proposta para a criação de uma força marítima operativa multinacional das Américas, denominada ‘Amizade Duradoura’ consistente em uma frota de navios dirigida pelos EUA”.

Esta idéia, chamada de “Força Naval Latino-Americana” foi vista como uma forma de preencher o vazio de segurança e interceptação de drogas que se gerou quando os barcos norte-americanos que estavam apostados na região foram retirados dalí para serem destinados à defesa das costas dos EUA depois do 11 de setembro.

A fantasia de um país virtual

Comunicado e partes de guerra do Bloco Oriental das FARC-EP

O regime uribista divulga aos quatro ventos a fantasia de um país virtual que não corresponde em nada com a Colômbia ensanguentada que governa.

A grande imprensa, como serviçal fiél, reproduz cada uma de suas invenções, contribuindo para o afã presidencial de conseguir que na mente de milhões de compatriotas e da opinião pública internacional se fixe a idéia de uma país pujante, em franco desenvolvimento econômico, pronto para solucionar seus problemas sociais, democrático e sobretudo seguro.

A verdade é que tudo quanto brota da Casa de Nariño (Sede da Presidência) e de sua corte de aduladores supura a podridão e mentira. Suas fabulosas estatísticas sobre crescimento econômico se despedaçam com os estudos sérios de entidades públicas e internacionais que tornam presente a catástrofe social de miséria e pobreza esmagadoramente crescentes. Os avós e anciãos, até épocas recentes exaltados como orgulho da nacionalidade, transformaram-se de repente nos discursos dos economistas oficiais em odiosos decrépitos que drenam com suas absurdas aposentadorias o dinheiro dos setores mais desfaorecidos.

O Congresso se prepara para assaltar com uma nova reforma tributária o magro orçamento dos lares colombianos, em troca da ridícula promessa uribista de reintegrar às famílias dos estratos 1 e 2 uma soma aproximada de 1.500 pesos mensais. Enquanto isso o presidente se esforça para levar adiante o Tratado de Livre Comércio e se nega a toca no regime de isenções tributárias que gozam os grandes capitais nacionais e estrangeiros. É apenas lógico que assim acontece, em última instância o Estado e seu regime político existem para garantir o enriquecimento das classes dominantes às custas da perseguição e repressão dos de baixo.

Por isso não passa um dia sem que se reporte a detenção de dezenas de colombianos acusados de terroristas; por isso se acumulam de forma escandalosa os erros militares que custam a vida de indefesas famílias do povo; por isso se agiganta o orçamento de guerra e as operações militares de extermínio; por isso os crimes do paramilitarismo são descarados, apesar da comédia uribista dos diálogos de paz. É a verdadeira face do Estado capitalista. Mas sobretudo é por isso que as FARC-Exército do Povo crescem no combate permanente contra as hostes terroristas do exército da Colômbia patrocinadas pelo governo dos Estados Unidos.

O Plano Patriota está empantanado e afunda nas selvas do sul do país, vítima do incessante fogo guerrilheiro, das armadilhas, dos fustigamentos e campos minados, silenciando as bravatas dos generais da república afanados para apresentar resultados, e obrigando o regime a silenciar o impressionante número de baixas em suas próprias fileiras. As cifras do mês de agosto falam por si sós. A guerrilha está intacta, o povo armado, apoiado por milhões de colombianos, trava com dignidade e valor um futuro muito diferente ao sonhado por Bush e Uribe.

Ao apresentar à opinião pública nacional e internacinal as partes de guerra do último mês, fazemos um chamado à classe operária, ao campesinato, aos desempregados, aos trabalhadores estatais, aos estudantes, aos pequenos comerciantes e industriais, aos empresários nacionais, aos democratas, aos militares e policiais explorados e informados, à academia e à intelectualidade a unir seus esforços conosco para esmagar juntos a investida fascista. Nossos filhos merecem um país melhor, democrático, soberano, em desenvolvimento, justo e em paz. Seja pela via da solução política ou das armas, nosso compromisso é consegui-lo. E jamais retrocederemos nesse empenho.

A seguir as partes de guerra do mês de agosto:

Primeiro: em desenvolvimento da Operação Resistência, Comandante Urias Rondón, durante o mês de agosto, as unidades guerrilheiras que fazem frente ao denominado Plano Patriota na área compreendida pelos municípios de San Vicente del Caguán, no estado do Caqueta, La Macarena, no estado do Meta, e no corregimento de Cachicamo, no estado do Guaviare, realizaram as seguintes ações militares:

Fustigamentos e minas: Combates 12
Fustigamentos e minas total 88
Exército mortos 82 e feridos 93
Total de baixas inimigas: 175

Aviões avariados 1
Material confiscado: Um fusil com 2 carregadores

Próprias tropas: mortos 8 e feridos 8
Total próprias baixas 16
Material perdido: fuzis e 2 equipamentos de campanha.

Segundo: em outras ações na área do Bloco Oriental se apesentaram os seguintes resultados:

Combates, fustigamentos e campos minados 177
Exército mortos 57 e feridos 56
Policiais mortos 3 e feridos 8
Paramilitares mortos 27 e feridos 24
Total baixas inimigas: 175
Motos destruídas 6
Oleoduto sabotado 1
Torres derrubadas 1
Avionetas avariadas 4
Helicópteros avariados 2

Material confiscado: 17 fuzis com 80 carregadores e 6.109 cartuchos
Um morteiro de 60mm. Com 6 granadas e 6 granadas de mão, rádios handy 3
Dois pentes para metralhadora pkm
Granadas para fusil 3
Equipamentos de campanha 39
Próprias tropas: Guerrilheiros mortos 10 e feridos 11, milicianos bolivarianos mortos 1
Total de próprias baixa 22
Material perdido: 11 fuzis, 4 pistolas e 105 equipamentos de campanha.

Estado Maior do Bloco Oriental
Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia – Exército do Povo – FARC-EP
Montanhas do Oriente colombiano, 2 de setembro de 2004.

A HORA DA TROCA DE PRISIONEIROS
Comunicado DO Secretariado do Estado Maior Central de das FARC-EP

1. Reafirmamos nossa disposição para pactuar com o governo da Colômbia os termos da troca ou intercâmbio humanitário de prisioneiros. É a vontade de todos os guerrilheiros das FARC-EP. É o clamor e o desejo de toda a nação.

2. A construção do acordo bilateral de troca impõe a necessidade de um espaço seguro, quer dizer, desmilitarizado e pelo tempo que for necessário para que as partes exponham sem sobressaltos seus pontos de vista, realizem as consultas que tenham, e finalmente aproximem suas posições para a assinatura do mencionado pacto. Para tal efeito propomos os municípios de Cartagena Del Chairá e San Vicente Del Caguán, no estado do Caquetá. Esta medida é indispensável para o deslocamento não só dos porta-vozes da guerrilha, mas dos prisioneiros em seu poder, os quais, devido às operações militares no sul, tiveram que ser trasladados, por questão de segurança, a outros estados. No passado, todo retorno dos nossos representantes foi seguido por um operativo militar contra-guerrilheiro. Esta experiência negativa, e o senso comum, assinalam a justeza de nossa proposta. A retirada de nossos representantes plenipotenciários e dos guerrilheiros liberados deverá estar rodeado de garantias certas.

3. A proposta de uma desmilitarização por 72 horas, que está sendo difundida por alguns meios de comunicação, es apócrifa. Não tem origem nas FARC. No entanto, deu margem para que o senhor comandante das Forças Militares mostrasse todo seu desprezo pela sorte de seus soldados prisioneiros. Estas posições de extrema mesquinhez e de dureza inócua só conseguiram prolongar a pena do cativeiro. Chamamos os coronéis e oficiais subalternos do exército e da política a que contribuam também com seu grão de areia para que seus companheiros de armas abracem, sem mais dilações artificiosas, seus seres queridos na liberdade. Contrasta com os nulos resultados militares do “Plano Patriota” o tratamento de vencidos que pretendem nos dar alguns funcionários do governo.

4. Estamos seguros de que com o diálogo cara a cara, com os esforços dos familiares dos prisioneiros, da hierarquia católica, de distinguidos ex-presidentes e de governos amigos, poderão ver muito cedo os frutos de sua conseqüente gestão humanitária.

5. Ao mesmo tempo em que reiteramos nossa total disposição de acordar a troca ou intercâmbio humanitário com os delegados do presidente Uribe, expressamos nossa determinação de trabalhar com um novo governo uma solução diplomática para o conflito interno que viva a Colômbia. A paz com justiça social, e não a guerra que nos oferecem como panacéia, deve ser objetivo de todos o colombiano.

Secretariado do Estado Maior Central das FARC-EP
Montanhas da Colômbia, 14 de setembro de 2004

FARC-EP atacam base conjunta Exército-narco-paras
Parte de Guerra do Estado Maior do Bloco José Maria Córdova das FARC-EP

Em 7 de setembro, guerrilheiros da 9ª Frente das FARC atacaram base conjunta de paramilitares e do Exército no distrito Santa Rita de San Carlos, estado de Antioquia.

Resultados: 16 paramilitares e militares mortos, um número indeterminado de feridos.
Material confiscado: 7 fuzis de diverso tipo, 17 provedores para os mesmos, 1.800 cartuchos, 2 rádios handy, 2 telefones celulares, 1 GPS, 1 granada, 6 coletes e 8 equipamentos de campanha.

Combateu-se também com o reforço

Resultados: 3 militares mortos.

Próprias tropas: sem novidade.

Estado Maior Bloco José María Córdova das FARC-EP

Montanhas da Colômbia, 11 de setembro de 2004

As FARC-EP lutam pela justiça
A Frente 38ª das FARC-EP comunica:

Primeiro: que foram unidades guerrilheiras desta Frente as autoras do justiçamento de Luis Alberto Zorro e Siervo León Plazas, prefeito o primeiro e ex-vereador o segundo do município de Chámeza no estado do Casanare.

Segundo: as últimas administrações de Chámeza se distinguiram por sua aberta cumplicidade com os crimes cometidos contra a população camponesa dessa localidade, por parte do grupo paramilitar que opera na região com o respaldo total do Exército oficial da Colômbia.

Terceiro: durante sua gestão à frente do município foram assassinados, desaparecidos ou desterrados mais de 60 moradores, produziu-se o saqueio de 1.200 cabeças de gado e um importante número de porcos e galinhas de propriedade de famílias camponesas humildes, que também tiveram queimados seus pertences e moradias.

Quarto: o Estado colombiano aspira a premiar com o perdão os autores dos mais espantosos fatos de sangue contra o povo deste país. Com a cobertura de Santa Fé de Ralito lhes permite continuar comodamente com a atividade depredadora, ao mesmo tempo que simula persegui-los atacando facções paramilitares rivais de seus aliados.

Quinto: a política de Segurança Democrática que dirige de Bogotá o presidente Uribe, institucionaliza o terror para benefício dos grandes consórcios de investidores transnacionais.

As administrações estaduais e municipais do estado do Casanare que a reproduzem em nível local, têm um dívida muito grande com o povo da região.

As FARC-Exército do Povo não deteremos nossa luta pela justiça

Estado Maior da 38º Frente do Bloco Oriental das FARC-EP

Montanhas do Casanare, 29 de agosto de 2004






DECLARAÇÃO DE SERPA-PORTUGAL

Reunidos nas cidades portuguesas de Serpa e Moura, os participantes do Encontro Internacional «Civilização ou Barbárie – Desafios do Mundo Contemporâneo»

Alertam para a gravidade da crise global – social, econômica, militar, cultural e ambiental – que a humanidade enfrenta, a qual ameaça a própria continuidade da vida na Terra.

Constatam que no desenvolvimento dessa crise o capitalismo, na sua escalada de agressividade, se tornou um fator de retrocesso absoluto da humanidade.

Sublinham que os EUA, potência hegemônica, optaram, na busca de saída para a crise estrutural do sistema, por uma estratégia de terrorismo de Estado de guerras ditas «preventivas» que assume já matizes neofascistas.

Identificam a União Européia como um bloco político-econômico resultante da convergência dos interesses do capital monopolista, rumo ao federalismo anti-nacional, que limita os direitos cívicos e implementa políticas anti-sociais, tendo aspirações expansionistas e de competição econômica mundial, em processo de militarização e no plano internacional subserviente aos mesmos objetivos imperialistas em questões econômico-financeiras e de controle geoestratégico.

Condenam as agressões ao Iraque e ao Afeganistão e os crimes monstruosos ali cometidos pelas forças armadas dos EUA e da Grã-Bretanha e seus aliados satélites, incluindo a cumplicidade do governo português com as referidas agressões, e saúdam a resistência dos seus povos à ocupação e ao saque em luta pela liberdade e independência.

Condenam os crimes do sionismo de Israel, apoiado por Washington, contra o heróico povo palestino e proclamam a sua solidariedade aos patriotas que ali se batem por uma Palestina livre e plenamente soberana.

Manifestam a sua solidariedade a quantos na Ásia, na África e na América Latina sofrem duramente as consequências das políticas neocolonialistas e se mobilizam para lutar contra todas as formas assumidas pela violência imperialista, principalmente os projetos de recolonização consubstanciados na ALCA e no Plano Puebla-Panamá, repudiados pelos povos, do Rio Bravo à Terra do Fogo.

Condenam as intervenções militares diretas e indiretas do imperialismo ianque na América Latina, principalmente no Haiti e na Colômbia, exigem o fechamento das bases norte-americanas em diferentes países do Continente, incluindo a de Guantânamo, em Cuba, ocupada ilegalmente, e alertam para as perigosas consequências da continuidade em diferentes países do hemisfério de políticas neoliberais, sobretudo no Brasil, na Argentina e no México.

Denunciam a ausência total de autoridade moral da parte do governo dos Estados Unidos, que financiou, executou, incentivou e tolera no seu território a organização de atos de terrorismo contra Cuba e protagoniza tal como o seu aliado Israel, ações de terrorismo de Estado, para se arvorar em juiz e elaborar listas de países e organizações alegadamente terroristas, nas quais incluem movimentos revolucionários de libertação como as Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia – FARC-EP, cujos dirigentes têm a cabeça a prêmio, enquanto os autores de monstruosos atos terroristas passeiam tranquilamente pelas ruas de Miami.

Exigem o fim do bloqueio imposto a Cuba, agora reforçado, e das leis piratas que visam a asfixiar e destruir a sua Revolução e saúdam o povo cubano como exemplo heróico e vitorioso de resistência ao imperialismo.

Saúdam calorosamente o povo da Venezuela e o Presidente Hugo Chávez Frias, líder da Revolução Bolivariana, pela vitória alcançada contra a reação oligárquica e o imperialismo no referendo revogatório, acontecimento de grande significado não só para a América Latina como para a Humanidade

Recordam o exemplo da luta revolucionária dos povos das antigas colônias portuguesas cujo combate também contribuiu decisivamente para o fim do apartheid e a independência da Namíbia e da Africa do Sul.

Salientam o significado histórico da Revolução Portuguesa de Abril de 74 e a importância fundamental que nela desempenhou a unidade do povo e das Forças Armadas rumo a uma democracia avançada e recordam que foi a ruptura dessa unidade que permitiu a retomada do poder pela direita e o processo de recuperação capitalista.

Constatam que a compulsão do capitalismo pelo “crescimento econômico” tem exigido colossais fluxos de matérias-primas e de energia que conduzem quer à dilapidação de recursos naturais não-renováveis (como petróleo e gás natural) quer ao uso de recursos renováveis para além da sua capacidade de regeneração (como solo, água e pescas), sobrecarregando o ambiente com resíduos e poluentes, fatos que degradam as condições de habitabilidade da Terra e socavam a disponibilidade de recursos para as gerações vindouras.

Advertem que a crise energética assume enorme gravidade. A humanidade já consumiu metade do petróleo disponível. Em 2008, segundo alguns especialistas, a procura excederá a oferta. O atual ritmo de consumo – 82 milhões de barris por dia – colidirá com a capacidade de produção que entra em declínio. É indispensável e urgente encontrar alternativas energéticas que todavia não prescindem de soluções na esfera da organização da produção e consumo social

Proclamam a convicção de que o Marxismo continua a ocupar um lugar central entre as referências teóricas mobilizadas não somente pelos comunistas mas também pelos progressistas do mundo. A reapropriação e o reforço do Marxismo, da sua metodologia e dos seus conceitos (a ser adaptado à realidade do mundo contemporâneo) e da sua essência revolucionária, continuam a ser uma necessidade absoluta na luta ideológica atual. Contra o sistema totalitário de desinformação, de alienação e de manipulação das massas pelos mass media dominantes, a propaganda comercial e o “pensamento único”, o marxismo como pensamento da crítica e da transformação do mundo, nem dogmático nem domesticado, permanece como a arma intelectual mais preciosa nas mãos dos trabalhadores e dos povos que resistem. Renunciar a ele equivaleria a desistir da luta pelo socialismo.

Conclamam os povos a participar mais ativamente nas lutas pela paz e contra a estratégia de dominação imperial de um sistema de poder que assume cada vez mais contornos neofascistas nas suas agressões contra países do Terceiro Mundo e no saque dos seus recursos naturais. Somente a globalização dessas lutas, prioritária no combate ao imperialismo, pode deter os perigos que ameaçam a humanidade

Expressam a convicção de que o socialismo é a única alternativa a um sistema capitalista que, ao entrar na sua fase senil, optou por uma estratégia irracional de desespero agressivo que ameaça reconduzir a humanidade à barbárie ou, mesmo, à extinção.

Registram com alegria a intensificação das lutas dos trabalhadores dos países da União Europeia em defesa das suas históricas conquistas sociais ameaçadas pelas políticas neoliberais e o significado libertador da atual ascensão da luta de massas em quase todos os países da América Latina, sublinhando que o reforço da solidariedade internacionalista entre os explorados de todo o mundo é indispensável à globalização do combate contra o capitalismo e o imperialismo.

Serpa, 25 de Setembro de 2004

Esta declaração encontra-se em  http://resistir.info