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| | OUÇA a voz do presidente dos Estados Unidos planejando o golpe de 64 no Brasil By HENRIQUE TEIXEIRA LOTT 14/05/2008 At 18:10 Documentos secretos da CIA foram recentemente "desclassificados" por força de lei (tornaram-se públicos). Entre esses documentos, estão vários relacionados ao apoio norte-americano ao golpe de 1964 no Brasil, que depôs o presidente João Goulart e instaurou a ditadura. Telefonema de Lyndon Johnson -  Telegrama para o embaixador Lincoln Gordon É possível acessar uma parte desses documentos neste link: http://www.gwu.edu/~nsarchiv/NSAEBB/NSAEBB118/index.htm (É tudo em inglês) Entres os documentos revelados, estão um telegrama ao embaixador dos EUA no Brasil, Lincoln Gordon, anunciando uma série de medidas que deveriam ser tomadas para dar "apoio, no momento apropriado, às forças anti-Goulart". Também faz parte da coletânea uma gravação de um telefonema, onde o presidente dos EUA, Lyndon Johnson, discute a situação do Brasil com seu assessor Thomas Mann. No telefonema, o presidente dos EUA afirma que "Nós (o governo dos EUA) devemos tomar todos os passos que pudermos, e estar preparados para fazer tudo que for necessário" ("I think we ought to take every step that we can, be prepared to do everything that we need to do"). A gravação do telefonema está disponível no arquivo Mp3 anexado a este artigo. Fica mais uma vez provada a participação americana no planejamento do golpe, provando que os militares golpistas de 64 eram traidores da pátria, a serviço do Império.
>>Add a comment Para baixar o arquivo Mp3 com a conversa do presidente dos EUA, clique no link "Telefonema de Lyndon Johnson", logo acima da imagem do telegrama.
 | Linha de raciocínio de esquerdista é meia torta mesmo né ? Ora , em primeiro lugar , seria de uma inocencia atroz achar que os EUA não se preparariam para qualquer tipo de atividade anti comunista que ocorrese na América Latina . Afinal , nos anos 60 a guerra fria entre capitalismo e comunismo ( aquele mesmo que acabou por ter tão pouca sustentação com a história acima ) . Ao mesmo tempo , é mais do que conhecido que , desde os anos 50 , as esquerdas já atuavam fortemente na AL , primeiramente com a interferencia e suporte direto da URSS , e depois de Cuba. Mas como absurdo pouco é bobagem na cabeça destes esquerdóides , o autor acima vem com a boca toda cheia de farofa ideológica , tentando vender a idéia de atitude hedionda dos EUA tomarem medidas preventivas no caso do Brasil ( o que para ele obvimente é sinonimo de planejamento do golpe , rsrs ) , como se as esquerdas já não estivessem , instaladas , treinadas e ativas no Brasil e na América Latina há anos , ou como se a intenção destas guerrilhas fosse a de instaurar um regime democratico nos paises onde atuavam . Atentando terrorista contra uma pessoa como a do texto acima , é jogar um livro de história no seu colo.  | É impressão minha, ou, por mais absurdo que pareça, tem um idiota querendo constestar?
Será que ele não entendeu que são PROVAS DOCUMENTAIS do envolvimento do governo dos EUA na preparação do golpe?
Ou será que ele não sabe ler em inglês (o idioma da Jamaica, África do Sul e Irlanda)?
Será por isso que não conseguiu perceber na série de telegramas disponibilizados no site citado que o embaixador americano tinha informações que só poderiam ser obtidas através de um contato próximo com os golpistas?
Militares golpistas de 1964 = traidores da pátria
Golpistas de 64 = moleques de recado dos ianques (como pode ser confirmado pelas ótimas relações com os EUA durante todos os anos da ditadura).
 | Putz, o cara diz que as relações entre a ditadura e os EUA eram ótimas! Só na tua cabeça! O alinhamento com os EUA ficou restrito ao governo Castelo Branco (1964-1967). Depois o relacionamento só fez piorar por conta da influência do nacionalismo fardado no governo. O Brasil se recusou a assinar o TNP em 1968, ao contrário do que os EUA queriam. Teve a briga comercial do café em 1969 e dos calçados em 1971. Ainda teve o conflito pelo mar territorial de 200 milhas em 1970, quando a Marinha brasileira expulsou a tiros pesqueiros americanos. Isso sem contar o Acordo Nuclear com a Alemanha em 1975, que a CIA tentou sabotar, e o apoio ao MPLA na Angola, enquanto os EUA exigiam apoio à UNITA (1975). Ainda teve no mesmo ano o voto anti-sionista do Brasil na ONU, que azedou mais ainda as relações, e para piorar o rompimento do Acordo Militar Brasil-EUA em 1977, por iniciativa do Geisel, que não admitia intromissão dos americanos na questão dos direitos humanos. Ah, ainda teve em 1967 a famosa expulsão do embaixador americano da sala do presidente na frente da imprensa, quando o grosso do Costa e Silva gritou: "Escuta aquim ô seu 'mister', não me venha dizer como governar o Brasil". Sorte dos americanos é que os militares nacionalistas radicais nunca conseguiram chegar ao poder (até tentaram em 1969, com o Gen. Albuquerque Lima), mas influenciavam e pressionavam bastante, vide a nacionalização das telecomunicações (Telebrás, 1973), da informática (1984), da navegação (Lei de Fretes, 1968, citando o Batista), da aviação (1969, Embraer), o protecionismo indiscriminado à industria nacional e o Código de Propriedade Industrial de 1971.
Tu não estuda não garoto?  | Acabei de ouvir a conversa toda. O sujeito que postou essa matéria acha que ninguém aqui conhece a língua inglesa. A gravação apenas mostra que os ianques estavam estudando que posição adotar caso os conspiradores derrubassem o governo Goulart. Aliás, o próprio trecho do telegrama lá encima resume isso: "Para sua exlusiva informação pessoal, as decisões a seguir foram tomadas para garantir que estejamos em posição de fornecer assistência às forças anti-Goulart em tempo apropriado se eles decidirem fazer isso". Faço questão de chamar a atenção para o último trecho: "SE ELES DECIDIREM FAZER ISSO". Ou seja: quem DECIDIU derrubar o governo foram os militares brasileiros, não os EUA. O uso da expressão "se" é elucidativo, pois corresponde a dizer: só adotaremos alguma postura se os militares brasileiros decidirem agir. Digo mais: quem ler o cabeçalho do telegrama verá que ele foi enviado do Departamento de Estado para a embaixada no Brasil em 31 de março. Ora, em 31 de março o golpe já estava em andamento e se consumou no dia seguinte. Americanos lerdos: enquanto eles ainda discutiam o que iam fazer, o governo já havia caído. Foram atropelados pelos fatos, tal qual as esquerdas.  | "Ou seja: quem DECIDIU derrubar o governo foram os militares brasileiros."
Outra bobagem.
É fato que os SETORES CIVIS ligados às oligarquias urbana e rural que praticamente "imploraram" aos milicos que derrubassem o governo Jango.
É só ler os jornais da época.
Nem vem que não tem, Batista, com sua interpretação de uma única FRASE do relatório, desconsiderando toda a influência político-econômica norte-americana no Brasil desde o "pós-guerra". Dessa forma, toda uma época é jogada no ostracismo pelo seu raciocínio simplista.  | Em algum momento o mercenário apátrida de codinome "Batista", a serviço do golpe pró-imperialista da CIA/FIESP acabaria por se desmascarar com seus próprios sofismas e tergiversações cínicas e apátridas "de causa e efeito" dos fatos e revelar seus verdadeiros vínculos com os golpistas traidores do heróico povo brasileiro, cujas tradições antiimperialistas, antimonopolistas e antilafifundiárias os empresários pró-imperialistas traidores da Pátria tentaram apagar através da neofascista e pró-imperialista Rede Globo de Televisão do traidor vende-pátria Roberto Marinho, "revolucionário de primeira hora", segundo o fascista-golpista e ex-ministro censor da Justiça da ditadura pró-imperialista, Armando Falcão.
Esse diversionista mal doutrinado por manuais fascistas da direita apátrida da Escola de Comando e Estado Maior do Exército (ECEME) tentou ludibriar algum desavisado ao afirmar que o Prof. Moniz Bandeira (de quem ele desavergonhadamente diz ter conhecido e ser seu admirador) teria negado os fatos do artigo abaixo de 2004 (postado por mim), escrito pelo próprio Moniz Bandeira como prefácio ao livro BARRETO, Túlio Velho & Ferreira, Laurindo (orgs.). Na Trilha do Golpe. Recife: Editora Massangana, 2004.
Mas o feitiço se voltou contra o próprio feiticeiro: o mercenário mau-caráter "Batista" caiu em sua própria armadilha ao afirmar que o professor Moniz Bandeira negou os fatos do artigo abaixo com o livro (ESCRITO EM 2003)"L. A. Brasil, Argentina e Estados Unidos: Conflito e Integração na América do Sul-Da Tríplice Aliança ao Mercosul. Rio de Janeiro: Editora Revan, 2003.
A SEGUIR A ARMADILHA EM QUE O PRÓPRIO "BATISTA" SE SUICIDOU. CITO SUAS PALAVRAS SEM-VERGONHA, ANTIPATRIÓTICAS E MERCENÁRIAS, FINGINDO ELOGIAR O PROFESSOR MONIZ BANDEIRA.
"Quando digo que ele é honesto, é porque se mostrou capaz de revisar suas teses ao se defrontar com fatos novos. Uma delas é esse velho artigo dele que você postou, artigo este cujo conteúdo ele próprio renegou parcialmente no seu extenso e recente livro "Brasil, Argentina e Estados Unidos". Após aprofundar suas pesquisas, o Prof. Moniz Bandeira teve coragem e hombridade (atributos que faltam a você) de reconhecer seus equívocos".
Então pergunto ao fascista vende-pátria tupiniquim: Qual a relação de causa e efeito de um livro escrito em 2003 poder negar os fatos relatados em um artigo/prefácio de 2004? O movimento de translação da terra congelou?
VÁ SER "PATRIOTA" ASSIM NUM PORTA-AVIÕES DA UNITAS!
A seguir posto o artigo/prefácio do próprio Prof. Moniz Bandeira para sepultar o cadáver decomposto do que um dia foi um vende-pátria disfarçado de patriota para boi dormir. Esse simpatizante de narco-presidente fascista e pró-imperialista não consegue ludibrir nem a ele próprio.
1964: A CIA e a técnica do golpe de Estado*
"Friday, April 3, 1964 - 12:06 p.m.
Thomas Mann: I hope you?re as happy about Brazil as I am.
Lyndon B. Johnson: I am.
Thomas Mann: I think that?s the most thing that?s happened in the hemisphere in three years.
Lyndon B. Johnson: I hope they give us some credit, instead of hell?[1].
Curzio Malaparte, quando escreveu, nos anos 30, Técnica del colpo di Stato, ressaltou que ?il problema della conquista e della difesa dello Stato moderno non è un problema politico, ma tecnico?[2]. Essa técnica, que se vinha modificando, no curso dos séculos, paralelamente à transformação da natureza do Estado[3], desenvolveu-se enormemente e ganhou maior dimensão, ao ser ampla e sistematicamente utilizada pelos Estados Unidos, como instrumento de política exterior e ingerência nos assuntos internos de outros países, desde a criação da Central Intelligence Agency (CIA), em 1947, durante o governo do presidente Harry Truman (1945-1953). ?We must learn to subvert, sabotage and destroy our enemies by more clear, more sophiticated and more effective method than those against us? [4] ? recomendou um documento secreto, anexado ao Doolitle Report para a Hoover Commission, em 1950[5].
A CIA, sucessora do Ofice of Strategic Services (OSS), dedicou-se não apenas à coleta de dados, mas a vários tipos de operações de guerra psicológica e paramilitares, conhecidas como PP ou KUKAGE, que jamais deveriam ser a ela atribuídas ou ao governo dos Estados Unidos e sim a outras pessoas ou organizações[6]. O ex-agente da CIA, Philip Agee reconheceu, em seu livro Inside the Company: Cia Diary, que essas operações são arriscadas porque quase sempre significam intervenção, pois visam a influenciar, por meios encobertos, os assuntos internos de outro país, com o qual os Estados Unidos mantém relações diplomáticas normais, e a técnica consiste essencialmente na ?penetration?[7], buscando aliados desejosos de colaborar com a CIA. Daí que a regra mais importante na sua execução é a possibilidade de ?plausible denial?, i.e., negar convincentemente a responsabilidade e a cumplicidade dos Estados Unidos com o golpe de Estado, ou outra operação, uma vez que, se fosse descoberto seu patrocínio, as conseqüências no campo diplomático seriam graves.
As operações de guerra psicológica implicam propaganda e divulgação, ou seja, campanha através da media, junto às diversas organizações estudantis, sindicatos, outros grupos profissionais e culturais, bem como junto aos partidos políticos, sem que a procedência das informações possa ser atribuída ao governo americano. Ela é efetivada, muitas vezes, por agentes da CIA, estacionados na Embaixada Americana como diplomatas, ou homens de negócios, estudantes ou aposentados, enquanto as operações paramilitares consistem na infiltração em áreas proibidas, sabotagem, guerra econômica, apoio aéreo e marítimo, financiamentos de candidatos nas eleições, suborno, assassinatos (executive actions) pela Division D, dentro do projeto conhecido como ZR/RIFLE[8], treinamento e manutenção de pequenos exércitos (covert actions) etc[9]. Essas operações tipificam a técnica do golpe de Estado, que a CIA desenvolveu e aplicou no Brasil e em diversos países da América Latina, nos anos 60 e 70 do século XX, radicalizando, artificialmente, as lutas sociais, até ao ponto de provocar o desequilíbrio político e desestabilizar governos (spoling actions), que não se submetiam às diretrizes estratégicas dos Estados Unidos. ?In some cases, a timely bombing by a station agent, followed by mass demonstrations and finally by intervention by military in the name of the restoration of order and national unity ? revelou Philp Agee, acrescentando que as operações políticas da CIA foram responsáveis por coups, que obedeceram ao mesmo padrão no Irã, em 1953, e no Sudão, em 1958.
Os agentes da CIA e seus mercenários nativos, encarregados de promover "hidden World War Three"[10], executaram no Brasil, desde 1961, as mais variadas modalidades de covert action e spoiling action, engravescendo a crise interna e induzindo, artificialmente, o conflito político à radicalização, muito além dos próprios impulsos intrínsecos das lutas sociais, das quais a comunidade empresarial norte-americana participava como significativo segmento de suas classes dominantes. Àquele tempo, as corporações multinacionais, em busca de fatores mais baratos de produção, não podiam tolerar nos new industrializing countries nenhum governo de corte social-democrático, que, sob influência dos sindicatos, favorecesse a valorização da força de trabalho. E, conquanto o presidente John F. Kennedy (1961-1963) condenasse, formalmente, os golpes de Estado e privilegiasse a democracia representativa como forma de evitar revoluções e combater o comunismo, os Estados Unidos trataram de enfraquecer e derrubar o governo do presidente João Goulart, não apenas por causa de algumas nacionalizações, mas, sobretudo, com o objetivo de modificar a política externa do Brasil, que defendia os princípios de autodeterminação dos povos e se opunha à intervenção armada em Cuba.
Em 11 de dezembro de 1962, Kennedy reuniu o Comitê Executivo do Conselho de Segurança Nacional para examinar a "ameaça comunista" no Brasil e a crise do seu balanço de pagamentos. Ao que tudo indica, naquela oportunidade, decidiu-se que os Estados Unidos suspenderiam totalmente qualquer financiamento ao Governo Goulart, nada fazendo, como prorrogação de vencimentos, para aliviar as dificuldades de suas contas externas, e só destinando recursos aos Estados, depois denominados "ilhas de sanidade administrativa", cujos governadores eram militantes anticomunistas. No dia seguinte, ao falar a imprensa, Kennedy referiu-se duramente à situação do Brasil, declarando que uma inflação de 5% ao mês anulava a ajuda norte-americana e aumentava a instabilidade política. Segundo ele, uma inflação no ritmo de 50% ao ano não tinha precedentes e os Estados Unidos nada podiam fazer para beneficiar o povo brasileiro, enquanto a situação monetária e fiscal dentro do país fosse tão instável. Assim, publicamente, proclamou que o Brasil estava em bancarrota. E ao receber em audiência, no dia 13, o senador Juscelino Kubitschek, ex-presidente do Brasil, e Alberto Lleras Camargo, ex-presidente da Colômbia, prognosticou que, não importando o que os EUA fizessem, a situação do Brasil devia deteriorar-se[11].
Apesar dos fatores domésticos, que os possibilitaram, os golpes de Estado nos países da América Latina, após a revolução cubana, constituíram batalhas da "hidden World War Three". Eles resultaram da mutação da estratégia de segurança continental, promovida pelo Pentágono, redefinindo as ameaças, com prioridade para o inimigo interno, e difundindo, através da Junta Interamericana de Defesa, particularmente, as doutrinas de contra-insurreição e da ação cívica. Quase todos os golpes de Estado na América Latina, durante os anos 60 e 70, configuraram, assim, um fenômeno de política internacional continental, mais do que de política nacional, interna, da Argentina, Peru, Guatemala ou Brasil. Evidenciou-o o fato de que a intervenção das Forças Armadas no processo político visou, sobretudo, a alterar diretrizes de política exterior e ditar decisões diplomáticas, conforme os objetivos estratégicos dos Estados Unidos, e ocorreram, geralmente, contra os governos que se recusavam a romper relações com Cuba. O que mais afetava, então os interesses de segurança dos Estados Unidos, no hemisfério, não era exatamente a luta armada pró-comunista, como as guerrilhas na Venezuela e na Colômbia, mas sim, o desenvolvimento da própria democracia naqueles países, onde o recrudescimento das tensões econômicas e dos conflitos sociais aguçava a consciência nacionalista e os sentimentos anti-norte-americanos passavam a condicionar o comportamento de seus respectivos governos. Em tais circunstâncias, conquanto Kennedy adotasse, como um dos pressupostos da Aliança para o Progresso, o princípio de não reconhecer governos que não obedecessem às normas do regime democrático-representativo, sua administração foi a que mais incentivou as Forças Armadas, percebidas como a organização social mais estável e modernizadora, a participarem da política interna de seus respectivos países, através de "ações cívicas" e de contra-insurreição. Daí o surto militarista, com a propagação dos golpes de Estado, que tinham como principal fonte de inspiração a Junta Interamericana de Defesa. Não sem motivo o embaixador Ilmar Pena Marinho, chefe da Delegação de Brasil na OEA, manifestou sua preocupação com a possibilidade de que o Colégio Interamericano de Defesa, criado por pressão dos Estados Unidos e ao que Goulart se opôs, viesse a transformar-se em uma "academia de golpes de Estados"[12], onde os estagiários e instrutores norte-americanos, a influenciar seus colegas latino-americanos, expressavam abertamente opiniões sobre a necessidade de criar-se um sistema permanente de ação coletiva, capaz de intervir onde quer que não se pudesse enfrentar, com recursos internos do próprio país, a ameaça comunista.
A operação para eventualmente intervir no Brasil começou, por volta de 1961. O Departamento de Estado, naquele ano, começara a solicitar ao Itamaraty vistos para cidadãos americanos, que entravam no Brasil sob os mais diferentes disfarces (religiosos, jornalistas, comerciantes, Peace Corps etc.), dirigindo-se a maioria para as regiões do Nordeste. Em meados de 1962, da tribuna da Câmara Federal, o deputado José Joffily, do partido Social-Democrático (PSD), denunciou a "penetration" e, no princípio de 1963, o jornalista José Frejat, através de O Semanário, revelou que mais de 5.000 militares norte-americanos, "fantasiados de civis", desenvolviam, no Nordeste, intenso trabalho de espionagem e desagregação do Brasil, para dividir o território nacional. Se a guerra civil eclodisse, segundo ele, a esquadra do Caribe estaria pronta para apoiar as atividades dos supostos civis americanos, com armas e tropas. Comprovadamente, até 1963, o Itamaraty concedera mais de 4.000 vistos e recebera solicitação para mais 3.000, cujo atendimento os militares nacionalistas brasileiros obstaram. Esse volumoso número de requerimentos. causara tanta estranheza que levou o Itamaraty, certa vez, a interpelar o embaixador Gordon. A resposta foi evasiva. Ele declarou que apenas 2.000 americanos utilizaram efetivamente os vistos, sendo que os demais ficariam como reservas. Não era verdade. Mentiu. Cerca de 4.968 norte-americanos, conforme as estatísticas oficiais de desembarque, chegaram ao Brasil, apenas em 1962, batendo todos os recordes de imigração originária dos EUA e superando quase todos os números registrados durante os anos da Segunda Guerra Mundial, quando eles instalaram, oficialmente, bases militares em diversos estados do Nordeste. Aquele número baixou, em 1963, para 2.463, talvez em virtude de restrições do Itamaraty, mas, ainda assim, continuou acima da média de entradas de norte-americanos em todos os anos anteriores e posteriores.
Esses americanos integravam as Special Forces, conhecidas como Green Berets, criadas para travar guerras de baixa-intensidade (low-intensity wars) e treinar as forças nos diversos países, onde houvesse essa perspectiva de conflito armado. E desde meados de 1963, pelo menos, a CIA e o Pentágono começaram a elaborar vários planos de contingência, denominados Brother Sam, a fim de intervir militarmente no Brasil, diante da eventualidade de que João Goulart, como conseqüência da pressão econômica dos Estados Unidos, reagisse e envergasse para a esquerda, não propriamente comunista e sim sob a forma do autoritarismo ultranacionalista, algo no modelo de Getúlio Vargas ou Juan D. Perón, conforme a avaliação da CIA. E até o seu assassinato (executive action) foi planejado. Em 10 de outubro de 1963, à mesma época em que o Grupo Especial do Conselho de Segurança Nacional dos Estados Unidos autorizara novas operações de sabotagem em Cuba, os soldados do 1º Batalhão da Polícia do Exército brasileiro, sob o comando do Major Ary Abrahão Ellis, vasculharam um sítio em Jacarepaguá (Rio de Janeiro), perto de uma propriedade de Goulart, e descobriram 10 metralhadoras Thompson, calibre 45, 20 carregadores, 72 caixas de cartuchos Remington Kleanbore 45, 10 granadas Federal Blast Dispersion Tear Gas (CN) e um rádio transmissor motorola, marcado com o símbolo do programa Ponto IV (mãos apertadas), da embaixada dos Estados Unidos(32). O ministro da Justiça, Abelardo Jurema, declarou que as metralhadoras Thompson entraram clandestinamente no Brasil, pois nenhuma daquele tipo existia nas suas organizações de polícia nem no seu Exército, cujos oficiais desconheciam todos aqueles modelos de armamentos, tão modernos que eram. E as investigações evidenciaram a existência de uma trama para a eliminação de Goulart e de seus filhos, bem como de muitos políticos e generais favoráveis ao governo. Não há dúvida de que a CIA estava por trás do complot.
O golpe de Estado, que derrubou em 1964 o presidente João Goulart, tipificou o conjunto das operações que a CIA desenvolveu e aprimorou, e com tais procedimentos ela conseguiu desestabilizar o governo e permitir a sublevação dos militares, a pretexto de restaurar a ordem e evitar o comunismo. A oposição tinha, decerto, uma dinâmica interna própria, determinada pelas contradições econômicas e sociais, que se aguçaram no Brasil. Mas teriam os militares brasileiros, que conspiravam contra Goulart, desfechado o golpe de estado, para derrubar um governo legalmente constituído, se não soubessem que contariam com o respaldo dos EUA? Teriam ousado empreender essa aventura, que poderia deflagrar uma guerra civil, se não estivessem seguros de que receberiam assistência militar Washington, sob a forma de gasolina, armas, munições e até mesmo assessores, se necessário fosse? Seguramente, não. A assertiva do embaixador Lincoln Gordon, segundo a qual derrubada de Goulart foi realizada pelos militares brasileiros sem ?assistance or advice? dos EUA não corresponde à realidade. Não é consistente com os fatos. No dia 30 de março de 1964, no momento em que Goulart discursava para os sargentos no Automóvel Club, o secretário de Estado, Dean Rusk, leu para o embaixador Lincoln Gordon, pelo telefone, o texto do telegrama n° 1296, informando-o de que, como os navios, carregados de armas e munições, não podiam alcançar o Sul do Brasil antes de dez dias, os EUA poderiam enviá-las por via aérea, se fosse assegurado um campo intermediário em Recife ou em qualquer outra parte do Nordeste, capaz de operar com grandes transportes a jato, e manifestou o receio de que Goulart, o deputado Ranieri Mazzilli, os líderes do Congresso e os chefes militares alcançassem naquelas poucas horas uma acomodação, fato que seria ?deeply embarrassing? para governo norte-americano e ?would leave us branded with an akward attempt at intervention?[13]. No mesmo telegrama, Dean Rusk forneceu o script da encenação, de forma a disfarçar o golpe de estado e a intervenção dos EUA, ao recomendar que:
"It is highly desirable, therefore, that if action is taken by the armed forces such action be preceded or accompanied by a clear demonstration of unconstitutional actions on the part of Goulart or his colleagues or that legitimacy be confirmed by acts of the Congress (if it is free to act) or by expressions of the key governors or by some other means which gives substantial claim to legitimacy"[14].
Era necessário, conforme Dean Rusk enfatizou, que, o golpe de Estado tivesse uma aparência de legitimidade, de modo que os EUA pudessem fornecer a ajuda militar aos sediciosos, conforme o embaixador Lincoln Gordon reconheceu em seu livro Brazil?s ? Second Chance ? En Route toward the First World[15]. E o senador Auro Moura Andrade cumpriu literal e fielmente o roteiro prescrito. Declarou a vacância da presidência da República, mesmo sabendo que Goulart não renunciara e continuava no Brasil, empossou no cargo o deputado Ranieri Mazzilli, que como presidente do Congresso estava imediatamente na linha de sucessão. Aí, se resistência houvesse e a guerra civil irrompesse, ele poderia requerer a assistência dos EUA, com base no Acordo Militar, renovado através das notas reversais de 28 de janeiro de 1964. Mas não foi necessário. Resistência não houve. E o embaixador Lincoln Gordon pôde declarar que estava "muito feliz" com a vitória da sublevação de Minas Gerais, "porque evitou uma coisa muito desagradável, que seria a necessidade da intervenção militar americana no Brasil"[16]. E continuou a insistir na "plausible denial", i.e., em negar convincentemente a responsabilidade e a cumplicidade dos EUA com o golpe de estado, norma esta pela qual os governos norte-americanos pautaram muitas vezes suas políticas de intervenção em outros países.
Ao escrever sobre o golpe de Estado, o 18 Brumário de Luís Bonaparte, Karl Marx comentou, ironicamente, que
"a sociedade é freqüentemente salva todas as vezes que o círculo dos seus dominadores se restringe e um interesse mais exclusivo se sobrepõe. Qualquer reivindicação, ainda que da mais elementar reforma financeira burguesa, do liberalismo mais vulgar, do mais formal republicanismo, da mais trivial democracia, é ao mesmo tempo castigada como ?atentado contra a sociedade? e estigmatizada como ?socialismo?. Por fim, os pontífices da ?religião e da ordem? são eles mesmo expelidos a pontapés de suas cadeiras de Pythia[17], arrancados da cama no meio da noite e da névoa, colocados em camburões, lançados no cárcere ou enviados para o exílio, seu templo arrasado, sua boca lacrada, suas plumas partidas, sua lei rasgada, em nome da religião, da propriedade, da família, da ordem"[18].
Esse trecho de Marx sobre a França de 1848 parece descrever, exatamente, o que ocorreu no Brasil, durante e logo após o golpe de Estado de 1964. Contudo, embora se recomende, aos governantes, estadistas, povos preferivelmente o ensinamento através da experiência da história, como Hegel ressaltou, o que a experiência e a história ensinam é que os povos e governos nunca aprenderam qualquer coisa da história nem se comportam de acordo com suas lições[19]. Daí a necessidade de recordar sempre o passado, que continua modelando o presente, e a importância de obra como esta, organizada brilhantemente por Túlio Velho Barreto para a Fundação Joaquim Nabuco publicar no transcurso do 40° do golpe de Estado, que ocorreu em 1° de abril 1964 e, em homenagem ao Dia da Mentira, logo se denominou Revolução Redentora, antecipando a data para 31 de março, ao mesmo tempo em que, a pretexto de defender a democracia, destruía a democracia e implantava uma ditadura militar.
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[1] O diálogo foi extraído das gravações publicadas por Beschloss, Michael (edit). Taking Charge: the Johnson White House Tapes, 1963-1964. New York: Simon & Schuster, 1997, p. 306.
[2] MALAPARTE, Curzio. Tecnica del colpo di Stato. Roma: Oscar Mondadori, 2002, p. 31.
[3] Id, ibid., p. 47.
[4] Apud JOHNSON, Loch K. Secret agencies: U.S. intelligence in a Hostile World. New Haven-London: Yale University Press, 1996, p. 60.
[5] A Commission on Organization of the Executive Branch, do governo americano foi estabelecida pela P.L. 80-162 de 27 de julho de 1947, sob a presidência de Herbert e criou uma Task Force on National Security Organization, dirigida por Ferdinand Eberstadt, que esboçara o projeto do Security Act of
1947. U.S. War Dept. Board on Officer-Enlisted Man Relationships. The Doolittle Report: The Report of the Secretary of War's Board on Officer-Enlisted Man Relationships. 27 May 1946.
[6] AGEE, Philip. Inside the Company: Cia Diary. London: Allen Lane, 1975, pp. 69-70.
[7] MARCHETTI, Victor & MARKS, John D. The CIA and the Cult of Intelligence. New York: Alfred A. Knopf, 1974, pp. 36-37.
[8] BAMFORD, James. Body of Secrets:Anatomy of the Ultra-Secret National Security Agency. New York: Anchor Book, 2002, p. 479.
[9] Id., ibid., pp. 69-72.
[10] JOHNSON, Loch K. Secret agencies: U.S. intelligence in a Hostile World. New Haven-London: Yale University Press, 1996, p. 38.
[11] KENNEDY, John F. Public papers. Washington, DC: Government Printing Office, 1962, p. 871. O Estado de São Paulo , São Paulo, 13.2.1962. Diário de Notícias , Rio de Janeiro, 14.2.1962.
[12] Telegrama nº 303, confidencial, da Delegação do Brasil junto à OEA, a) embaixador Ilmar Pena Marinho, Washington, 25/25.06.1962, AHMRE-B, Junta Interamericana de Defesa, América, 1961/65.
[13] Text of State Department telegram 1296 to American Embassy, Rio de Janeiro, dated March 30, 1964, 9:52 p.m. (Washington time), in GORDON, Lincoln. Brazil?s Second Chance: En route toward the First World. Washington: Brook Institution Press , pp. 68-70.
[14] Id., ibid., p. 69.
[15] ?Rusk continued by reading a long draft telegram to me, noteworthy for ist emphasis on the need of legitimacy in any anti-Goulart movement to wich we might provide military support?. Id., ibid., p. 68.
[16] ?As confissões de Lacerda,? in Jornal da Tarde, São Paulo, 6-6-1977, p. 20.
[17] Pythia foi a sacerdotisa de Apolo d oráculo em Delphi. O nome deriva-se de Python, o dragão que Apolo matou.
[18] ?Die Gesellschaft wird ebenso oft gerettet, als sich der Kreis ihrer Herrscher verengt, als ein exklusiveres Interesse dem weiteren gegenüber behauptet wird. Jede Forderung der einfachsten bürgerlichen Finanzreform, des ordinärsten Liberalismus, des formalsten Republikanertums, der plattesten Demokratie, wird gleichzeitig als ?Attentat auf die Gesellschaft? bestraft und als Sozialismus? gebrandmarkt. Und schließlich werden de Hohenpriester der Religion und Ordnung? selbst mit Fußtritten von ihren Pyathiastühlen verjagt, bei Nacht und Nebel ais ihren Betten geholt, in Zellenwagen gesteckt, in Kerker geworfen oder ins Exil geschickt, ihr Tempel wird der Erde gleichgemacht, ihr Mund wird versiegelt, ihre Feder zerbrochen, ihr Gesetz zerrissen, im Namen der Religion, des Eigentums, der Familie, der Ordnung?. MARX, Karl ? Der achtzehnte Brumaire des Louis Bonaparte, in MARX, Karl ? ENGELS, Friedrich ? Werke, Band 8, Berlin, Dietz Verlag, 1982, p. 123.
[19] ?Man verweist Regenten, Staatsmänner, Völker vornehmlich an die Belehrung durch die Erfahrung der Geschichte. Was die Erfahrung aber und die Geschichte lehren, ist dies, dass Völker und Regierungen niemals etwas aus der Geschichte gelernt und nach Lehren, die aus derselben zu ziehen gewesen wären, gehandelt haben?. HEGEL, G. W. F. ? Vorlesungen über die Philosophie der Weltgeschichte, Band 1 (Die Vernunft in der Geschichte), Hamburg, Felix Mainer Verlag, 1994, p. 19.  | Curioso bundão e mentiroso! Não tem vergonha não ?! A edição do livro que cite é de 2005 seu idiota, não a de 2003. Tanto é que afirmei no comentário das 20:30: Acontece que o próprio Moniz Bandeira admite em seu livro mais recente que se enganou, reconhecendo que os 5.000 americanos que visitavam o Nordeste em 1962-1963 eram realmente civis, e não militares com missões secretas. A maioria nem estava mais no País quando estourou a Contra-Revolução (Fonte: BANDEIRA, Luiz Alberto Moniz. "Brasil, Argentina e Estados Unidos: da Tríplice Aliança ao Mercosul, 1870-2003". Rio de Janeiro: Ed, Revan, 2005, p. 378) Todos os leitores podem checar em: http://www.midiaindependente.org/pt/blue/2008/05/419633.shtml Não sabe ler palhaço?! Se você ainda tem dúvidas, posso te passar o e-mail do Prof. Moniz Bandeira para que você confirme, seu paspalho! Ou prefere que eu escaneie a página da edição nova e poste aqui no CMI para esfregar na sua cara? Publico uma matéria só para isso seu moleque! Todos os leitores do CMI saibam que estou agora ATIRANDO UMA LUVA NA FACE DO CURIOSO! Você vai pegá-la ou vai fugir?!  Ontem, hoje e sempre: Brasil ! ! !  | Na abertura do Geisel e seguindo a comoção da morte de Jango, o jornalista e ex-secretário do PTB, Moniz Bandeira, publicou "O Governo João Goulart" (Ed. Civ. Brasileira), levado pelo embalo das revelações da historiadora norte-americana Parker que descobriu os documentos da Operação Brother Sam na Biblioteca Lyndon Johnson. Moniz mentiu (ou acreditou nas informações fantasiosas dadas por Carlos Lacerda numa entrevista apocalíptica-fanfarrona) dizendo que havia 5 mil boinas verdes (green berets, força de elite do Exército norte-americano) no Nordeste aguardando instruções para reprimir as Ligas Camponesas, o que se comprovou uma grande balela. Me admira que ele só tenha dado o braço a torcer agora.
Não foi a 1ª vez que Moniz Bandeira pisou na bola. Nos anos 90 ele escreveu que o Brasil enviou pilotos da FAB à Guerra das Malvinas, o que também não é verdade. A ajuda do Brasil à Argentina foi somente logística.
Agora, inicialmente raros dos golpistas tiveram idéia que o poder se prolongaria por tanto tempo, apesar de Costa e Silva já demostrara inclinações a extensão dos militares e até de sua própria candidatura, como bem descreveu o jornalista Carlos Chagas em "A Guerra das Estrelas" (LP & M).  | É simplesmente impressionante que para o esquerdista militante não basta simplesmente ser um alienado , ele tem de provar continuamente o seu grau de fantasia ideológica , e isto sempre com uma boa pitada de arrogancia . Como o Batista escreveu acima , esta mais do que claro , audível e entendível no raio da gravação de que os EUA estavam decidindo que caminho tomar para cada um dos cenários , bem como o tal do telegrama tem um baita carimbo com a data de 31 de Março de 64 . É um hilário caso de planejar algo que já aconteceu . Só rindo mesmo. Ainda há alguns que tentam disfarçar , mas que obviamente patinam na mesma maionese ideológica que esparramam . Um afirma que as provas são documentais , e ainda ( ai ai) , outro tenta vender a idéia de que as opiniões são discordantes porque os outros não sabem ler ou entender ingles !! Confundem influencia pós guerra com ingerencia e planejamento . Também há o caso do Curioso , qua passa por uma fase de escriba da incosistencia . Seu conteúdo prima pelo infantilismo Peter Pan de análise da realidade . Coloca como absurdo e inaceitável , operações de investigação e analise internacional impetradas pelo governo Americano no correr dos anos , como se isto não fosse não só a coisa mais corriqueira de qualure governo que se preze e que tem de estar informado sobre os fatos mundiais , ou até em se tratando de investigações das forças armadas americanas , como se já não houvessem ingerencias inclusive armadas de guerrilhas comunistas na América Latina , finaciadas e apoiadas pela URSS e Cuba . A anta carmim chega ao cúmulo de citar metralhadoras , munição e pasmem , um intercomunicador motorola . Uau , caraca , noooosssa . O que , só eles mané Curioso ? Enquanto isto as guerrilhas comunistas na AL faziam o que ?? Tocavam harpa , flauta e dançavam congrassadas com os camponeses na maior inocencia e passividade socialista ?? Lendo este amontoadao de iumbecilidades é que dá para entender como um desconexo Curioso afirma a idiotice de que quem discorda dele está a soldo do golpe imperialista da CIA/FIESP . Que babaquice ,quanta imbecilidade que patética linha de raciocinio.  | A ânsia de H2O por defender seu Amo EUA é tão grande, que ele analísa somente o fragmento gravado, esquecendo (por interesse ou por lavagem cerebral) todos os demais fatos relacionados.
Desde modo, basta pegar os argumentos de H2O e aplicá-los a ele próprio para que ele veja que o furo é mais embaixo.
H2O escreveu: _Como o Batista escreveu acima , esta mais do que claro , audível e entendível no raio da gravação de que os EUA estavam decidindo que caminho tomar para cada um dos cenários , bem como o tal do telegrama tem um baita carimbo com a data de 31 de Março de 64 . É um hilário caso de planejar algo que já aconteceu . Só rindo mesmo._
Contudo, como está mais do que provado, o embaixador dos EUA da época ligou no dia seguinte ao golpe de 64 aos presidente dos EUA para informar, nas palavras dele, o seguinte: O plano foi 95% bem sucedido.
Mas os mercenários, os vende-pátrias e os manipulados pelo remédio inventado pela ditadura de 64 chamado Lavagem Cerebral vão repetindo que nem papagaios a velha ladainha de sempre (vejam o grau de submissão de Batista e H2O ... quanta ingenuidade ou servilismo). É típico da forma de pensar do Império, que fica falando em salvar o mundo enquanto semeia guerras e bombas por onde passa. Chegam a ser dos piores psicopátas!!  | Janaina, você não tem vergonha de FALSIFICAR o conteúdo de uma mensagem diplomática somente para persuadir os leitores incautos no CMI ?! No dia seguinte à Contra-Revolução de 31 de março, o embaixador Linconl Gordon enviou uma mensagem ao Departamento de Estado que continha a frase: "Acreditamos que está tudo terminado, com a rebelião democrática 95% vitoriosa". (Fonte: PARKER, Phyllis. "1964: o papel dos Estados Unidos no golpe de 31 de março". Rio de Janeiro: Ed. Civilização Brasileira, 1977, p. 108). Mas você MENTIU e alterou um trecho, atribuindo ao embaixador as seguintes palavras: "O PLANO foi 95% bem sucedido". E por que você fez esse enxerto e trocou a palavra "rebelião" por "plano"? Eu mesmo respondo: para passar aos ignorantes a impressão de que os EUA planejaram a Contra-Revolução. Sua charlatã! Não me venha com esses truques de Mister M porque não sou seu professor vermelho de cursinho! Aprendeu com o Curioso?! Os vermelhos vivem repetindo essa mentira para se eximir da responsabilidade pela Contra-Revolução de 1964, pois esta não teria sido necessária se vocês não tivessem insistido em comunizar o País. A verdade é essa: quem obrigou as Forças Armadas a desencadear o movimento foram vocês! Desgraçados! E ainda mentem feito piranhas! Não canso de desmontar as mentiras de vocês aqui no CMI, usando livros escritos pela própria esquerda. A surra mais recente apliquei em dois salafrários ontem: http://www.midiaindependente.org/pt/blue/2008/05/419633.shtml Depois que refutei os posts desses dois pilantras por A + B, nenhum deles até agora conseguiu me responder a seguinte pergunta: "Na virada do 31 de março para o 1° de abril, onde estavam os agentes da CIA no Brasil, o que fizeram eles exatamente e qual foi a relação de causa e efeito desses atos com o que sucedeu? Caso não saiba responder, VOCÊ PRECISA ADMITIR QUE NÃO TEM FATOS E PROVAS, APENAS SUPOSIÇÕES E TEORIAS CONSPIRATÓRIAS". Por esses e outras repito aos meus amigos: a luta contra o comunismo tem pouco ou nada a ver com política. É um confronto moral! É uma luta contra a mentira! Contra a desonestidade! Contra o Mal! Comunistas não servem para ser meus amigos e tampouco freqüentar minha casa! Tal qual o Curioso, você tentou enganar os desavisados. Pena que estou aqui para murchar seu pão-de-queijo!  | Calma, Batista! O autor que você mencionou não é o único e o recado do embaixador certamente não corresponde ao que tu escreveste aí, pois o agente não escreveria em Português.
Mas digamos que a tradução do informe esteja correta, tuas críticas ainda assim estão prenhes de boa-vontado com os teus Amos nortenhos. Fica claro ali de que lado eles estiveram. Chamam a ditadura por eles logisticamente planejada e monitorada de "rebelião democrática"!! Isso mostra que eles de forma alguma estiveram neutros. Mas como sabemos, existem várias outras provas do plano intervencionista. Existem também evidencias interssantes do tipo: multinacionais tiveram que pagar mais impostos devido ao decreto de João Goulart; uma das primeiras medidas da ditadura foi anular o tal decreto, de modo que as multinacionais pudessem continuar o saqueio dos recursos do povo brasileiro. Não foi por acaso que a dívida externa aumentou de dois e meio bilhões de dólares para mais de 120 bilhões de dólares durante a ditadura de 64, que tu e os EUA chamam de REBELIAO DEMOCRATICA.
Mas eres tão bem informado, tão sábio, mercenário Batista!!! Deveria levar o prêmio nobel de peleguismo e ingenuidade!!
Esses trolhas são tão trouxas, que insistem em dizer que EUA não teve participação no golpe de 64. Não bastassem todas as evidências já descobertas. Não bastassem todos os acontecimentos paralelos descaradíssimos, como foi a Operação Condor. As declarações abertas do embaixador dos EUA no Chile em 1973, por exemplo, onde ele diz tudo com todas as letras.
Pior: Os EUA batizaram o plano do golpe de 64 de "Operação Brother Same"
Mas o Batista é cego para proteger o seu Amo! O maior orelhudo do mundo! Nunca vi coisa igual!
O que tu chamas de DEMOCRACIA o povo chama de DITADURA. O que tu chamas de LUCRO, para o povo é a dívida externa. Interesses do povo e interesses de Batista são duas coisas antagônicas, assim como os interesses do povo e os interesses do império.
Qual é a próxima asneira que o mercenário vai nos contar ou xingar?  | Pois é Janaina , alienação e deturpaçção pouca é bobagem . Mesmo desconsiderando a verdadeira kavada que voce pediu para levar do batista , voce se comporta como se só entre os paises capitalistas houvesse troca de informações , atualizações e comentários sobre o golpe de 64 . E pior , como se isto caracterizasse o tal planejamento ou ingerencia dos EUA no golpe , que voces antes esquerdóides teimam em querer impor a revelia dos fatos e da história. E ainda se acha com alguma moral de rotular os outros de psicopatas , vende-patrias , mercenários ou outras babaquices quaisquer , como se estrivesse confrontando Papai e Mamãe sobre a autorização para acampar no final de semana com o namoradinho. Menina , vai ler , vai estudar , vai se aculturar , e toma uma dose cavalar de humildol composto . Quem sabe daqui a um bom tempo, voce tenha alguma moral e embasamento para chamar os outros de aliendos ou de sofrerem lavagem cerebral . Com certeza Janaina , voce preenche todos os requisitos para ser esquerdista .  | Todo mercenário fascista a serviços das classes opressoras tende a se refugiar ou na religião ou no discurso "patrioteiro" para mascarar sua verdadeira face de traidor vende-pátria. Fascista não pode sequer aludir amor à pátria pois "pátria" de fascita não tem povo. "Pátria" de fascita e de mercenário são os "interesses nacionais" das oligarquias apátridas. Fascista muito menos tem moral social porque fascita não gosta nem se aproxima do povo patriota. Fascista tampouco tem amor à veracidade dos fatos, interpretando-os segundo sua concepção reacionária de sociedade sem contradições. Volto a insistir: todo mal doutrinado tem mesmo não só problema de consciência, mas também e caráter. QUER PROVAS, SENHOR FASCISTA? EI-LAS Vernon (Dick) Walters não só era amigo pessoal do gopista apátrida Castello Branco, mas era um aquivo vivo sobre suas ações e omissões nos contatos com os golpista vende-pátria. Se quer provas materiais dos contatos dele com os golpistas entre na justiça americana e peça os documentos que não foram ainda desclassificados. Agora, se quer "povas imateriais" do o ex-agente da Cia Vernon Walters, você que acredita no além e na salvação da alma, tente obtê-las "na outra vida", pois este foi assassinado pela própria CIA porque romperu a "lei do silêncio" e ousou denunicar a farsa da "operação lua", aquela montagem de 1969 que cineasta Stanley Kubrich fez em um estúdio na Inglaterra (a pedido da CIA e do Pentágono) para "provar" que a Apolo 11 pousou em "solo lunar" Agora, constesta APRESENTANDO "provas documentais" para negar as assertivas do professor Moniz Bandeira: http://www.espacoacademico.com.br/065/65bandeira.htm "Em Silent Missions[51], o livro de memórias que publicou, Vernon Walters tratou de negar seu envolvimento no golpe de estado de 1964. Porém, pode-se perceber, pela sua narrativa, que ele acompanhou por dentro todo o desenvolvimento da conspiração, ao ponto de freqüentar intimamente a casa de militares que preparavam o golpe de estado e ver (provavelmente lhe foi mostrado) "veritable arsenal", com metralhadoras, rifles, granadas e munição[52], sem nada comunicar ao governo brasileiro[53]. Igualmente dava opiniões e conselhos, tanto que, conforme contou, um oficial do Exército brasileiro certa vez lhe disse que tinha uma pessoa que poderia abater Goulart por US$ 5.000 e ele retrucou que não acreditava em assassinatos, porque era contra a lei de Deus, contra a lei dos homens e geralmente a vítima era substituída por alguém ainda mais fanático[54]. Não estivesse Vernon Walters tão envolvido no complô, nenhum oficial do Exército brasileiro permitiria que ele tivesse acesso e visse em sua residência "veritable arsenal" ou comunicar-lhe-ia que contava com alguém disposto a matar Goulart por US$ 5.000,00. Diante de tais fatos, relatados por ele próprio, o que no mínimo se pode concluir é que ele foi conivente com a articulação do golpe de estado de 1964, previsto, desejado e encorajado pelo embaixador Lincoln Gordon, que pediu diretamente ao presidente John Kennedy, em meados de 1962, a remoção de Vernon Walters para o Brasil, onde "a dangerous situation was developing in which the military would obviously play a key role of some sort"[55]. Apesar da persistente negativa do embaixador Lincoln Gordon e do general Vernon Walters, contra, aliás, o que todos documentos revelam, foram os próprios scholars norte-americanos que mais escreveram, mostrando, consistentemente, a participação dos EUA no complô para desfechar o golpe de estado de 1964. Além da monografia de Phyllis R. Parker[56], que por volta de 1976 conseguiu, apoiada no Freedom of Information Act (FOIA), a liberação de documentos depositados na John F. Kennedy Library e na Lyndon B. Johnson Library, outros livros sobre o golpe de estado de 1964 apareceram nos EUA. Em 1977, à mesma época em que O Governo João Goulart foi lançado no Brasil, a politóloga Jan Knippers Black publicou United States Penetration of Brazil[57], para o qual entrevistou vários personagens norte-americanos, como Vernon Walters, que lhe confirmou ter sido bem informado sobre os planos para o golpe, embora alegasse que não tinha obrigação de informar qualquer coisa ao governo de João Goulart[58]. Sem dúvida alguma, só poderia estar muito bem informado sobre os planos para um golpe de estado quem merecesse a confiança dos conspiradores e estivesse integrado no complô. E não sem fundamento Jan K. Black concluiu em Sentinels of Empire ? The United States and Latin American Militarism que "...U.S. military attachés and advisers encouraged and coordinated the plotting by factions of the Brazilian military of a coup d?etat"[59] e que os EUA mantiveram uma força naval stand-by para auxiliar os militares golpistas na eventualidade de que viessem a sofrer reveses[60]. Outrossim Ruth Leacock, historiadora, publicou em 1990 outra excelente obra ? Requiem for Revolution ? The United States and Brazil, 1961-1969, na qual, reproduzindo vivamente o clima político do Brasil, no início dos anos 60, ressaltou que Vernon Walter assistiu, pela televisão, no apartamento de Ipanema do general Humberto Castello Branco, ao comício da Central do Brasil, em 13 de março de 1964. Aliás, W. Michael Weis, em sua importante obra Cold Warriors & Coups d?Etat ? Brazilian-American Relations, 1945-1964, lançada em 1993, observou que Lincoln Gordon retornou de Washington (logo após 20 de março) para ajudar os conspiradores, cujos esforços se somavam em torno da liderança do general Humberto Castello Branco, "a close friend of Walter?s"[61]. Tais obras agora me serviram na revisão de O Governo João Goulart, permitindo-me confirmar e/ou enriquecer o que já havia escrito em 1976/1977. Ao contrário do que ocorreu nos EUA, os livros acadêmicos publicados no Brasil, depois do lançamento de O Governo João Goulart, em 1977, não aportaram maior contribuição documental ao estudo do golpe de estado de 1964, com exceção de 1964 ? A Conquista do Estado ? Ação Política, Poder e Golpe de Classe[62], em que René Armand Dreifuss, com farta documentação, aprofundou o estudo sobre o papel do empresariado na campanha para a derrubada do Governo João Goulart, e de Dossiê Brasil ? As histórias por trás da História recente do País[63], de Geneton Moraes Neto, de caráter mais jornalístico, mas com base em pesquisa feita, sobretudo, nos arquivos da Grã-Bretanha. As memórias publicadas por diversos personagens, contemporâneos daqueles acontecimentos, valeram, no entanto, como preciosa fonte de informações, no trabalho de revisão e ampliação desta obra, que espero venha a servir como testemunho para que as novas e futuras gerações possam julgar historicamente João Goulart e seu governo, assim como o papel daqueles que, articulados com uma potência estrangeira, conspiraram e deram o golpe de estado de 1964, possibilitando a instalação do regime autoritário no Brasil. __________ * Texto originalmente escrito como prefácio à sétima edição de "O Governo João Goulart: As Lutas Sociais no Brasil ? 1961-1964", publicado pelas editoras da UnB e Revan, em 2001. [1] Ash, Timothy Garton ? The Magic Lantern ? The Revolution of ?89 witnessed in Warsaw, Budapest, Berlin and Prague, New York, Vintage Books, 1999, p. 22. [2] Moniz Bandeira, L. A. ? O 24 de agosto de Jânio Quadros, Rio de Janeiro, Editora Melso, 1961, p. 11. [3] Quadros, Jânio e Melo Franco, Afonso Arinos ? História do Povo Brasileiro, São Paulo. J. Quadros Editores Culturais S.A., 1967, vol. VI. pp. 236 a 246. Ver também Moniz Bandeira, L. A. ? O 24 de Agosto de Jânio Quadros, Rio de Janeiro, Editora Melso, 1961. [4] Entrevista do almirante Sílvio Heck ao Autor, Rio de Janeiro, 11-11-1976. [5] Moniz Bandeira, L. A. - 0 Caminho da Revolução Brasileira, Rio de Janeiro, Editora Melso, 1962, p. 13. [6] Id., ibid., pp. 33 e 34 [7] Id., ibid., p.170. [8] Id., ibid., p. 170. [9] Engels, Friedrich - ?Einleitung zu Karl Marx? Klassenkämpfe in Frankreich 1848 bis 1850? ? 1895, in Marx & Engels, Werke, Band 22, p. 525. [10] Moniz Bandeira, 1962, p. 164 e 165. [11] Gorender, Jacob ? Combate nas Trevas ? A esquerda brasileira: das ilusões perdidas à luta armada, São Paulo, Editora Ática, 1987, p. 50. [12] Moniz Bandeira, 1962, p. 165. [13] Apesar de termos uma orientação política diferente, Mário Alves, que morreu sob torturas durante o regime militar, manteve sempre um bom entendimento pessoal comigo, uma vez que ele era baiano, como eu, e tínhamos um relacionamento de família. Seu tio, Raúl Alves, fora secretário do meu tio, Antônio Ferrão Moniz de Aragão, governador da Bahia, no período de 1915 e 1920. [14] Quando eu era menino, nos anos 40, as pessoas costumavam comemorar o 1° de abril como o dia da mentira. Alguém inventava uma história, ou brincadeira, e se o outro cria, gritava-se: ?Primeiro de abril?. Esta tradição é ainda muito forte, em alguns países da Europa, como a Grã-Bretanha. Quando morava em Londres, em 1978, o Financial Times publicou, no dia 1° de abril, uma página inteira sobre determinado país na África e não faltou quem se apresentasse como seu agente comercial, ou quem quisesse fazer negócios com ele. Porém, o país não existia. Tratava-se de uma brincadeira de 1° de abril, promovida, aliás, por um jornal da maior seriedade. Esta tradição, ao que parece, está a desaparecer no Brasil, mas em 1964, o costume de fazer brincadeiras e enganar o próximo continuava viva. Por esta razão os militares resolveram comemorar o golpe de estado de 1° de abril como "Revolução de 31 de março", com o que acentuaram ainda mais a mentira. [15] Eu fui diretor da revista Política Operária, órgão teórico, que no início de 1964 se converteu em jornal. [16] Moniz Bandeira, L. A. ? O Caminho da Revolução Brasileira, pp. 178-179. [17] Id., ibid., p. 182. [18] IPM n° 8.216-65 ? 1a. Auditoria de Marinha - GB ? Fls. 97/100 ? Arnaldo de Assis Mourthé ? Depoimento prestado em 2.9.1964. AA. [19] IPM n° 8,216-65 ? 1a. Auditoria de Marinha ? GB ? Fls. 120/123 ? Rui Mauro de Araújo Marini ? Depoimento prestado em 3.9.1964. AA. [20] Stepan, Alfred ? Military in Politics ? Changing Petterns in Brazil, New Jersey, Princeton University Press, 1971, p. 223. [21] Relações Brasil-EUA no Contexto da Globalização ? Rivalidade Emergente, vol. II, 2a. edição revista e ampliada, São Paulo, Editora SENAC/São Paulo, p. 87. [22] Em junho de 1965, eu fora também indiciado em outro IPM instaurado para apurar atividades subversivas de brasileiros asilados no Uruguai. No relatório fui apontado como ?um dos principais colaboradores de Leonel Brizola? e enquadrado, juntamente com outros, nas penas da Lei de Segurança Nacional e do Código Penal Militar. Os autos do inquérito foram remetidos ao comandante do III Exército (Rio Grande do Sul), mas não teve desdobramento. [23] Justiça Militar ? Primeira Auditoria da Marinha ? Edital de Citação, in Diário Oficial, Parte III, 16.6.1966, pp. 7850-7853. [24] Moniz Bandeira, L. A. et alt. ? O Ano Vermelho ? A Revolução Russa e seus Reflexos no Brasil, Rio de Janeiro, Civilização Brasileira, 1967. [25] Byron, George Gordon, sixth Lord ? Don Juan, Canto the Eleventh, XC, in Poems, vol. III, London, J. M. Dent & Sons Ltd, p. 346. [26] Moniz Bandeira, L. A. ? Cartéis e Desnacionalização ? A Experiência Brasileira: 1964-1974, Rio de Janeiro, Civilização Brasileira, 1975. [27] Prefácio ? AA. [28] ?Conversa a quatro. Darcy Ribeiro, Raul Riff, Moniz Bandeira e José Gomes Talarico conversaram na noite de 27 de janeiro de 1976 no restaurante Madison, em Copacabana. No dia seguinte, toda a conversa estava no SNI, pelo informe 487, que girava em torno do livro sobre Jango. Havia um besouro infiltrado, ou talvez escondido debaixo da mesa do restaurante. Quem??. Baffa, Ayrton - Nos Porões do SNI - O Retrato do Monstro de Cabeça Oca - Rio de Janeiro, Editora Objetiva, 1989, p. 103. [29] Os líderes do Partido Social-Democrático (PSD) em Minas Gerais sempre se caracterizaram por sua enorme capacidade de superar situações difíceis, mediante fórmula de compromisso e conciliação. [30] Vide Capítulo XV. [31] Muito tempo depois, nos anos 80, fui a Porto Alegre e, almoçando na casa de João Vicente Goulart, ele me mostrou a documentação que estaria no baú e que depois ele encontrou. Entretanto, em 1995, eu pretendi escrever a biografia de Goulart, por sugestão inclusive de sua viúva, Maria Tereza Goulart e de sua filha, Denise, mas só poucos documentos, sem maior importância, foram encontrados. Denise e João Vicente Goulart informaram que haviam emprestado os papéis a Beatriz Bandeira, viúva de Raul Ryff, esta, porém, alegou que havia tudo devolvido. Depois, como vim residir na Alemanha, desliguei-me do assunto, pois diante das dificuldades tive de postergar aquele propósito para dedicar-me a outros projetos, entre os quais concluir a obra De Marti a Fidel ? A Revolução Cubana e a América Latina (Rio de Janeiro, Civilização Brasileira, 1998) e a pesquisa para O Feudo ? A Casa da Torre de Garcia d?Ávila: da conquista dos sertões à independência do Brasil (Rio de Janeiro, Civilização Brasileira, 2000). [32] Parte da nota do general Sílvio Frota transcrita in Abreu, Hugo ? O outro lado do poder, Rio de Janeiro, Editora Nova Fronteira, 1979, pp. 141-142. [33] O senador Wilson Ferreira Aldunate estava em Buenos Aires, quando o senador Zelmar Michelini e o deputado Héctor Gutiérrez Ruiz, também uruguaios, foram assassinados em maio de 1976, e ele também seria executado. O jornalista brasileiro Flávio Tavares, que também estava lá exilado, soube-o, porém, e procurou Ferreira Aldunate, esperando na porta de onde morava, para o levar diretamente à Embaixada da Grã-Bretanha. [34] No fim da tarde do dia 15 de setembro, quinta-feira, Brizola tomou conhecimento do decreto de expulsão, que lhe dava o prazo para deixar o Uruguai até o pôr do sol do dia 21. [35] O Defense Intelligence Agency (DIA), serviço de inteligência do Exército norte-americano, recentemente desclassificou a mais completa versão sobre a Operação Condor. O fato de que o Pentágono estava interessado na Operação Condor, em 1976, era relevante para a rede de comunicações que foi estabelecida e facilitada pelos EUA. As Special Operations Forces do Pentágono forneceram freqüentemente oficiais à CIA, durante a Guerra do Vietnã, particularmente para missões especiais. Este tipo de acordo só mais tarde ocorreu na América Latina. O texto do telegrama do attaché legal do FBI em Buenos Aires, Robert Scherrer, datado de 28 de setembro de 1976 e desclassificado pelo DIA, por solicitação do National Security Archive, da George Washington University, é o seguinte: ?This IR (Information Report) on joint counter insurgency operations by several countries in South America. Information was provided by US Embassy Legal Attaché who has excellent contacts within the State Secretariat for Information and Federal Policie Forces. This IR partially fulfills requirement of ICE A-TAC-44-396. On September 28, 1976, a confidential source abroad provided the following information: Operation Condor is the code name for the collection, exchange and storage of intelligence data concerning so called "leftists," communists and Marxists, which was recently established between cooperating intelligence services in South America in order to eliminate Marxist terrorist activities in the area. In addition, Operation Condor provides for joint operations against terrorist targets in member countries of Operation Condor. Chile is the center for Operation Condor and in addition to Chile its members include Argentina, Bolivia, Paraguay, and Uruguay. Brazil also has tentatively agreed to supply intelligence input for Operation Condor. Members of Operation Condor showing the most enthusiasm to date have been Argentina, Uruguay and Chile. The latter three countries have engaged in joint operations, primarily in Argentina, against the terrorist target. During the week of September 20, 1976, the Director of the Argentine Army Intelligence Services traveled to Santiago to consult his Chilean counterparts on Operation Condor. (This travel is similar to trip reported in IR b 804 039 76) with respect to Operation Condor. During the period of 24-27 September 1976, members of the Argentine State Secretariat for Information (SIDE), operating with officers of Uruguayan Military Intelligence Service carried out operation against the Uruguayan Terrorist organization , the OPR-33 in Buenos Aires. As result of this joint operation, SIDE officials claimed that the entire OPR-33 infrastructure in Argentina has been eliminated. A large volume of US currency was seized during the combined operation. A third and most secret phase of Operation Condor involves the formation of special teams from member countries who are to travel anywhere in the world to non-member countries to carry out sanctions up to assassination against terrorists or supporters of terrorist organizations from Operation Condor member countries. For example, should a terrorist or a supporter of a terrorist organization from a member country of Operation Condor be located in a European country, a special team from Operation Condor would be dispatched to locate and surveillance the target. When the location and surveillance operation has terminated, a second team from Operation Condor would be dispatched to carry out the actual sanction against the target. Special teams would be issued false documentation from member countries of Operation Condor and may be composed exclusively of individuals from one member nation of Operation Condor or may be composed [of a] mixed group from various "Operation Condor" member nations. European countries, specifically mentioned for possible operations under the third phase of Operation Condor were France and Portugal. A special team has been organized in Argentina participating in Operation Condor. They are members of the Argentine Army Intelligence Service and State Secretariat for Information. They are reportedly structured mike like a US Special Force Team with a medic (doctor), demolition expert etc. They are apparently being prepared for action under the third phase of Operation Condor. [três linhas suprimidas] coordinated locally. It should be noted that no information has been developed indicating that sanctions under the third phase of Operation Condor have been planned to be carried out in the United States; however, it is not beyond the realm of possibility that the recent assassination of Orlando Letelier in Washington, D.C. may have been carried out as a third phase action of Operation Condor. As noted above, information available [from] the source indicates that particular emphasis was placed on the third phase actions of Operation Condor in Europe, specifically France and Portugal. This office will remain alert for any information indicating that the assassination of Letelier may be [part] of Operation Condor action.? http://www.pir.org/foia/con01p01gif, p02, p03, p04, http://www.pir.org/foia/con1ap1.gif, ap2 . [36] O general Carlos Prats, que servira ao governo de Salvador Allende, foi assassinado em setembro de 1974, em Buenos Aires. Segundo os depoimentos prestados nos EUA, a bomba foi colocada pelo norte-americano Michael Townley, ex-agente tanto da DINA como da CIA. [37] O raio de ação da Operação Condor não se restringiria à América Latina. A terceira fase e a mais secreta da Operação Condor, segundo o documento desclassificado pelo Defense Intelligence Agency (DIA), do Exército norte-americano, consistiu em formar equipes especiais dos países membros a fim de que viajassem por todo o mundo e executassem sanções, que incluíam até assassinatos, contra supostos terroristas ou que apoiassem suas organizações, ou seja, contra adversários políticos dos regimes militares instalados no Cone Sul. Se um adversário político ou um que apoiasse a organização política adversa estivesse na Europa, uma equipe especial da Operação Condor seria enviada para o localizar e vigiá-lo. Quando culminasse a localização e a vigilância, uma segunda equipe de Operação Condor seria enviada para aplicar a sanção efetiva contra aquele adversário. Em teoria, um país proveria de documentação falsa a equipo de assassinos, formada por agentes de um outro país. O assassinato de Letelier pode haver sido obra de uma terceira fase de Operação Condor. [38] State Department Cable, U.S. Ambassador Robert White (Paraguay) to Secretary of State Cyrus Vance, Subject: Second Meeting with Chief of Staff re Letelier Case, October 20, 1978, Confidential. Esse telegrama foi descoberto pelo professor J. Patrice McSherry, da Universidade de Long Island, e publicado pelo New York Times, de 6 de março de 2001. O embaixador Robert White relata a conversação com o general Alejandro Fretes Davalos, chefe do Estado-Maior das Forças Armadas do Paraguai, que lhe informou que todos os chefes dos serviços de inteligência dos países da América do Sul na Operação Condor mantinham-se em contacto um com o outro através das instalações de comunicação dos EUA na Zona do Canal do Panama Zone que cobriam toda a América Latina. Essas instalações eram empregadas para coordenar as informações de inteligência nos países do Cone Sul. http://www.gwu.edu/-nsarchiv/mews/20010306/ [39] Entrevista de José Gomes Talarico ao Autor, março 2001. Em 1977, o uruguaio Enrique Foch Diaz, que vendera a Goulart estância El Milagro, em Maldonaldo, denunciou que sua morte resultara de um ato criminoso. Segundo José Gomes Talarico, um ?fato sumamente grave que não se apurou: quem remetia os remédios de Buenos Aires para Corrientes?. Nas investigações efetuadas por uma comissão da Câmara Federal, em 2000, o capataz da fazenda de Mercedes, que na noite de 5 de dezembro foi o último a ver João Goulart, declarou que um homem lá estivera, declarando-se seu amigo, e pediu-lhe para apanhar os remédios que ele tomava . Sem atinar para o que fazia, ele entregou os remédios a essa pessoa, cujo nome não sabia. [40] A íntegra da carta que supostamente o coronel Manuel Contreras Sepúlveda, chefe da DINA, dirigira ao general João Batista Figueiredo, chefe do SNI, é a seguinte: ?Distinguído señor General: He recibido su envío del 21 de agosto de 1975 y al agradecerle su oportuna y preciosa información me es grato expresarle mi satisfacción por su colaboracíon que debemos estrechar aún más. En respuesta cumplo em comunicarle lo seguinte: Comparto su preocupación por el posible triunfo del Partido Demócrata en las próximas elecciones presidenciales en los EUA. También tenemos conocimiento del reiterado apoyo de los demócratas a Kubitschek y Letelier, lo que en el futuro podría influenciar seriamente en la estabilidad del Cono Sur de nuestro hemisferio. 2) El plan propuesto por Ud. para coordinar nuestra acción contra ciertas autoridades eclesiásticas y conocidos político aocialdemócratas y demócratascristianos de América Latina y Europa cuenta con nuestro decidido apoyo. 3) Su información sobre Guyana y jamaica es de indudable importancia para esta Dirección. Por creerlo de interés para Ud. le comunico que ultimamente el Gobierno de Chile tomó la decisión de liberar un grupo de presos que serán expulsados a países europeus. Le transmitiremos, a medida que nos vaya llegando, la información relativa a la actividad política de estos liberados y sus eventuales contactos con la emigración brasileña. Lo saluada my atentamente. A) Manuel Contreras Sepulveda, coronel, Director de Inteligencia Nacional. AA. [41] ?O ex-governador Miguel Arraes conta uma história que a princípio parecia fantasiosa. Ele estava em sua casa, na Argélia, no ano de 1976, quando apareceram três pessoas pedindo uma conversa reservada. Um era agente do serviço secreto argelino e os dois outros pertenciam ao equivalente cubano. Eles levaram a informação de que as agências de informação dos países do Cone Sul estavam se organizando, junto com a célebre Central Intelligence Agency (CIA) para matar os principais líderes políticos do continente. Ninguém citou nomes, nem elaborou listas dos possíveis visados. A informação foi transmitida ao Brasil. Logo em seguida, no entanto, um senador foi assassinado na Argentina e Juscelino Kubitschek morreu no acidente na Via Dutra, rodovia que liga o Rio a São Paulo. A Comissão Especial de deputados que investiga a morte de JK concluiu que o acidente com o ex-presidente foi uma fatalidade. Mas descobriu que a Operação Condor, de fato, existiu? Stumpf, André Gustavo - ?Ação do Mercosul do terror?, Brasília, Correio Brazliense, 24.1.2001. De fato, a comissão externa, presidida pelo deputado Paulo Octavio Alves Pereira concluiu que o acidente que matou Kubitschek foi uma fatalidade e que a Operação Condor e que nenhuma relação teve com a Operação Condor. [42] Relatório do deputado Osmani Pereira (PMDB-MG) ? 8a. Reunião da Comissão Externa ? Morte do ex-presidente Juscelino Kubitschek. N° 00189/00. Câmara dos Deputados. [43] Carta de Ênio Silveira ao Autor, Rio de Janeiro, 17.1.1978. AA. [44] Gordon, Lincoln - Brazil?s Second Chance: En Route toward the First World, Washington, Brookings, 2001, pp. 68. [45] Id., ibid., pp. 66. [46] Text of State Department telegram 1296 to American Embassy, Rio de Janeiro, dated March 30, 1964, 9:52 p.m. (Washington time), in Gordon, op. cit., pp. 68-70. [47] Id., ibid., p. 69. [48] ?Rusk continued by reading a long draft telegram to me, noteworthy for ist emphasis on the need of legitimacy in any anti-Goulart movement to wich we might provide military support?. Id., ibid., p. 68. [49] ?As confissões de Lacerda,? in Jornal da Tarde, São Paulo, 6-6-1977, p. 20. [50] A pesquisa, financiada pela Friedrich Ebert Stiftung, do Partido Social-Democrata da Alemanha, resultou no livro A Reunificação da Alemanha ? Do ideal socialista ao socialismo real, cuja segunda edição revista, ampliada e atualizada saiu em 2001 pela Editora da Universidade de Brasília ? Editora Global. [51] Walters, Vernon A. ? Silent Missions, New York, Doubleday & Company, 1978, pp. 374-388. [52] Id., ibid., pp. 382-383. [53] Black, Jan K. - Black, Jan Knippers ? United States Penetration of Brazil, Pennsylvania, University of Pennsylvania Press, 1977. [54] Walters, Vernon A. ? Silent Missions, New York, Doubleday & Company, 1978, p. 378. [55] Id., ibid., p. 364. [56] Parker, Phyllis R. ? 1964 ? O Papel dos EUA no Golpe de Estado de 31 de Março, Rio de Janeiro, Civilização Brasileira, 1977. [57] Black, Jan K. - Black, Jan Knippers ? United States Penetration of Brazil, Pennsylvania, University of Pennsylvania Press, 1977. Black, Jan K. - Black, Jan Knippers ? United States Penetration of Brazil, Pennsylvania, University of Pennsylvania Press, 1977. [58] Id., ibid., p. 43. [59] Back, Jan K. - Sentinels of Empire ? The United States and Latin American Militarism, New York, Greenwood Press, 1986, p. 43. [60] Id., ibid., p. 43. [61] Weis, W. Michael ? Cold Warriors & Coups d?Etat ? Brazilian-American Relations, 1945-1964, New Mexico, University of New York Press, 1993, p. 167. [62] Dreifuss, René Armand ? 1964 ? A Conquista do Estado ? Ação Política, Poder e Golpe de Classe, Petrópolis, Vozes, 2a. edição, 1981. [63] Moraes Neto, Geneton ? Dossiê Brasil ? As histórias por trás da História recente do País, Rio de Janeiro, Editora Objetiva, 1997.  | Apareceu mais um comuna vagabundo para eu surrar. Tá legal, vamos desmontar por A + B, como de costume: DIZ ELE: "Mas digamos que a tradução do informe esteja correta, tuas críticas ainda assim estão prenhes de boa-vontado com os teus Amos nortenhos". DIGO NORTON: Para início de conversa, meu único Amo é o povo brasileiro, a quem sempre protegerei do comunismo e de quaisquer inimigos, inclusive contra potências estrangeiras, para as quais não tenho nenhuma boa vontade. Aliás, tenho lutado quase sozinho diante da campanha aqui no CMI para tomar Roraima do Brasil, enquanto os comunistas têm silenciado vergonhosamente. A única vez em que um comuna bem conhecido se manifestou foi para apoiar o projeto da USAID na Amazônia. Tenho lutado contra essa gentalha quase sozinho e desmascarado os estrangeiros com fontes que eles mesmos disponibilizam, os sites das ONGS e do governo americano. Basta ver meus posts em: http://www.midiaindependente.org/pt/blue/2008/05/419442.shtml http://www.midiaindependente.org/pt/blue/2008/05/419466.shtml http://www.midiaindependente.org/pt/blue/2008/05/419420.shtml http://www.midiaindependente.org/pt/blue/2008/05/419380.shtml http://www.midiaindependente.org/pt/blue/2008/05/419407.shtml Enquanto lidero esse combate solitário, vocês se mantêm no mais cúmplice silêncio, compreensível, pois são mercenários apátridas, que ora se deixam seduzir pela cocaína das FARC, ora pelas propostas de "cooperação" da USAID (Agência Governamental dos EUA para o Desenvolvimento Internacional), esperando ver quem paga mais. DIZ NORTON: "Fica claro ali de que lado eles estiveram. Chamam a ditadura por eles logisticamente planejada e monitorada de 'rebelião democrática'! Isso mostra que eles de forma alguma estiveram neutros. Mas como sabemos, existem várias outras provas do plano intervencionista". DIGO EU: Interessava ao povo brasileiro evitar que o País se tornasse uma ditadura comunista. Se isso interessava aos EUA também, estou pouco me importanto, assim como pouco se importavam os conspiradores daquela época que brecaram a revolução vermelha. Não quero saber a opinião de estrangeiros sobre tema de competência exclusiva da soberania nacional. Em segundo lugar, você mente descaradamente ao dizer que os americanos "planejaram logisticamente" a ditadura. Como já demonstrei acima, eles não planejaram merda nenhuma. A Contra-Revolução foi planejada por brasileiros, e sobre isso há vastas documentações dos participantes, começando pelos livros de memórias. E aliás não era um grupo conspirador, eram vários (um no RJ, outro em MG e outro no Nordeste), sem comunicação entre si e que marcaram datas diferentes para o levante, como admitiu o próprio Curioso num post que destrocei ontem. Além disso, também não foi "planejada" uma "ditadura", pois poucos imaginavam que duraria 21 anos, como disse o Willian R. lá encima, tanto é que muitos líderes civis que haviam apoiado o Movimento se voltaram depois contra os militares após vê-los se perpetuarem no poder - começando pela imprensa, além de Carlos Lacerda e Adhemar de Barros. Em 1964, somente um conseguiu prever o que ocorreria: o jornalista Assis Chateubriand. Quando lhe indagaram em quem ele votaria quando os militares convocassem as eleições presidenciais de 1966, ele respondeu: "Não vou votar em ninguém, pois as Forças Armadas chegaram para ficar 20 anos no poder". O entrevistador riu dele. Anos mais tarde, a previsão se confirmou. Passo à última frase: "existem várias provas do plano intervencionista". Acontece que o plano foi CANCELADO quando a frota americana ainda estava no Caribe e ainda levaria 10 dias para chegar ao Brasil, de modo que isso não interferiu no curso dos acontecimentos. Ora, já é difícil influir no curso dos acontecimentos quando você FAZ ALGO, mas interferir no curso dos acontecimentos SEM FAZER NADA é algo que sequer os deuses conseguem. Responda-me como os americanos conseguiriam influir nos acontecimentos sem fazer nada. DIZ NORTON: "Existem também evidências interssantes do tipo: multinacionais tiveram que pagar mais impostos devido ao decreto de João Goulart. uma das primeiras medidas da ditadura foi anular o tal decreto, de modo que as multinacionais pudessem continuar o saqueio dos recursos do povo brasileiro". DIGO EU: Mentira! No tocante ao controle da remessa de lucros do capital estrangeiro e outras políticas relacionadas às multinacionais, também não mudou muita coisa durante o período militar. Tanto é que, após flexibilizar a Lei de Remessas de Lucros em 1964, Castelo Branco se assustou com a sangria de capitais e resolveu conter a deterioração das contas externas endurecendo a legislação novamente em 1965, do que resultou a Lei n° 4.390 de 1965, que instituiu o Imposto Suplementar Sobre Remessas de Lucros. Não gosto do Castelo, pois era quase um liberal em matéria de economia, muito pró-americano e molenga para combater a subversão. Ele baixou essa lei menos por patriotismo e mais para evitar que a sangria de dólares comprometesse todo o programa de saneamento econômico, o tal do PAEG. Ou seja, em menos de um ano, trocou seis por meia dúzia e a questão das remessas ficou na mesma. Nos governos seguintes, mais nacionalistas, aí sim vieram outras leis para enquadrar melhor o capital estrangeiro e favorecer a empresa nacional. Em 1967, uma instrução do Banco Central determinou que ao menos 50% dos empréstimos bancários a pessoas jurídicas fossem destinados a empresas nacionais. No mesmo ano veio a Lei de Fretes, que reservava 40% do nosso comércio exterior a companhias brasileiras de navegação. Segundo o historiador e professor da UFRGS (esquerdista p/variar) Paulo Vizentini: "Politicamente, o Estado passou gradativamente de uma posição de subordinação barganhada em relação às multinacionais para uma postura de negociação ativa e, inclusive, de antagonismos localizados (...). Assim, retomou-se o desenvolvimento econômico, que atingiu um crescimento de 4,8% do PIB em 1967 e 9,3% em 1968, enquanto a inflação caía para 23% ao ano em 1967". (Fonte: VIZENTINI, Paulo Fagundes. "A política externa do Regime Militar". São Paulo: Ed. USP, 2001) A reformulação do papel a ser desempenhado pelo capital estrangeiro surgiu de forma mais clara no setor de minérios, quando o governo decidiu anular concessões feitas pela administração anterior. Esta última já havia se deparado em 1964 com a oposição do general Peri Bevilaqua, então chefe do EMFA, que em novembro daquele ano contestou a Lei n° 4.509/64, cujas disposições, a seu ver, "abriam a Estados estrangeiros a possibilidade de participar de uma indústria de base, de alto interesse para a Segurança Nacional". Isto porque com a referida lei o Marechal Castelo Branco autorizara pessoas físicas e jurídicas estrangeiras a adquirir ações da SIDESC - empresa estatal voltada para a exploração das reservas de carvão de Santa Catarina. Determinado a reverter as diretrizes de seu antecessor, o Marechal Costa e Silva sancionou em 12 de janeiro de 1969 o Decreto n° 62.113, por meio do qual criou uma Junta Deliberativa encarregada de estabelecer as medidas indispensáveis à nacionalização completa do complexo carbonífero de Santa Catarina. Sete meses depois, assinou o Decreto-Lei n° 764, constituindo a Companhia de Pesquisa de Recursos Minerais, firma estatal destinada a estimular o descobrimento e intensificar o aproveitamento dos recursos do País. Além disso, os minérios nucleares passaram a ser objeto de especial proteção: em 13 de setembro de 1967, o Presidente subscreveu o Decreto-Lei n° 330/67, restabelecendo o dispositivo que exigia dos exportadores de minerais a devolução dos elementos nucleares associados aos materiais exportados. Com isso, o governo revogou parte do Decreto-Lei nº 227/67 - baixado no último mês do governo Castelo Branco -, restaurando a vigência do art. 33 da Lei n° 4.119/62. Eu poderia citar outros exemplos além dos de cima aí, mas eles estão todos MINUCIOSAMENTE detalhados no meu artigo transcrito no post das 00:55 horas em: http://brasil.indymedia.org/pt/blue/2008/03/414879.shtml DIZ NORTON: "Não foi por acaso que a dívida externa aumentou de dois e meio bilhões de dólares para mais de 120 bilhões de dólares" DIGO EU: A crise da dívida externa em 1982 não atingiu apenas o Brasil, mas todos os países do Terceiro Mundo, principalmente Argentina, México e Venezuela - cabendo ressaltar que estes dois últimos não eram regimes militares. Basicamente, nos anos 70 esses países aproveitaram o excesso de liquidez no mercado de crédito internacional para contrair empréstimos a juros baixos (na época 6% a 7% ao ano), com o pequeno detalhe de que eram juros flutuantes. Em 1982, após o advento do governo Reagan (durante o qual o Federal Reserve ampliou a taxa básica de juros para atrair capitais e fechar as contas externas dos EUA), veio o efeito-dominó e os bancos internacionais aumentaram os juros para 21% ao ano, implodindo as contas dos países que apostaram numa eterna bonança de crédito externo. Isso vale tanto para os bancos internacionais privados como para os públicos (FMI, BID, BIRD, etc). O caso brasileiro merece análise detida. Então vamos a ela. Quando examinamos os primeiros dez anos do Regime Militar (1964-1974), verifica-se logo de cara quão falaciosas são teses que relacionam "milagre econômico" com "endividamento externo", pois a relação dívida/PIB caiu de 12% para 9% no período. Em 1964 tínhamos uma dívida de US$ 4 bilhões para um PIB de US$ 36 bilhões, ao passo que em 1974 tínhamos uma dívida de US$ 12 bilhões para um PIB de US$ 133 bilhões (dados do IBGE e da FGV). Essa queda esteve particularmente vinculada ao seguinte quadro descrito pelo Prof. Luís Aranha Correa Lago: "A combinação de uma rápida expansão da dívida externa e de um forte crescimento do PIB não caracterizou, necessariamente, um caso de crescimento liderado por dívida externa (...). Entre 1967 e 1973, a absorção líquida de recursos reais do exterior correspondeu a apenas 0,8% do PIB. Em outras palavras, ainda que a entrada de recursos externos tenha contribuído para a taxa de investimento, esta foi financiada predominantemente por recursos internos. Entre 1967 e 1973, a diferença entre o PIB e o consumo interno correspondeu a 96% da formação bruta de capital, enquanto o saldo comercial representou apenas 4% de formação de capital total. Nesse contexto, e diante do desempenho favorável das demais contas externas, o crescente endividamento levava, portanto, a um sistemático crescimento das reservas internacionais do País, nem sempre controlado pelas autoridades econômicas". (Fonte: LAGO, Luís Aranha Correa. "A retomada do crescimento e as distorções do milagre". In: ABREU, Marcelo Paiva (Org.). "A ordem do progresso: cem anos de política econômica republicana". Rio de Janeiro: Ed. Campus, 1992, p. 279.) Portanto, logo de cara se verifica quão furada é a tese que associa o milagre econômico ao endividamento externo, pois este último caiu proporcionalmente ao PIB no decênio 1964-1974. O vertiginoso crescimento econômico de 1967-1973 foi um fenômeno impulsionado predominantemente por recursos internos, primeiro porque havia grande capacidade ociosa da indústria - decorrente da estagnação no período 1962-1967 - e depois porque a expansão da demanda externa posteriormente estimulou investimentos na ampliação da capacidade instalada para ampliar as exportações, ao lado da expansão do mercado interno - ainda que ela ocorresse de forma estratificada -, a qual simultaneamente estimulou investimentos na capacidade instalada para substituir importações, pois o protecionismo impedia que a demanda interna por bens de consumo fosse suprida via compras do exterior. A isso tudo se somavam os subsídios concedidos pelo governo. Convém notar ainda que nesse período (1964-1974) a dívida externa era predominantemente privada (apenas 25% dela era do Estado). A Resolução nº 63, expedida em 23/08/1967 pelo Conselho Monetário Nacional, autorizou os bancos a captarem empréstimos externos destinados a repasse às empresas no País. Essa resolução, evidentemente, permitiu às empresas brasileiras correrem para essa nova fonte de recursos, atraídas sobretudo pelos juros internacionais de 6% ao ano. Mesmo assim esse tema já era objeto de controvérsia dentro do governo. Enquanto o Ministro da Fazenda, Delfim Neto, estimulava o recurso a créditos no estrangeiro para acelerar a capitalização do setor privado e complementar a poupança nacional a juros convidativos, o Presidente Médici via com ressalvas o crescente endividamento externo e tentou esfriar o afluxo de capital: em 1972, o general proibiu todo empréstimo de prazo inferior a seis anos, determinando ainda que 25% do respectivo valor fosse depositado em bancos brasileiros, percentual que foi elevado para 40% no ano seguinte (Fonte: DROSDOFF, Daniel. "Linha-dura no Brasil". São Paulo: Ed. Ática, 1991, p. 41.). Todavia, essas medidas surtiram pouco do efeito desejado. Note que até agora usei como fonte de citação dois autores de esquerda: Luís Aranha Correa Lago, um economista cepalino, e Daniel Drosdoff, jornalista que escreveu um livro-denúncia contra a ditadura. Então vamos adiante. Com o 1° choque do petróleo, em 1973, veio o primeiro abalo, embora o País tenha sido capaz de absorvê-lo inicialmente. A elevação abrupta nos preços internacionais do petróleo fez com que este produto, que em 1972 representava apenas 8% das importações brasileiras, passasse a responder por 40% das importações, o que levou a uma rápida queima das reservas acumuladas no período do "milagre econômico". Nesse sentido, é oportuno transcrever a explicação do historiador Paulo Vizentini: "O aumento vertiginoso do preço do petróleo no final de 1973 atingiu o Brasil em cheio, não apenas em sua balança comercial, mas no próprio cerne do modelo de desenvolvimento. Apesar de Geisel haver herdado um PIB de U$ 133 bilhões, uma inflação de anual de 18% e uma dívida externa de apenas U$ 12 bilhões, o 'milagre' legara-lhe problemas estruturais, pois esse apostara num modelo que empregava energia importada barata. Além do aumento do preço do petróleo ter encarecido as importações brasileiras, produzia uma forte recessão nos países industrializados, o que gerou uma queda nas importações de produtos brasileiros por parte desses países, bem como de países em desenvolvimento não produtores de petróleo" (Fonte: VIZENTINI, Paulo Fagundes. "A política externa do Regime Militar Brasileiro". São Paulo: Ed. Universidade de São Paulo, 2001, p. 198). O progressivo esgotamento das reservas do País e a necessidade de continuar importando petróleo para sustentar o ritmo de crescimento econômico conduziu à necessidade de aumentar as exportações e gerar superávits comerciais para cobrir as importações de petróleo. Em resposta a esse cenário, o governo Geisel lançou o II PND (Plano Nacional de Desenvolvimento), cujas linhas gerais são descritas por Vizentini abaixo: "O II Plano Nacional de Desenvolvimento, lançado por Geisel em 1974, longe de adotar uma estratégia defensiva, preparou um aprofundamento do processo de industrialização por substituição das importações, com vistas a tornar o País auto-suficiente em insumos básicos e, se possível, em energia. O governo optou por diversificar as fontes de energia, lançando um ambicioso programa de construção de hidrelétricas, usinas nucleares, incremento da prospecção de petróleo e produção de álcool para combustível automobilístico (Programa Pró-álcool). Além disso, foi intensificada a capacitação tecnológica do País em diversas e importantes áreas, como a nascente informática e a petroquímica, com base no esforço estatal de órgãos de pesquisa militar como o CTA, o ITA, a INPE, o IME, etc. O agente desse ambicioso projeto seria o Estado, que consolidou-se como o maior agente produtivo, e possibilitou a reação econômica que o governo estava desencadeando. Embora tivesse que cortar gastos para conter a inflação, o governo manteve um crescimento econômico que oscilou entre 5% e 10% ao ano, criou 5 milhões de novos empregos e aumentou as exportações em 50%" (Fonte: VIZENTINI, Paulo Fagundes. "A política externa do Regime Militar Brasileiro". São Paulo: Ed. Universidade de São Paulo, 2001, p. 199). Com uma relativa estabilidade nos preços do petróleo entre 1973 e 1979, o governo Geisel conseguiu dar sobrevida à economia e mantê-la crescendo a uma média de 7% ao ano, embora tal média tenha sido inferior à do "milagre econômico" (12% ao ano). A diversificação das fontes de energia, a popularização de motores a álcool, assim como o aumento da produção hidrelétrica e petrolífera, permitiram reduzir sensivelmente a dependência do petróleo importado, de modo que seu peso nas importações caiu de 40% em 1974 para 30% em 1977. No que se refere ao comércio exterior, a retração do mercado norte-americano e a necessidade de gerar superávits comerciais para cobrir as importações de petróleo levaram o País a aprofundar as parcerias alternativas (Europa, Japão, América do Sul), o que já vinha sendo feito no governo anterior, e a intensificar a exploração de novos mercados (Oriente Médio, China socialista, África, etc). Com relação ao Oriente Médio, isso tornava-se particularmente urgente, dado que os árabes forneciam a maior parte do petróleo importado pelo Brasil. É nesse contexto que se insere a exportação intensiva de armas para esses países durante o período 1975-1985, que guindou o complexo industrial-militar brasileiro à posição de 5º maior do mundo. Entretanto, o II PND tinha suas fissuras. Conforme observou Vizentini, a política econômica do governo Geisel consolidou o Estado como o maior agente produtivo, ao incrementar o papel das mega-estatais (Petrobrás, Vale do Rio Doce, Eletrobrás, Telebrás, etc), criar outras 212 empresas públicas e levar a cabo diversos projetos de autonomização econômica e tecnológica do País. Porém, para empreender simultaneamente tantos e tão ambiciosos projetos, o Estado necessitava de recursos, e para isso aumentou a carga tributária (que elevou-se de 18% para 23% do PIB) e contraiu empréstimos no exterior, de forma que no período 1974-1979 a dívida externa deixou de ser predominantemente privada para se tornar predominantemente estatal. Como havia abundante liquidez no mercado financeiro internacional, com os petrodólares a juros baixos (7% ao ano), contraíram-se empréstimos que, devido à elevação brutal dos juros da dívida nos anos 80, deixariam futuramente o País em situação desesperadora. Em 1979, sobreveio o 2° choque do petróleo, que fez este insumo triplicar de preço e passar a representar 47% de nossas importações. Isso desarticulou totalmente a recuperação econômica que vinha sendo ensaiada desde 1974, tornando a balança comercial deficitária. Para finalizar, em 1981 o governo norte-americano, aproveitando-se de sua preponderância sobre o BIRD e o FMI, promoveu uma violenta elevação das taxas de juros internacionais (de 7% ao ano para 20% ao ano), tendo como um dos objetivos aumentar a dívida externa dos países do Sul e extrair recursos do Terceiro Mundo para fechar as contas de seu país, igualmente ameaçadas pelo novo choque do petróleo. Assim, a crise da dívida externa constituía um instrumento de pressão contra os países emergentes e um golpe mortal no projeto de desenvolvimento econômico do Brasil. A dívida saltou de US$ 53 bilhões, em 1979, para US$ 103 bilhões em 1982 (dados do IBGE e FGV). Portanto, grande parte desse problema não deve ser imputada ao governo militar, mas a fatores da conjuntura internacional, que tornou-se progressivamente adversa a partir dos choques do petróleo (1973 E 1979) e desesperadora após o choque dos juros (1982). Isso afetou não apenas o Brasil, mas outros países do Terceiro Mundo. Teria ocorrido com ou sem o Regime Militar. Agora, se esse problema teria sido mais ou menos grave sem o Regime Militar, é outra história. Acho que não, já que os governos civis também gostavam dessas "soluções fáceis" de pegar dinheiro lá forapara acelerar o crescimento. Tanto é verdade que o Plano Trienal elaborado pelo governo João Goulart em 1963 previa uma renegociaçãoda dívida com o FMI para obtenção de novos empréstimos - o que foi feito durante o governo Castelo Branco. Vê-se aí que não haveria muita diferença. E nunca é demais repetir: desmontei sua tese usando autores de esquerda. DIZ NORTON: "A ditadura de 64, que tu e os EUA chamam de rebelião democrática". DIGO EU: Mentira! Eu chamo de Contra-Revolução de 1964, pois foi de fato isso: uma operação de emergência destinada a sufocar a revolução comunista no País. Se os EUA chamam de rebelião ou o que quer que seja, pouco me importa a opinião de estrangeiros imundos sobre o tema. DIZ NORTON: "Os EUA batizaram o plano do golpe de 64 de Operação Brother Sam". DIGO EU: Aí a deturpação novamente! O autor usa maliciosamente a expressão "plano do golpe de 64" para passar a impressão de que duas coisas completamente separadas eram a mesma coisa. Para passar a impressão de que havia planejamento conjunto. Ora bolas: uma coisa era a destituição do governo planejada por vários grupos separados dentro do Brasil, outra coisa era o plano dos americanos para meter o bedelho caso estourasse uma guerra civil aqui. Vá ser deturpador assim na puta que te pariu, seu apátrida. AGORA VAMOS AOS FATOS QUE COMPROVAM COMO OS COMUNISTAS FORAM APÁTRIDAS/ENTREGUISTAS E O QUANTO HOUVE DE PATRIOTISMO NA CONTRA-REVOLUÇÃO DE 1964: FATO N°1: A Contra-Revolução foi provocada pela convicção, predominante em estratos cada vez mais amplos do oficialato militar, de que o País estava à beira de uma revolução comunista. Se essa percepção era correta ou se era uma paranóia dos fardados, discutirei adiante. FATO N° 2: A contribuição do governo americano para o que ocorreu em 1964 foi ZERO, pois ele não teve sequer tempo de fazer nada, embora tivesse preparado um plano de emergência (Operação Brother Sam) que ficou no papel. A tese que atribui 1964 ao "imperialismo americano" é risível para qualquer um que tenha consultado os documentos secretos liberados pela CIA desde 1976 até agora. Na noite de 31 de março, enquanto os americanos ainda discutiam quando deveriam enviar sua frota, o general Mourão Filho já estava com suas tropas na rua. A situação dos americanos me lembra um pouco a das esquerdas: foram atropelados pelos acontecimentos e não tiveram tempo de fazer nada. A frota só conseguiria chegar aqui em 10 de abril. ENTÃO VAMOS AO FATO N° 1: Em 1961-1964 as esquerdas estavam divididas quanto ao caminho a seguir para comunizar o País. Basicamente eram dois grupos: (1) Os comunistas partidários da tese "etapista", segundo a qual primeiro deveria ser feita a aliança "nacional e libertadora" com setores burgueses e inclusive nacionalistas de direita para posteriormente, após a vitória contra os "entreguistas", descartar os aliados reformistas e fazer a revolução proletária. Estavam sobretudo no PCB e no CGT. (2) Os comunistas partidários da tese "foquista", segundo a qual seria possível queimar a etapa "nacional e libertadora" partindo para a guerrilha rural nos moldes castristas e maoístas, rejeitando outras forças "progressistas". Estes últimos provinham sobretudo do PC do B (que nasceu da cisão provocada por Maurício Grabois e outros no PCB em 1962) e das Ligas Camponesas. As Ligas Camponesas nasceram no final dos anos 50 em Pernambuco sob liderança do advogado trabalhista Francisco Julião. Inicialmente elas não sofriam "contaminação" ideológica e se limitavam a lutar por direitos imediatos dos camponeses sem um conteúdo político maior, sobretudo contra a prática do "cambão", que dava coloração quase feudal às relações trabalhistas na região. De Pernambuco se espalharam pelo restante do Nordeste, fizeram sucesso, com milhares de conscritos. Após 1961 é que as Ligas Camponesas adquiriram uma conotação ideológica mais carregada, pois Francisco Julião se encantou com a Revolução Cubana, viajou a Havana com outros líderes regionais das Ligas e passou a acreditar que as Ligas seriam o instrumento de luta armada não apenas pela reforma agrária, mas pelo socialismo, etc. Enfim, o sujeito pirou e achou que poderia repetir no Brasil a "epopéia de Sierra Maestra" (diga-se de passagem que essa ilusão se repetiu em muitos países da AL). O problema é que Francisco Julião não se limitou às divagações e passou à ação, o que coincidiu com a iniciativa de Fidel de "exportar a revolução" (traduzida naquele chavão dos anos 60: "Um, dois, três, muitos Vietnãs!"). O apoio de Cuba ao projeto da luta armada começou no Brasil em fins de 1961 com a montagem de "campos de treinamento" em fazendas espalhadas no Nordeste e no Centro-Oeste. Para isso, Julião e outros líderes das Ligas contaram com o apoio de Clodomir de Morais, dissidente do PCB que discordava da tese "etapista" adotada no V Congresso do Partido, em 1960. Abro aqui um parêntese: quem conta isso é o próprio Clodomir de Morais em depoimento dado à historiadora Denise Rollemberg, petista e professora da UFRJ. Tudo está no primeiro capítulo do livro "O apoio de Cuba à luta armada no Brasil" (Ed. Mauad, 2001). Fecho parênteses. Pois bem, com Clodomir Morais deu-se início à formação dos campos de treinamento de guerrilhas no Brasil com o apoio de Cuba. O momento coincidia com o fim do governo Jânio Quadros, e o início do governo Goulart. O apoio de Cuba se concretizou na implantação desses campos, na verdade, fazendas compradas, em Goiás, Acre, Bahia e Pernambuco, formados por alguns camponeses e, em sua maioria, estudantes secundaristas e universitários vindos de Pernambuco. Apesar do fluxo constante de lideranças e militantes a Cuba, o treinamento foi dado majoritariamente no Brasil. Clodomir Morais e mais 11 membros das Ligas, alguns dissidentes do PCB, cursaram guerrilhas em Cuba entre 28 de julho e 20 de agosto de 1961, com mais 40 latino-americanos, numa viagem a pretexto de participar das comemorações do 26 de julho. Em fins de 1962, o Serviço de Repressão ao Contrabando, por acaso, desbaratou o plano de formação de um campo de treinamento das Ligas, no interior de Goiás, Dianópolis. Pensando se tratar da entrada ilegal de eletrodomésticos, o Serviço encontrou armas, bandeiras cubanas, retratos e textos de discursos de Fidel e de Francisco Julião, manuais de instrução de combate, além dos planos de implantação de outros futuros focos de sabotagem e uma minuciosa descrição dos fundos financeiros enviados por Cuba para montar o acampamento e todo o esquema de sublevação armada das Ligas Camponesas noutros pontos do País. Essa informação consta do depoimento dado pelo comunista Fernando Tavares, também no referido livro de Denise Rollemberg (Fonte: ROLLEMBERG, Denise. "O apoio de Cuba à luta armada no Brasil". Rio de Janeiro: Ed. Mauad, 2001, pp. 11-26). Abro aqui outro parêntese: a montagem dos campos de treinamento ainda em 1961 - antes, portanto, da Contra-Revolução de 1964 - desmonta aquela tese esquerdista segundo a qual a guerrilha só surgiu porque havia uma ditadura, etc. Mentira, a luta armada começou a ser preparada bem antes. Portanto, não era apenas a direita que conspirava contra o regime democrático legalmente constituído. Fecho parênteses. Já quando se fala na esquerda etapista, convém lembrar que ela se aproveitava da crise econômica (inflação + baixo crescimento) para pressionar o Jango Bundão: o CGT (Comando Geral dos Trabalhadores) promovia dezenas de greves e paredões o tempo todo. Embora não tivesse existência legal (uma vez que a legislação trabalhista impedia formações sindicais horizontais, ou seja, fora de uma mesma categoria profissional), o CGT era, efetivamente, porta-voz do sindicalismo urbano, tanto é que Goulart reconheceu este fato num discurso proferido em 1963. Durante os anos 50 e 60 o PTB foi perdendo espaço dentro do CGT para o PCB, que estava na ilegalidade desde 1947 e desde então priorizava "conquista de espaços" no meio sindical e estudantil. Na medida em que os líderes do CGT desposavam a tese "etapista", davam apoio a João Goulart e pressionavam o Congresso pela aprovação das "reformas de base". A greve de julho de 1962, por exemplo, nada teve a ver com salários, pois pleiteava a nomeação de um ministério "progressista". Depois o CGT se engajou de corpo e alma na campanha pelo fim do Parlamentarismo, revogado em plebiscito. Abro parêntese de novo: todas essas informações estou tirando do livro "O CGT e as lutas sindicais brasileiras: 1960-1964", escrito pelo sindicalista Sérgio Amad Costa, que também é de esquerda (Fonte: COSTA, Sérgio Amad. "O CGT e as lutas sindicais brasileiras: 1960-1964". São Paulo: Editora Grêmio Politécnico, 1981, pp. 54-77). Fecho parênteses. Além das agitações de menor envergadura que ocorriam todo mês, em 1963 veio a famosa greve dos 700 mil, que parou todo o Estado de SP (se hoje uma greve de 700 mil já assustaria, imaginem naquela época, quando o Brasil tinha um terço da população atual). A coisa ficou tão feia que até João Goulart se assustou e em 3 de outubro encaminhou um pedido ao Congresso para que fosse autorizada decretação de estado de sítio, o Legislativo não aprovou. Tanto a esquerda como a direita votaram contra. A direita temendo uma ditadura tipo "república sindicalista" e a esquerda temendo ser "enquadrada" com medidas de exceção de um presidente que se mostrava hesitante na sua marcha com as "forças progressistas". Na verdade, a relação de Jango com os comunistas era bem esquizofrênica: queria usar os comunistas para criar pressões em favor das reformas e os comunistas queriam usá-lo como trampolim na sua manobra "etapista" de Revolução. Até hoje se discute se Jango tramava um golpe também ou não, mas um trecho do discurso dele no famoso comício de 13 de março de 1964 permite entrever essa intenção: "Essa Constituição é antiquada, porque legaliza uma estrutura sócio-econômica superada, injusta e desumana". No mesmo comício, o cunhado dele, Brizola, clamou pelo fechamento do Congresso, aquele maluco. Para piorar, veio outro trapalhão, o Prestes, e num comício junto com o governador de Pernambuco, o socialista Miguel Arraes, soltou essa pérola: "Nós comunistas estamos no poder, mas não estamos no governo". Pronunciamentos desse tipo só serviram para acirrar os ânimos e convencer os militares neutros de que havia uma ameaça comunista. Havia outras organizações esquerdistas menores que as Ligas Camponesas e o CGT, como a AP (Ação Popular, ligada a setores vermelhos da Igreja), mas grave mesmo foi a contaminação do meio militar, com a revolta dos marinheiros em 24 de março. O ministro da Marinha, almirante Souza Motta, ordenou a prisão dos revoltosos, mas o comandante dos Fuzileiros Navais, almirante Moniz Aragão (o famoso "Almirante Vermelho"), em flagrante traição aos princípios da hierarquia e da disciplina, impediu que a ordem fosse cumprida. E o que o Goulart fez? Demitiu o comandante da Marinha e anistiou os insurretos, para não desagradar os vermelhos fardados. Isso tudo está no livro que mencionei. No lugar do Motta, Goulart pôs um almirante indicado pelo CGT ! ! ! Aliás, a infiltração dos comunistas nas Forças Armadas, embora tenha diminuído desde 1935, não era desprezível, tanto é que o PCB chamava seus militares comunistas de Setor Mil (Setor Militar), aludido por Elio Gaspari em seu livro "A ditadura envergonhada". Gaspari, lembremos, foi do PCB na juventude (Fonte: GASPARI, Elio. "A ditadura envergonhada". São Paulo: Ed. Companhia das Letras, 2004, pp. 50-56). Tanto é que após 1964 o Exército teve que cortar na própria carne: 1.200 oficiais foram expulsos por envolvimento com os comunistas. Não é tão pouco assim, mesmo para um Exército que tinha 150 mil homens, dos quais cerca de 20 mil eram oficiais. Portanto, quem provocou essa maldita guerra foram vocês comunistas!!! Desde 1961!!! Vocês obrigaram as Forças Armadas a desencadear a Contra-Revolução! E não venham me dizer: "Ah, mas só quem partiu para a guerrilha foram as Ligas Camponesas e o PCdoB, não todos os comunistas". Ora, os comunistas da via "etapista" tentaram fazer de Jango seu marionete e usá-lo como trampolim para a Revolução. Isso está documentado no capítulo 8 das memórias do Luiz Carlos Prestes, ditadas em 1982 a dois jornalistas de esquerda (Fonte: MOARES, Denis & VIANA, Francisco. "Prestes: lutas e autocríticas". Rio de Janeiro: Ed. Mauad, 1997, pp. 199-219). Para que não restem dúvidas, transcrevo abaixo um depoimento de Jacob Gorender, dirigente do PCB em 1964, onde ele admite com todas as letras que os vermelhos chegaram bem perto dos seus objetivos: "O período 1960-1964 constituiu o ponto mais agudo da luta de classes no Brasil, em que se pôs em xeque a estabilidade institucional da ordem burguesa sob os aspectos do direito de propriedade e da força coercitiva do Estado. Nos primeiros meses de 1964, esboçou-se uma situação pré-revolucionária e o golpe direitista teve, por isso mesmo, um caráter contra-revolucionário preventivo. A burguesia e o latifúndio tinham razões de sobra para agir antes que o caldo entornasse". (Fonte: GORENDER, Jacob. "Combate nas trevas". São Paulo: Ed. Atica, 1987, pp. 66-67) Devemos discutir FATOS CONCRETOS. Isso são fatos. Aliás, os militares desfecharam a Contra-Revolução apenas quando se convenceram de que não havia outra saída para salvar o País do comunismo. Transcrevo abaixo os depoimentos de alguns deles: General Antonio Carlos Murici: "Podem acreditar na palavra de um soldado: se João Goulart houvesse permanecido no centro ou até na centro-esquerda, ficando contra os comunistas, ele teria terminado seu mandato" (MURICI, Antonio Carlos. "Os motivos da revolução brasileira". Curitiba: Ed. UFPR, 1964, p. 15) General Olimpio Mourão Filho: "Aquele comício dos sargentos foi um escândalo! Um presidente da República deixa o Palácio e vai discursar aplaudido por comunistas empunhando bandeiras com foice e martelo! E pior: montaram o palanque nas barbas do Ministério da Guerra! Foi o fim da picada!" (FILHO, Olimpio Mourão. "Memórias: a verdade de um revolucionário". Rio de Janeiro: Ed. José Olympio, 1978, p. 351) General Agnaldo Del Nero: "Goulart, entretanto, acabou caindo. Sua queda não se deveu às reformas de base que desejou implantar. Elas eram necessárias e na maioria justas, tanto é que a Contra-Revolução de 1964 as acolheu e, a seu modo, as implementou. Goulart caiu por causa das alianças e estratégias a que se submeteu". (DEL NERO, Agnaldo. "A grande mentira". Rio de Janeiro: Ed. Bibliex, 2005). General Carlos Alberto da Fontoura: "O Jango tinha um coração enorme, era capaz de tirar o casaco para dar ao senhor. Agora, para presidente da República não dava. Sem dúvida era bondoso, mas se deixava manobrar pelos comunistas". (FONTOURA, Carlos Alberto. Carlos Alberto da Fontoura - depoimento, 1993. Rio de Janeiro, CPDOC, 2005. 128 p. dat.) Já sei até o que alguns aqui vão responder diante dos quatro depoimentos que transcrevi acima. "Ah, mas são depoimentos dos próprios protagonistas militares, não dá para confiar 100% na sinceridade deles". Pois bem, então transcrevo a análise de José Murilo de Carvalho, que era militante da Ação Popular e confirma a veracidade do que disseram os quatro generais acima: "Os conspiradores militares tinham grande dificuldade em convencer os colegas fardados da necessidade de derrubar o presidente. Havia um legalismo inercial nas Forças Armadas. Para qualquer oficial, envolver-se em ação golpista comportava um grande risco, pois o fracasso da aventura significaria o comprometimento definitivo da carreira. Excluindo-se os radicais à esquerda e à direita, a maioria dos militares permanecia encima do muro (...). Porém, o discurso exaltado do presidente diante dos sargentos e marinheiros em 30 de março era tudo o que faltava para que os conspiradores militares conseguissem apoio da maioria de oficiais que hesitava em aderir aos seus planos. Corroer as bases da hierarquia e da disciplina era inaceitável para qualquer oficial, mesmo para os que apoiavam as reformas de base (...). O presidente fazia tudo o que seus inimigos pediam a Deus que ele fizesse para facilitar o golpe". (Fonte: CARVALHO, José Murilo. "Forças Armadas e política no Brasil". Rio de Janeiro: Ed. Jorge Zahar, 2005, pp. 121, 122, 124) AGORA VAMOS AO FATO N° 2: Quanto à tese que atribui a Contra-Revolução de 1964 ao "imperialismo americano", é outra mentira, pois a Operação Brother Sam foi cancelada antes de começar. O plano previa que a esquadra americana chegaria aqui somente em 10 de abril. Se quiser checar os documentos liberados pela CIA sobre o assunto desde 1976, basta olhar em: http://www.foia.cia.gov Em 31 de março o governo já estava deposto. A discrepância de datas (31 de março e 10 de abril) só comprova uma coisa: não havia coordenação entre os militares e a Casa Branca, pois do contrário a Contra-Revolução só teria estourado em 10 de abril, com ajuda segura do exterior. Tanto é que até hoje não conseguiram apontar o nome de um único general que tivesse entrado em contato com os americanos para pedir ajuda! Nada! Nada! Nada! Nem um mísero papel ou mensagem, sequer nos documentos americanos que a esquerda tanto alardeia e disponíveis no site apontado acima. A tese também pode ser desmascarada com fontes bibliográficas da própria esquerda. É até irônico ver os comunistas rotulando os militares de entreguistas, quando foram os comunistas que em 1961 tomaram a iniciativa de pegar em armas para derrubar o regime democrático, buscando ajuda de governos estrangeiros (Cuba e China). E depois ainda têm a cara-de-pau de chamar os outros de entreguistas! Eles sim foram lacaios de quadrilhas internacionais, enquanto, pelo que sei, nenhum oficial brasileiro tomou a iniciativa de entrar em contato com os EUA, embora estes tenham elaborado por conta própria um plano de contingência (Operação Brother Sam) para o caso de uma guerra civil no Brasil. Para que você não tenha dúvidas, transcrevo abaixo um excerto de artigo publicado pelo Prof. Glaúcio Ary Dilon, notório petista: "Não há dúvida de que muitas multinacionais, assim como o governo dos EUA, apoiaram o golpe, mas esse apoio veio sobretudo após o fato consumado. A Casa Branca reconheceu o novo governo prontamente e houve a renegociação da dívida do País (...). Entretanto, o apoio americano após o golpe não significa apoio durante o golpe propriamente dito, já que a Operação Brother Sam foi cancelada (...). Pessoalmente, não tenho dúvida de que Goulart teria caído com ou sem apoio americano. As entrevistas e obras deixadas pelos conspiradores militares demonstram que o apoio externo foi pouquíssimo importante (...). Não me resta dúvida de que a maioria dos militares que participaram do golpe avaliava o governo Goulart como infiltrado pelos comunistas e o presidente Goulart como muito influenciado por eles. A formação histericamente anticomunista dos militares acabou funcionando como multiplicador desse perigo real ou imaginário (...). O que ocorreu em 1964 foi essencialmente uma conspiração de militares com grupos econômicos brasileiros" (SOARES, Gláucio Ary Dillon. "O golpe de 1964". In: "21 anos de Regime Militar: balanço e perspectivas". Gláucio Ary Dillon Soares e Maria Celina D'Araújo (org). Rio de Janeiro: Ed. FGV, 1993, pp. 25-35) Outro depoimento que não deixa dúvidas é fornecido por José Murilo de Carvalho, que era militante da Ação Popular em 1964: "No que se refere à interferência norte-americana, soube-se que a Operação Brother Sam consistia em um plano de interferência a ser posto em ação apenas no caso de haver guerra civil em que os golpistas precisassem de apoio. Sem dúvida os EUA estavam interessados na derrota de Goulart, havia dinheiro americano no IBAD e a CIA não descansava. Ma isso tudo no máximo encorajou os golpistas. A conspiração foi interna, assim como foram internas as causas de seu êxito". (CARVALHO, José Murilo. "Forças Armadas e política no Brasil". Rio de Janeiro: Ed. Jorge Zahar, 2005, p. 121) Por fim, esfrego na cara dos mentirosos as observações de Elio Gaspari, que era militante do PCB em 1964: "Apesar da frota militar que chegou a ser preparada pelo governo americano e do significado que ele traria caso viesse a ser conhecido naquele momento, nenhum brasileiro, civil ou militar, participou da deposição de João Goulart porque os EUA a desejavam". (GASPARI, Elio. "A ditadura envergonhada". Rio de Janeiro: Ed. Companhia das Letras, 2002, p. 102) Portanto, não me venha com esse papo de "conspiração do imperialismo", pois ela nunca existiu e se existiu não foi decisiva, tal como admitem os três militantes de esquerda que citei acima. Sei até o que alguns aqui vão dizer: "Ah, mas a CIA patrocinava propaganda anticomunista no Brasil por meio do IBAD e isso ajudou a convencer os militares de que havia um perigo vermelho". Ora bolas, com ou sem a CIA havia propaganda anticomunista no Brasil, basta ler os editoriais publicados na época pelo Estadão, Folha de S. Paulo, Estado de Minas, Correio Braziliense, Última Hora, etc. Vai me dizer que todos esses jornais estavam na folha de pagamento da CIA? Melhor você nem responder, ou terá que comprovar. SÓ PARA FINALIZAR: (1) Conforme demonstra o relatório da CIA que copiei e colei na surra aplicada a um comunista ontem, o governo americano sabia que o golpe ocorreria e montou um plano de contingência para ajudar os insurretos, a Operação Brother Sam. Isso é um fato. (2) Entretanto, como o general Mourão Filho, comandante das tropas em MG, precipitou tudo, os EUA nem tiveram tempo de agir, e cancelaram o plano. Isso é outro fato. (3) A CIA certamente tinha informantes infiltrados entre os grupos conspiradores, pois do contrário não teria acesso a informações como as que constam nos relatórios abaixo. Havia três grupos conspiradores: um no RJ, sob liderança do Marechal Castelo Branco, um em MG, sob liderança do General Mourão Filho, e um terceiro no Nordeste, sob liderança do General Justino Alves Bastos. Eram ilhas de conspiradores sem coordenação entre si, tanto é que o Castelo Branco, quando soube que as tropas do Mourão Filho estavam em marcha, tentou telegrafar desesperado para convencê-lo a abortar a operação porque "não havia chegado a hora certa". (4) A CIA conforme dito, já sabia que um levante anti-Goulart estouraria em breve e financiava propaganda anti-comunista no Brasil, conforme atestam documentos secretos desclassificados recentemente. ENTRETANTO, A CIA NÃO TINHA CONTROLE OPERACIONAL SOBRE AS CONSPIRAÇÕES MILITARES, conforme se depreende do trecho traduzindo a seguir, que está no relatório: "Uma rebelião das forças anti-Goulart certamente será deflagrada nesta semana, provavelmente nos próximos dias. Negociações de última hora estão ocorrendo entre os governos dos Estados sob controle das forças democráticas. São Paulo e Minas Gerais aderiram definitivamente ao acordo". Podem olhar o documento no meu post em: http://www.midiaindependente.org/pt/blue/2008/05/419633.shtml Ora, se a CIA tivesse controle operacional das conspirações militares, não escreveria que o golpe "provavelmente ocorrerá nos próximos dias". O uso do "provavelmente" só mostra que a CIA tinha uma estimativa, uma previsão imprecisa. Se tivesse controle, escreveria que o golpe "ocorrerá no dia tal, comandando pelo general tal, a partir do quartel da cidade tal". Trata-se de uma questão de lógica. Se a CIA não tinha controle operacional sobre as conspirações militares e a Operação Brother Sam foi cancelada antes de começar, será que você consegue dizer como efetivamente ocorreu a suposta participação americana na Contra-Revolução de 1964? Em outras palavras, QUERO QUE VOCÊ DIGA AOS LEITORES: na virada do 31 de março para o 1° de abril, onde estavam os agentes da CIA no Brasil, o que fizeram eles exatamente e qual foi a relação de causa e efeito desses atos com o que sucedeu. Caso não saiba responder, VOCÊ PRECISA ADMITIR QUE NÃO TEM FATOS E PROVAS, APENAS SUPOSIÇÕES E TEORIAS CONSPIRATÓRIAS.  | Após examinar no divã o debate entre o Curioso e o Batista no link que este último deixou disponível acima, comecei a entender a birra do Curioso. Só pelo jeito de escrever, já é notei a superioridade do Batista, que usa linguajar racional e acadêmico (exceto nos ataques de fúria), enquanto o Curioso usa o tempo todo linguajar militante e panfletário, cheio de adjetivos. Acho que ele repete tanto esses adjetivos (pró-imperialista", "apátrida", "fascista", "oligarquia", etc ") pra ver se eles colam com cuspe via repetição ou para compensar a falta de argumentos. Talvez seja até por "autoprojeção reversa", que é uma psicose comum nos que projetam sua própria imagem no inimigo. Num dos posts vi o Curioso assumir que copia e cola textos de outros porque não tem competência e formação p/rebater o Batista. Muito cômodo para ele. http://www.midiaindependente.org/pt/blue/2008/05/419633.shtml Bem, mas isso é secundário. O que percebi de importante mesmo é o seguinte. Qual o instrumento/brinquedo preferido do Curioso? Os clichês, os estereótipos e as "falsas relações de causa e efeito", como diz o Batista. O que o Batista faz? Ele pega os textos e vai desmontando pacientemente (até com certo sadismo, eu diria), com lógica irretorquível, cada peça do castelinho montado pelo rival com textos alheios. A reação do Curioso não podia ser outra: esperneia como uma criança porque lhe tomaram o brinquedo. O pior é que isso não vai parar, pois o gosto em bater do Batista e o gosto em apanhar do Curioso produziu um casamento sadomasoquista. É um caso clínico sui generis p/psicanálise aqui no CMI.  | Pessoal, sei que isso naum tem nada a ver com o assunto, mas não pude deixar de ler um pedaço hilário do post do Curioso:
"Vernon Walters foi assassinado pela própria CIA porque rompeu a 'lei do silêncio' e ousou denunicar a farsa da 'operação lua', aquela montagem de 1969 que cineasta Stanley Kubrich fez em um estúdio na Inglaterra (a pedido da CIA e do Pentágono) para 'provar' que a Apolo 11 pousou em solo lunar".
KKKKK;. Então o homem nunca chegou à Lua, era tudo um complô hollywoodiano em conluio com a CIA, o Pentágono (só faltou botar a maçonaria no meio). Minha barriga tá doendo de tanto eu dar risada até agora. KKK. Esse Curioso acredita em cada teoria da conspiração, daria um bom romancista. Só o Freud explica mesmo. Onde ele achou esa pérola? Acho que se descobrissem a cura da Aids nos EUA ele sairia gritando na rua: "É truque! É truque! Não se mediquem!". HAHAHA. Curioso, pq você não cria mais curiosidade e vai se informar?  | Pelo visto o mercenário vende-pátria a serviço das oligarquias apátridas da FIESP esgotou todo o seu arsenal herdado dos manuais fascistas da Escola de Comando e Estado Maior do Exército e só lhe resta repetir, repetir e repetir as mesmas velhas e surradas "teses" golpistas dos seus superiores hierárquicos fascistas fardados "experts" em contra-revolução.
Pelo jeito o fascista Batista tem que se curvar a um protagonista do período possuidor das tais "fontes primárias", o professor Moniz Bandeira, não podendo negar o papel como assessor no golpe antipatriótico, do amigo pessoal do golpista Castelo Branco, Vernon Walters (visitano sua casa e dando conselhos e opiniões),adido militar da embaixada ianque e agente da CIA, só lhe restando mesmo tergiversar com a conversa mole de que a "CIA não tinha controle operacional sobre as conspirações".
Só falta mesmo o fascista declarar que os milicos vende-pátria não tinham sequer segurança do que estavam fazendo para precisar do controle operacional da CIA. E não tinham mesmo não, eram uns inéptos atabalhoados!
Como disso o patriota Leonel Brizolla no esclarecedor documentáio "Jango", de Silvio Tendler: "os golpistas entraram, encontraram a porta aberta, ninguém disse nada, abriram outra porta e ninguém disse nada e ficaram". Felizmente esse saudoso patriota sobreviveu aos planos de assassinato no Uruguai para nos contar a verdadeia história desse obscuro período de nossa história recente.
Mas estamos espeando "provas materiais" do fascista chauvinista inescrupuloso que provem que a CIA e Vernon Walters não atuaram junto aos golpistas lambe-botas dos ianques para derrubar um presidente constitucionalmente eleito que se chocou com os interesses imperialistas em nossa Pátria sagrada.
Agora quero ver de onde o mercenário da FIESP e simpatizante do narco-gângster presidente da Colômbia, Álvaro Uribe Vélez, vai tirar mais "fontes primárias", a não ser dos próprios golpistas.
Enquanto isso o nosso fascista tupiniquim que defende que os povos irmãos "devam ser mesmo pisoteados por nossos coturnos e saqueados por nossas empresas" não ousa contestar os argumentos contundentes do Prof. Moniza Bandeira, que era assessor do deputado Sérgio Magalhães, do PTB, presidente da Frente Parlamentar Nacionalista, só lhe restando o silêncio.
PEDE AJUDA AOS INSTRUTORES FASCISTAS DA ECEME!
 | Para quem tem algum dúvida sobre a montagem da "Operação Lua", em 1969, quando o imperialismo sabia que a União Soviética estava adiantada na corrida espacial e levaria o homem à Lua antes, prepararam a montagem é só acessar o link: http://www.cuak.com/?p=1300 Se o homem foi à Lua depois de 1969 eu não sei, mas os vôos da Nasa dos anos 80 e 90 com seus "ônibus espaciais" só ficavam na órbita da terra, enquanto a União Soviética mantinha no espaço a estação de pesquisa científicas "PAZ", inclusive com pesquisadores norte-americanos e europeus.  | Quando publiquei meu último post acima rebatendo as asneiras do Norton, não havia notado que Curioso pôs a cara de porco para fora novamente. Além de ter fugido covardemente da luva que lhe atirei na face, tornou a tocar no nome do Prof. Dr. Moniz Bandeira com sua boca imunda e usar o texto dele, que mostra exatamente o contrário do que Curioso tenta nos impingir. Estou com pressa mas rebaterei por A + B, como de costume.
DIZ CURIOSO:
"Se quer provas materiais dos contatos dele com os golpistas entre na Justiça americana e peça os documentos que não foram ainda desclassificados".
DIGO EU:
Ou seja, ele admite com todas as letras que não tem provas para apresentar, apenas suposições, clichês e teorias conspiratórias, tanto é que não respondeu até hoje a pergunta que fiz lá encima: "Na virada do 31 de março para o 1° de abril, onde estavam os agentes da CIA no Brasil, o que fizeram eles exatamente e qual foi a relação de causa e efeito desses atos com o que sucedeu?".
DIZ CURIOSO:
"Agora, se quer 'provas imateriais' do o ex-agente da CIA Vernon Walters, você que acredita no além e na salvação da alma, tente obtê-las 'na outra vida', pois este foi assassinado"
DIGO EU:
Além de cínica essa frase é idiota e não resolve nada. Diga-se de passagem que Vernon Walters não era agente da CIA em 1964. Ele era adido militar, lotado na embaixada. Só ingressou na CIA em 1972, após ser reformado do serviço militar ativo. Qualquer aluno do 2° ano de Relações Internacionais sabe que CIA é uma agência civil, funcionalmente separada das Forças Armadas americanas, que têm seus próprios serviços de inteligência.
DIZ CURIOSO:
Nesse trecho Curioso copiou e colou (p/variar) parte do artigo do Prof. Dr. Moniz Bandeira, que assim se expressa: "provavelmente lhe foi mostrado (a Walters) o arsenal dos golpistas"
DIGO EU:
Com o bom senso que lhe é peculiar, o Prof. Moniz Bandeira usou a expressão "provavelmente", indicando que não é um fato constatado, uma certeza, mas uma POSSIBILIDADE, dentre as muitas possibilidades então existentes. Pena que crápulas como o Curioso se agarrem ao seu texto tal qual vampiros para deturpá-los em defesa de teses mentirosas. Na cabeça do Curioso, uma mera possibilidade já vira certeza (quando favorece aos interesses dele).
DIZ CURIOSO:
Nesse trecho Curioso copiou e colou (p/variar) parte do artigo do Prof. Dr. Moniz Bandeira, que assim se expressa: "um oficial do Exército Brasileiro certa vez lhe disse que tinha uma pessoa que poderia abater Goulart por US$ 5.000 e ele retrucou que não acreditava em assassinatos, porque era contra a lei de Deus, contra a lei dos homens e geralmente a vítima era substituída por alguém ainda mais fanático".
DIGO EU:
Isso só demonstra que os conspiradores estavam dispostos a acabar com o governo de qualquer maneira, com ou sem apoio americano, havendo entre os militares brasileiros até quem propusesse o assassinato do presidente. Se for verídico o relato de Walters (embora ele curiosamente não identifique quem era esse suposto oficial maluco), confirma-se que as conspirações foram internas e teriam sido levadas à frente até contra a vontade dos EUA. Aliás, é bom lembrar que isso havia acontecido em 1961: quando os três ministros militares (general Odylio Denis, almirante Silvio Heck e brigadeiro Gabriel Grün Moss) tentaram impedir a posse de Goulart, o governo dos EUA ficou ao lado da legalidade (na época era o Kennedy quem ocupava a Casa Branca). Mesmo assim os três ministros foram adiante e só recuaram quando o general Machado Lopes, comandante do III Exército, no RS, ameaçou-os com uma guerra civil, aliado com o governador gaúcho Leonel Brizola (Fonte: MARKUN, Paulo & HAMILTON, Duda. "1961: que as armas não falem". São Paulo: Ed. Senac, 2001, p. 372).
DIZ CURIOSO:
Nesse trecho Curioso copiou e colou (p/variar) parte do artigo do Prof. Dr. Moniz Bandeira, que assim se expressa: "Vernon Walters confirmou ter sido bem informado sobre os planos para o golpe, embora alegasse que não tinha obrigação de informar qualquer coisa ao governo de João Goulart".
DIGO EU:
Realmente, por ser funcionário do governo americano, Walters não tinha obrigação de informar o governo brasileiro. Tinha obrigação de informar o seu governo. Assim como os adidos militares brasileiros na América do Sul e na costa ocidental africana informam o governo brasileiro, não os governos locais, e repassam as informações que coletam à 2ª Seção do EME (Estado-Maior do Exército), à 2ª Seção do EMAER (Estado-Maior da Aeronáutica) e à 2ª Seção do EMA (Estado-Maior da Armada).
PS:
Sobre o comentário do Astronauta lá encima, devo avisa-lo de que aquilo foi só uma amostra das imbecilidades do Curioso. Se você continuar freqüentar o site, verá que o nosso idiota de plantão se supera a cada dia. Você o verá em breve dizendo que a Interpol está a serviço da CIA quando comprova que os dados no PC do narco-terrorista Raul Reyes não foram manipulados e que Chávez não financia as FARC...  | Palavras do Batista: ' Para início de conversa, meu único Amo é o povo brasileiro ... '
Isso significam mais 500 anos de peleguismo neste país escravo; mais um inferno de analfabetismo, de imprensa na mão de meia dúzia de egoístas, de mercenários pagos pelos Amos para desinformar o povo acorrentado, de mortalidade infantil alta, de filas intermináveis nos hospitais, da mainoria pelega festejando a desgraça da maioria, de infelicidade e enganação do povo.
Se esse jegue é patrota brasileiro, então deve ser um grande entendido de prostituição. Pode seguir repetindo essa tua ladainha:
' Vejam como eu sei abrir as pernas para meu Amo Tio Sam! Vejam que patriota que eu sou!!! '  | Putz, como esses caras, o CU-rioso principalmente, têm coragem de fazer pose nacionalista? O Batista provou lá encima que eles buscaram ajuda financeira e material de Cuba e China para fazer a revolução no Brasil ANTES DE 1964 ! Pior que ele usou livros da própria comunalha p/provar isso. Esses caras ainda escrevem livros se vanglorinado de terem traído o Brasil. Parece até zombaria ! Ainda chamam os outros de entreguistas. É a velha tática proposta por Lênin: "Acuse-os do que você faz. Xingue-os do que você é". Vão trabalhar seus vagabundos! Os milicos não são santos, mas pelo menos estavam genuinamente preocupados com o Brasil. Já vocês sempre olham essa terra como mera parte de um plano maior na busca pelo tal "socialismo", suposto fim da História (o desabado Muro de Berlim que o diga).  | Então, né? Que eu me lembre, no tempo dos governos militares se cantava o Hino Nacional e se hasteava a Bandeira toda semana. Ainda tinha a Educação Moral e Cívica, que celebrava as glórias do Brasil. Minha professora fazia uma celebração mensal chamada "Comunhão com a Pátria", onde cada aluno trazia um símbolo típico de uma região da nação, uma roupa, um ramo de planta, até uma dança tipo bumba-meu-boi...
Agora, com a Educação na mão das esquerdas, não vejo mais isso. Só vejo alunos fazendo troça do Brasil e pensando em emigrar, isso quando não agridem o professor (antigamente isso era impensável). Patriotismo hoje é coisa de otário...
Quem é entreguista e apátrida?
Havia menos liberdade, é verdade, mas o uso que essa geração tem feito da liberdade não é dos melhores  | Não tinha visto o último post do Curioso, mas faço esse comentário somente para demonstrar como ele gosta de deturpar textos alheios, adotando como certeza aquilo que o Porf. Moniz Bandeira apresenta claramente como mera suposição ou possibilidade:
DIZ CURIOSO:
"Vernon Walters visitava sua casa e dando conselhos e opiniões".
DIGO EU:
Vernon Walters desmentiu essa assertiva anos atrás:
"Os generais brasileiros não precisavam de conselhos meus para dar golpes. Têm muito mais experiência do que eu nisso, depuseram dois presidentes em 25 anos. Desafio a imprensa a achar uma mensagem que prove a minha intervenção. Eu era apenas uma testemunha bem informada". (Fonte: Folha de S. Paulo, 23/08/1998, p. 5: "Ex-adido militar diz que EUA não precisavam ensinar brasileiros a dar golpes").  | Esqueci de comentar esse texto postado pelo Curioso em outro tópico em que o surrei. Se ele prestasse atenção nos textos que copia e cola (da revista "Óia" ainda por cima), não passaria essas vergonhas aqui no CMI. Pois bem, ele copiou o colou o seguinte diálogo ocorrido em 30 de março de 1964 entre o Presidente Lindon Johnson e seu assessor George Reedy: Presidente: "Se explodir esta noite, você com certeza ficará sabendo amanhã de manhã". Reedy: "Certo. Nesse caso, vamos precisar de uma reação (oficial)... mas, se não explodir esta noite... então acho que devemos voltar como foi planejado". http://www.midiaindependente.org/pt/blue/2008/05/419633.shtml COMENTÁRIO: Mais uma vez chamo a atenção para a expressão usada pelo americano: "Se". Ora bolas, se ele controlasse alguma coisa não diriam: "Se a rebelião estourar, adotaremos tal posição". Diria simplesmente: "É para estourar hoje, estou mandando". Ele ainda demonstra dúvida sobre a data, o que demonstra sua condição de mero expectador, não de participante. E realmente estava enganado: não estoutou no dia 30, mas no dia 31. AGORA É SUA VEZ CURIOSO COVARDE, DETURPADOR, TRAIDOR DA PÁTRIA E MENTIROSO! RESPONDI E DESMASCAREI TODAS AS SUAS ASNEIRAS, MAS ATÉ HOJE VOCÊ NÃO CONSEGUIU REBATER NENHUMA DAS MINHAS AFIRMAÇÕES ! NENHUMA ! A razão é simples, como disse o Freud lá encima: eu tenho caráter, você não tem. Qualquer dia vou juntar todas as perguntas/ultimatos que te fiz e você ficou quieto ! Estou sendo muito bonzinho contigo!  | Era previsível que todo mercenário como todo alcoólatra e fumante têm problema de consciência e de caráter e a saída final é quase sempre o suicídio físico.
No caso do nosso fascista vende-pátria, a opção final foi o suicídio moral e político.
Vejamos como o vagabundo vende-pátria, cometeu o suicídio ao não comprovar "sua" tese furada de que Vernon Walters (amigo íntimo do golpista Castelo Branco), assessorado então pela CIA, não conspirou decisivamente para depor o presidente constitucional antiimperialista João Goulart.
Leiamos o post do vende-pátria da FIESP:
"Curioso admite não ter provas e ainda manipula textos":
"Nesse trecho Curioso copiou e colou (p/variar) parte do artigo do Prof. Dr. Moniz Bandeira, que assim se expressa: "um oficial do Exército Brasileiro certa vez lhe disse que tinha uma pessoa que poderia abater Goulart por US$ 5.000 e ele retrucou que não acreditava em assassinatos, porque era contra a lei de Deus, contra a lei dos homens e geralmente a vítima era substituída por alguém ainda mais fanático".
Agora leiamos a tese do Prof. Moniz Bandeira que o vagagundo golpista e pró-imperialista não consegue negar, sobre o papel decisivo de Veron Walters:
"Igualmente dava opiniões e conselhos, tanto que, conforme contou, um oficial do Exército brasileiro certa vez lhe disse que tinha uma pessoa que poderia abater Goulart por US$ 5.000 e ele retrucou que não acreditava em assassinatos, porque era contra a lei de Deus, contra a lei dos homens e geralmente a vítima era substituída por alguém ainda mais fanático[54]. Não estivesse Vernon Walters tão envolvido no complô, nenhum oficial do Exército brasileiro permitiria que ele tivesse acesso e visse em sua residência "veritable arsenal" ou comunicar-lhe-ia que contava com alguém disposto a matar Goulart por US$ 5.000,00".
E segue com profunda convicção e contundência o Prof. Moniz Bandeira para acabar de sepultar o o cadáver do agente mercenário:
"A assertiva do embaixador Lincoln Gordon, segundo a qual derrubada de Goulart foi realizada pelos militares brasileiros sem "assistance or advice" dos EUA não corresponde à realidade. Não é consistente com os fatos. No dia 30 de março de 1964, no momento em que Goulart discursava para os sargentos no Automóvel Club, o secretário de Estado, Dean Rusk, leu para o embaixador Lincoln Gordon, pelo telefone, o texto do telegrama n° 1296, informando-o de que, como os navios, carregados de armas e munições, não podiam alcançar o Sul do Brasil antes de dez dias..."
É claro que em uma conjuntura diferente como a do ano de 1998, o ex-agente da CIA Vernon Walters (assassinado em 2004 pela própria CIA por romper a lei de silência sobre a "Operação Lua") teria que negar que conspirou para não se chocar com uma opinião públia também diferente.
Agora para sepultar definitivamente o cadáver decomposto desse vagagundo pró-imperialista disfarçado de patriota, ACUSO-O PUBLICAMENTE de fazer parte da conspriação, ao atuar também (e a bom soldo pago sabe-se lá por quem) contra o processo revolucionário venezuelano, fazendo coro com o regime decomposto e mafioso colombiano, hoje mero apêndice da embaixada ianque em Bogotá e principal a serviço da "nova" estratégia imperialista de desestabilização golpista dos governos antiimperialistas para impedir a integração dos nossos povos irmãos.
As "teses" desse pau-mandado incompetente, pelo visto, vão ser rejeitadas na dissertação do mestrado.
Vá ser "patriota" assim na Casa Branca! Vende-pátria!
 | Essa do Curioso é a melhor:
"ACUSO-O PUBLICAMENTE de fazer parte da conspriação, ao atuar também (e a bom soldo pago sabe-se lá por quem) contra o processo revolucionário venezuelano, fazendo coro com o regime decomposto e mafioso colombiano, hoje mero apêndice da embaixada ianque em Bogotá e principal a serviço da "nova" estratégia imperialista de desestabilização golpista dos governos antiimperialistas para impedir a integração dos nossos povos irmãos".
Curioso, voce tem provas da existência dessa tal conspiração? Mais ainda: tem provas da participação do Batista no tal complô mirabolante? Estou doido pra ver. KKKKK. Curioso ou é idiota ou tem bola de cristal.
Batista, não tenha dó. O Freud já explicou bem a birra que ele tem de vc. Por isso tá revoltadinho. Vc quebrou o brinquedo dele.  | Será que esse CU-rioso ñ sabe ler? Ou será que ele acha que nós não sabemos ler? O cara se baseia no Moniz Bandeira, que não é neutro coisa nenhuma, pois era figurão do PTB na época, legenda de sustentação do governo. Ou seja, Curioso se baseia num cara que perdeu sua "boquinha" com o golpe de 64. P/piorar, mostraram em posts anteriores aqui mesmo que o Moniz Bandeira já mordeu a língua duas vezes: uma no lance dos imaginários boinas-verdes que desembarcaram no Nordeste e outra falando que o Brasil lutou na guerra das Malvinas. Dá p/confiar? Mas tá bom, vamos dar o benefício da dúvida. Moniz Bandeira se baseia no fato de que Vernon Walters "provavelmente" viu o arsenal dos golpistas (qual dos vários grupos de golpistas?) e foi na casa deles. Aí já conclui que o americano dava "conselhos" - coisa que Walters nega - porque ninguém toma conhecimento de uma conspiração sem se envolver nela. Hahaha. Basta estudar um pouquinho só pra saber que em 1964 as conspirações contra o governo nem eram mais clandestinas, de tão públicas que eram. Até as lavadeiras sabiam quem conspirava contra o governo. O Goulart tinha os nomes de todos e sabia até onde eles se reuniam, mas não os reprimiu preventivamente porque era um bundão indeciso. Quem relatou isso mais tarde foi o Brizola, que o Curioso aprecia tanto. No caso do Vernon Walters, então que conselhos foram esses? Eles foram seguidos? O Bandeira não diz, pois não sabe quais são. Tá supondo, como disse o Batista. No caso do oficial ñ-identificado que queria matar o Goulart, ele deu uma opinião ali. Muita gente opinava, mas poucos decidiam - e um número menor ainda de pessoas passou a tomar decisões após 64. Como disse o próprio Walters em 98, os generais brasileiros tinham muita experiência em golpes e não precisavam de conselhos para tomar suas decisões. Pra complicar mais a farsa do CU-rioso, Walters estava de serviço na embaixada americana como adido. Logo, se teve contato com algum grupo golpista, foi com o do RJ, do marechal Castelo Branco. Pois é, mas quem derrubou Goulart foi o grupo de MG, do general Mourão Filho. Então como fica a tese do Curioso sobre "influência decisiva" do Tio Sam no golpe de 64? P/piorar mais ainda, ele fala na tal "conjuntura" de 1998 p/desqualificar o desmentido de Walters. Então Curioso, a conjuntura de 1998 é muito diferente da de 2002, quando o Walters publicou suas memórias? Como o Batista mostrou no seu último post ao examinar a conversa do presidente dos EUA com seu assessor, os americanos foram meros expectadores.
Esse CU-rioso acha q somos troxas. Ñ engana nem ele mesmo.  | A direita começa (tarde) a desconfiar de si mesmo:
' Será que esse CU-rioso ñ sabe ler? Ou será que ele acha que nós não sabemos ler? '
Se Curioso acha ou não que vocês (a mafia da ditadura pró ianqui de 64) sabem ou não ler não posso saber. O que os leitores atentos do CMI certamente percebem prontamente é que esse grupo de vendidos está tão alienado, que mesmo depois de décadas de atrocidades não conseguem atinar o mal que fizeram e o rumo avesso aos interesses dos brasileiros que defendem e tem defendido. É uma lista tão extensa de contradiçãos que dá vontado de chorar! O método de lavagem cerebral da ditadura tem uma eficiência fenomenal. Os afetados vivem décadas elipsando o mundo da maioria do povo e se querem com razâo, do que somente conseguem se convencer se fecharem os olhos e os ouvidos para todos esses incontáveis argumentos (muitos deles concretos) que pesam contra o que já repetiram mil vezes aqui.
E ainda se atrevem em querer argumentar desesperadamente com
'' ah ... mas fulano não é nada neutro!''
Chegam a se ridicularizar de tal modo, que pode-se desconfiar que devem ser mercenários a soldo do império, pois sabe-se através das palavras dos próprios EUA que estes pagavam desde a década de 60 mais de 400 jornalistas na América Latina (jornalistas das grandes empresas de comunicação, como a Globo, por exemplo) para que passassem em seu próprio nome textos elaborados pelos EUA, a fim de manipular a população.
Assim essa gente inventa um mundo estranho à realidade do povo e depois fica insistindo que essa ficção é real! Não querem entender se o povo não entra na onda da enganação! Pensam que o povo precisa ser tão ingênuo quanto seu grupinho nojento vendido.
Deve ser esse um dos motivos pelos quais essa laia tem tanto medo quando se fala em democracia de base, democracia direta ... Somente conseguem se manter em posição privilegiada (servindo ao império ao permitir que o povo é saqueado) com essa democracia de fachada!
Os mercenários tem bons motivos para se desesperarem. Não pensem que vocês sairão 95% bem sucessidos como em 64!! Desta vez a mensagem que vocês vão transmitir Ao chefe de vocês na Casa Branca vai ser muito diferente, para o bem da maioria dos brasileiros.  | Eis que volto e encontro o Curioso estrebuchando novamente. Bem, já que (segundo a análise do Freud lá encima) meu papel é quebrar os brinquedinhos do Curioso e deixá-lo chorando no chão, farei isso novamente. Só não concordo com o Freud quando ele diz que tenho um "casamento sadomasoquista" com Curioso, pois não me caso com homens, nem com viados covardes e mentirosos como ele.
Vejo que alguém aí encima já se deu ao trabalho de demolir metade do post do Curioso às 02:56, a parte que se refere ao Vernon Walters. Portanto, destruirei apenas a metade que restou.
DIZ CURIOSO, CITANDO MONIZ BANDEIRA:
"A assertiva do embaixador Lincoln Gordon, segundo a qual derrubada de Goulart foi realizada pelos militares brasileiros sem 'assistance or advice' dos EUA não corresponde à realidade. Não é consistente com os fatos. No dia 30 de março de 1964, no momento em que Goulart discursava para os sargentos no Automóvel Club, o secretário de Estado, Dean Rusk, leu para o embaixador Lincoln Gordon, pelo telefone, o texto do telegrama n° 1296, informando-o de que, como os navios, carregados de armas e munições, não podiam alcançar o Sul do Brasil antes de dez dias..."
DIGO EU:
Isso só mostra que não havia coordenação entre os grupos conspiradores e o embaixador americano, pois se a frota americana só chegaria em 10 de abril, por que o general Mourão Filho partiu para cima do governo em 31 de março? Por que não esperou pela retaguarda segura que os ianques estavam dispostos a dar no caso de um confronto com os militares pró-Goulart? Isso só confirma o que tenho dito: no Brasil havia planejamentos (assim mesmo, no plural) concebidos pelos três grupos golpistas, cada um com um chefe militar (Castelo Branco no RJ, Mourão Filho em MG, Justino Alves Bastos no Nordeste), ao passo que nos EUA havia um plano de emergência para meter o bedelho aqui no caso de uma guerra civil, conforme já demonstrei exaustivamente, por A + B, no post das 16:44 lá encima, INCLUSIVE USANDO AUTORES DA PRÓPRIA ESQUERDA, TANTO É QUE NINGUÉM ATÉ AGORA RESPONDEU À PERGUNTINHA QUE FIZ NO FINAL.
AGORA PASSO AO COMENTÁRIO ABSURDO DO JORGE, QUE DIZ:
"Chegam a se ridicularizar de tal modo, que pode-se desconfiar que devem ser mercenários a soldo do império, pois sabe-se através das palavras dos próprios EUA que estes pagavam desde a década de 60 mais de 400 jornalistas na América Latina (jornalistas das grandes empresas de comunicação, como a Globo, por exemplo) para que passassem em seu próprio nome textos elaborados pelos EUA, a fim de manipular a população".
DIGO EU:
Que cretinice é essa?! Apresente suas provas contra a imprensa seu bosta! Onde estão essas fontes primárias? Que jornais brasileiros eram esses? Quem eram os jornalistas? Quais eram os textos? Quando e onde foram publicados? Te dou 48 horas !! É sabido que a imprensa teve um papel importante na Contra-Revolução de 1964, conscientizando e alertando os militares sobre a onda vermelha que invadia o País - pois havia muitos oficiais indecisos. Dizer que os jornais estavam a serviço dos EUA é descarada má-fé!!! Estavam a serviço do Brasil! Papel de jornalista é esse mesmo: denunciar e alertar! Meter a boca no trombone! Vocês dizem isso só porque os jornais denunciavam suas tramóias para comunizar o País com ajuda de governos estrangeiros, que já mostrei por A + B também no post das 16:44 acima, USANDO AUTORES DA PRÓPRIA ESQUERDA TAMBÉM.
ARROTA AÍ SUAS PROVAS CONTA A IMPRENSA BRASILEIRA JORGE! TE DOU 48 HORAS !  | Acho estranho esse negócio do Curioso parasitar e manipular os textos do Prof. Moniz Bandeira quando lhe interessa. Bem, o próprio Moniz Bandeira (apesar de ser centro-esquerda) admite em suas obras que o Regime Militar só se alinhou com os EUA no primeiro governo, o de Castelo Branco (1964-1967). Somente nesse curto triênio pode-se dizer que o Brasil fardado adotou uma política econômica liberal e uma diplomacia pan-americanista calcada nas fronteiras ideológicas. A partir do governo Costa e Silva, em 1967, retomou-se o nacionalismo econômico de feições estatizantes e desenvolvimentistas e uma política externa cada vez mais independente, que culminou com a crise de 1977, quando o Presidente Geisel rompeu o Acordo Militar Brasil-EUA. Numa entrevista recente, Moniz Bandeira revela que foi justamente durante os anos 70 que o Brasil incrementou sua autonomia econômica e estratégico-militar, chegando a preocupar o Tio Sam quanto à margem de manobra no Atlântico Sul. A reorientação em 1967 se deveu basicamente à preponderância dos setores nacionalistas e autoritários nas Forças Armadas (representados pelos generais Albuquerque Lima, Antonio Carlos Andrada Serpa, Orlando Geisel, Euler Bentes, Geraldo Azevedo Henning, Cyro Guedes Etchegoyen, Sylvio Heck, Riograndino Kruel, só para citar alguns), que lograram isolar os militares do grupo liberal (Castelo Branco, Deoclécio Lima, Pena Boto, Fritz Manso, Juracy Magalhães, etc). Bem, asserções sobre nacionalismo no período 1967-1979 estão MINUCIOSAMENTE detalhadas e documentadas no meu artigo transcrito no post das 00:55 horas em: http://brasil.indymedia.org/pt/blue/2008/03/414879.shtml Porém, sem mais delongas, a entrevista do Moniz Bandeira segue abaixo: "EUA perderam força e o Brasil ocupa espaços" Os EUA vêm perdendo força, já não são uma estrela de primeira grandeza e o Brasil aproveita o momento histórico para ocupar os espaços possíveis - coisa que seus vizinhos também procuram fazer. Isso não significa que a América Latina esteja indo para a esquerda: apenas que o equilíbrio é outro. Mas engana-se quem imaginar que essa "autonomia" é um fato novo: a agenda entre os dois países já era intensa e marcada por tensões e divergências em outros períodos do passado. Um exemplo: o governo do Império rompeu relações três vezes com Washington, em meados do século XIX. Outro, mais recente: o Regime Militar brigou muito e votou 185 vezes contra o interesse americano na ONU, entre 1964 e 1985. O afastamento a que se assiste hoje ocorre, porém, num cenário em que o País se industrializou e modernizou e já dilatou sua diplomacia para muitas outras regiões. Episódios como esses são analisados com profundidade em "Presença dos EUA no Brasil", um livro já considerado clássico do professor de História da Política Exterior Luiz Alberto Moniz Bandeira - trabalho que ele atualizou e está relançando esta semana. Nesta entrevista a "O Estado de SP", o professor, que já lançou mais de 10 livros sobre o tema, avalia a convivência entre os dois países. Eis a entrevista: - O sr. diz que os EUA são hoje um país mais vulnerável. De que modo isso altera as relações entre os dois países? Os EUA não são mais uma estrela de primeira grandeza. O advento de governos de esquerda no continente, como os de Hugo Chávez, Evo Morales, Rafael Correa, e mesmo o presidente Lula, no Brasil, não significa que a América Latina se tornou mais esquerdista. E nem que os EUA mudaram a sua política. Simplesmente os EUA perderam força. Na região eles tentaram planos de estabilização com os governos militares, não funcionou a contento. Depois tentaram com governos democraticamente eleitos, aplicando o Consenso de Washington, também não adiantou. Hoje, vêem o distanciamento desses países e se pudessem se livrariam de figuras como Hugo Chávez, na Venezuela, mas não vêem condições para isso. - No resto do mundo, como o sr. vê esse quadro? Eles não podem deixar de reconhecer o Bric (o grupo Brasil-Rússia-Índia-China), que são novas potências regionais. Enfrentam enormes déficits, comercial e orçamentário. A dívida do povo americano é quase do tamanho do PIB do país, coisa de US% 9 trilhões. Há uns US$ 2 trilhões de papéis americanos em poder de Europa, Japão e China. Essa crise que estourou agora, lembro-me que o Joseph Stiglitz previu uns três anos atrás. - No seu livro, abordam-se outros momentos dessa história. O livro, agora atualizado, mostra que o Brasil, ao contrário do que se imagina, nem sempre se submeteu à predominância americana. Ao contrário. Embora dependesse dos EUA como comprador de seu café, o principal produto, o Brasil reagia à predominância americana. Por exemplo, durante o período imperial, por três vezes o Brasil cortou relações com os EUA. Depois, eles tomaram posição contra o Brasil na guerra contra a Argentina (em 1827), de novo contra o Brasil na guerra do Paraguai (1865). Quiseram invadir a Amazônia (entre 1849 e 54), quando o Brasil quase foi à guerra contra eles. - Que briga foi essa, pela Amazônia? Eles queriam transportar os negros americanos para a região. Para isso, era preciso abrir o Rio Amazonas à navegação. O Brasil não deixou. Só o fez em 1865, durante a guerra do Paraguai, por temer que os EUA insuflassem o Peru e o Equador contra o Brasil naquela ocasião. - No Regime Militar, houve momentos críticos nas relações entre os dois países. Como o sr. analisa hoje aquelas divergências? Dediquei um livro a essas relações desse período, chamado "Rivalidade Emergente". O fato é que os interesses nacionais são definidos pelas necessidades da produção de um país. A partir dos anos 50 o Brasil tornou-se predominantemente industrial, o café diminuiu seu peso nas exportações, dando lugar às manufaturas. O País começou a buscar outros mercados e isso teria impacto na política exterior, que até então era alinhada como a Casa Branca. Daí aquela virada com o governo de Jânio Quadros (1961), depois com João Goulart (1961-64). Começaram os atritos. - Houve cobrança também, no governo Jimmy Carter, contra os abusos dos militares na questão dos direitos humanos... Não, essa não foi uma grande razão. Aquilo foi um pretexto dos EUA para deixar o governo Geisel na defensiva. Mas o fulcro da briga, então, foi de fato o acordo nuclear do Brasil com a Alemanha Ocidental. O que os preocupava era a hipótese de um caminho próprio para a energia nuclear nacional. O Brasil já podia fornecer grande parte do material de suas Forças Armadas, devido a seu processo de industrialização. E o acordo militar com Washington só fazia atrasar a produção armamentista do Brasil, sua evolução tecnológica. Então Geisel denunciou o acordo. - Então os conflitos sempre foram intensos? A certa altura, os EUA temeram pelo futuro do Atlântico Sul. O Brasil apoiava Angola, Cuba também a apoiava até militarmente, o Atlântico Sul ameaçava virar um mar brasileiro. De 1968 a 1985, o Brasil votou 185 vezes ao lado da União Soviética e países do chamado Terceiro Mundo, na Assembléia Geral da ONU - mais vezes do que a favor dos EUA. No governo Geisel, o Brasil até apoiou uma moção que considerava o sionismo uma forma de racismo. Como você vê, a dimensão e variedade dos problemas era até maior do que a que assistimos hoje. - Qual é, então, a diferença entre as relações hoje e naquele período? Hoje, a situação é diferente porque, além de os EUA perderem força, o Brasil, por seu lado, está diversificando seus mercados. E vale lembrar: se não fizesse isso, a crise que vivemos hoje - surgida com os créditos podres no sistema habitacional americano e espalhada pelo resto do mundo - afetaria muito mais o Brasil. Uma recessão americana, hoje, afeta muito menos a economia brasileira porque o País dilatou sua política externa e se relaciona de forma mais diversificada com as mais diferentes regiões. É um avanço importante. http://www.jornaldaciencia.org.br/Detalhe.jsp?id=49892  | Vamos agora a alguns trechos do livro mais recente de Moniz Bandeira, onde ele o progressivo avanço do nacionalismo militar após 1967 e o distanciamento Brasil-EUA no período, com, o conseqüente abandono da política de "fronteiras ideológicas":
"O que o Brasil sempre pretendeu foi superar o status de poder regional e atingir o patamar de grande potência, de acordo com o destino que julgava manifesto em suas dimensões territoriais, demográficas, econômicas e geopolíticas. Essa aguda necessidade de desenvolvimento, do qual as Forças Armadas se ressentiam, compeliu o governo Costa e Silva a romper com as doutrinas de interdependência, segurança coletiva e fronteiras ideológicas, restaurando o interesse nacional como fundamento permanente de uma política externa soberana (em linhas similares às de Quadros e Goulart), o que gerou atritos cada vez mais graves nas relações do Brasil com os EUA". (Fonte: BANDEIRA, Luiz Alberto Moniz. "Brasil, Argentina e Estados Unidos: da Tríplice Aliança ao Mercosul, 1870-2003". Rio de Janeiro: Ed. Revan, 2005, p. 410)
Entre os atritos mencionados por Bandeira nas páginas seguintes figuram a oposição do Brasil à proposta americana de criar a FIP (Força Interamericana de Paz), na III Conferência da OEA, em 1967. Também menciona a recusa do Brasil em assinar o Tratado de Não-Proliferação Nuclear, em 1968, outra exigência dos EUA. Cita a Lei de Fretes em 1967, que reservou 40% do nosso comércio exterior a navios brasileiros, bem como a rejeição do Brasil ao Projeto Grandes Lagos, concebido pelo Hudson Institute para a Amazônia, em 1968. Mais adiante há outro, trecho abordando já o governo Médici:
"Conquanto tenha voltado a defender, desde o governo Costa e Silva, o princípio da não-intervenção e o respeito à soberania dos povos, o Brasil, cujo governo militar passara a se orientar pelo nacionalismo de direita, não admitia experiências de esquerda nos países vizinhos, que pudessem obstaculizar seus interesses econômicos. O governo Médici projetou sua repressão além-fronteiras sob a forma de intervenções mais ou menos encobertas nos países vizinhos: Operação Trinta Horas no Uruguai em 1971, doação de armas à organização Patria e libertad no Chile em 1973, fornecimento de armas às tropas de Hugo Banzer no golpe boliviano em 1972 (...). Embora naquelas circunstâncias sua política coincidisse com a dos EUA, o Brasil colaborou com os golpes de Estado na Bolívia, Chile e Uruguai de acordo com seus próprios interesses e objetivos, na medida em que, aspirando à condição de grande potência, tratava de estabelecer a hegemonia sobre a América do Sul. O caráter militar e autoritário do regime exacerbou-lhe o nacionalismo, não no sentido defensivo de Goulart, mas no sentido ofensivo, imperialista, o que refletia a violência da expansão capitalista no País. E o governo Médici, instigando esse nacionalismo de direita, não selecionou meios para alcançar os fins. A ampliação do mar territorial de 12 para 200 milhas, em 1970, não prejudicou apenas as companhias pesqueiras dos EUA, mas também a Argentina, cujas rotas marítimas passaram a ficar sob jurisdição brasileira. (Fonte: BANDEIRA, Luiz Alberto Moniz. "Brasil, Argentina e Estados Unidos: da Tríplice Aliança ao Mercosul, 1870-2003". Rio de Janeiro: Ed. Revan, 2005, pp. 418-420)
Nas páginas seguintes ele menciona outros atritos Brasil-EUA além do mar territorial de 200 milhas, como a disputa tarifária do café, o Código de Propriedade Industrial de 1971, a sobretaxa contra os calçados, e o engajamento do Brasil no G-77, do movimento terceiro-mundista nos foros internacionais. Mais à frente, discorrendo sobre o governo Geisel, Moniz Bandeira descreve:
"A política de direitos humanos do presidente Jimmy Carter agravou nas Forças Armadas os ressentimentos contra os EUA, cujo prestígio junto a elas decaíra desde o final dos anos 60, não só em virtude de seu fracasso na Guerra do Vietnã, mas pela insistência da Casa Branca em restringir-lhes as funções à luta antiguerrilha, recusando-se a fornecer-lhes equipamento bélico pesado e tecnologicamente sofisticado. Essa razão levara o Brasil a intensificar, desde 1970, a produção de material bélico nacional, de modo que em 1977 menos de 20% dos armamentos do Exército Brasileiro provinham do Exterior. Ao mesmo tempo, mediante o Acordo Nuclear com a Alemanha, o Brasil tratara de obter transferência do ciclo completo do urânio, o que lhe permitiria construir submarinos atômicos e da sua própria bomba. A acirrada oposição da Casa Branca a esse projeto evidenciou para as Forças Armadas que os EUA representavam o maior e mais poderoso obstáculo a que o Brasil alcançasse o status de grande potência. E o presidente Geisel não hesitou em romper o Acordo Militar Brasil-EUA, quando em 1977 a embaixada americana exigiu um relatório sobre a situação dos direitos humanos no País. Em áspera reação, o Planalto denunciou aquilo como inaceitável ingerência estrangeira nos assuntos internos na nação". (Fonte: BANDEIRA, Luiz Alberto Moniz. "Brasil, Argentina e Estados Unidos: da Tríplice Aliança ao Mercosul, 1870-2003". Rio de Janeiro: Ed. Revan, 2005, pp. 432-433)
Nas páginas seguintes Moniz Bandeira alude a outros atritos, como a reserva de marcado para empresas nacionais no setor de informática (1976), os índices de nacionalização de componentes impostos às multinacionais pelo II PND (II Plano Nacional de Desenvolvimento, de 1974-1979), o voto anti-sionista do Brasil na ONU em 1975, o apoio do Brasil ao MPLA na Angola (os EUA apoiavam a UNITA), etc. Mais à frente, nas páginas 436 em diante, aborda os atritos Brasil-EUA ocorridos no governo Figueiredo, que, embora encurralado pela crise da dívida externa, deu apoio logístico à Argentina na Guerra das Malvinas (enquanto a Casa Branca apoiou a Inglaterra) em 1982 e se opôs à instalação de quaisquer bases navais de potências extra-regionais no Atlântico Sul, ao formar a ZPCAS em 1985.
AGORA SE EXPLIQUE CURIOSO MOLEQUE ! EU JÁ DISSE QUE O NOME DO PROF. MONIZ BANDEIRA NÃO É PRA ANDAR NA SUA BOCA SUJA, SEU PASPALHO ! COMO TU PODE VER, ELE ADMITE OS FATOS ! ACERTA MUITO MAIS DO QUE ERRA ! É PATRIOTA SINCERO E NÃO LAMBE-SACO DE ESTRANGEIROS IGUAL VOCÊ ! CONHEÇO-O PESSOALMENTE E, PRINCIPALMENTE, CONHEÇO OS LIVROS DELE BEM MELHOR QUE TU ! VOCÊ FOI FEITO PARA CITAR MARX, GUEVARA, STÁLIN E GENTE DA TUA LAIA, NÃO PARA CITAR ACADÊMICOS SÉRIOS COMO ELE !
LACAIO !  | É, o Batista segue até nas palavras a estratégia ianque do "dividir para conquistar": pega alguns trechos do Bandeira que melhor lhe interessam, fora de seu contexto original, para tentar "provar" justamente o contrário da proposta do autor. É uma técnica de "jornalismo" muito utilizada na chamada "confusão programada" promovida pelo espetáculo midiático. Talvez esta entrevista ajude a "encaixar" algumas coisas: http://www.pernambuco.com/diario/2004/03/31/especialgolpede64a10_1.html "Não importa que a esquadra só chegasse no dia 11 de abril. Eles já se preparavam para enviar os suprimentos por via aérea." Ou seja, o negócio não se resume apenas ao fatídico 31 de março de 1964. O apoio logístico dos EUA ao golpe, articulado desde anos antes, não se resume à "operação Brother Sam", singelo fato da qual se baseia a teoria pseudo-patriota da "soberania dos militares brasileiros na derrubada do governo Jango". (...) O Wilian R. disse que a presença dos green berets foi balela do Lacerda. Vindo dele, é provável que tenha sido (mais) um blefe, mesmo. Mas quem "desmascara" o dito cujo?  | Sei que peguei o debate no meio, mas vou entrar. O Curioso citou a entrevista do Brzilo no documentário chamado "Jango", que assisti e comprei. A entrevista tem uma informação que o Curioso omitiu (não sei porque). Brizola diz que ocorreram dois golpes, exatamente desse jeito:
"Eu costumo dizer que ocorreram dois golpes em 1964. Um primeiro conduzido pelo grupo de Minas Gerais sob comando do general Mourão Filho, um movimento patriota e ingênuo que derrubou o governo. O segundo golpe foi dado silenciosamente dias depois, pelo grupo do Csatelo Branco, do Rio de Janeiro, que pôs o Mourão Filho pra escanteio. Esse grupo do Rio era ligado ao embaixador Lincoln Gordon, esse é o grupo que ficou no poder".
Essa descrição do Brizola corrobora em parte a tese do Batista e em parte a do Curioso, que assistiu o documentário e deve lembrar. Reforça a tese do Batista porque admite implicitamente que o Jango foi derrubado por um bando de malucos precipitados sem apoio externo. Porém, reforça a tese do Curioso, que sublinha a ligação de Vernon Walters e o embaixador com o Castelo Branco. Aliás, o Batista mesmo conta no seu penúltimo post que Castelo Branco era porta-voz do setor pró-EUA nas Forças Armadas.  | Pois é, Jô, para seu desgosto existem caras como eu, que teimam em olhar as fontes primárias para checar se o autor diz a verdade ou não. Você citou a entrevista do Moniz Bandeira em que ele diz: "Não importava que a frota só chegasse dia 10 de abril, pois os americanos já haviam decidido enviar apoio aéreo. Isso está no telegrama de Dean Runk ao embaixador". Respondo: não haviam decidido coisíssima nenhuma. Como diz Willian R, Moniz Bandeira mentiu ou acreditou em informações falsas (acredito mais nessa segunda hipótese, pois é um cara íntegro e há muitos historiadores picaretas aí, inclusive amigos dele). E por que digo isso? PORQUE LI O TELEGRAMA DE PONTA A PONTA, que está disponível no site de arquivos desclassificados do governo americano, apontado pelo próprio autor que postou essa matéria: http://www.gwu.edu/~nsarchiv/NSAEBB/NSAEBB118/index.htm Curiosamente, é o mesmo telegrama que o autor dessa matéria botou lá encima, no topo da página. Ele ainda foi desonesto e cortou o documento, deixando à vista somente o primeiro parágrafo (mesmo assim já apontei furos na tese dele lendo esse pequeno trecho, no meu primeiro comentário, lá encima). O telegrama de 31 de março diz com todas as letras que o envio de apoio aéreo só ocorreria "24 a 36 horas após a emissão de ordens finais", o que significa que essas ordens ainda não haviam sido emitidas. Pior ainda: noutro parágrafo Dean Rusk afirma que o envio desta e de outras formas de apoio só seriam possíveis depois que algum dos grupos em luta contra as forças militares pró-Goulart (eles achavam que estouraria uma guerra civil) reunisse condições de legitimidade para exigir formalmente reconhecimento diplomático e assistência dos EUA. Chamo atenção para isso: Rusk se usa a expressão "algum grupo", o que deixa implícito que os americanos apoiariam qualquer grupo que derrubasse o governo, sem querer saber quem eram os caras. Ele usou o plural ("grupos") e o sujeito indeterminado ("algum?). E ainda deixa claro no último parágrafo: "o envio disso tudo exige primeiro o desenvolvimento da situação político-militar". Ou seja, eles estavam se preparando para meter o bedelho na (prevista) guerra civil, mas ainda queriam esperar. Isso em 31 de março, quando o governo Goulart já estava deposto. Americanos são lerdos mesmo. A tradução do telegrama segue abaixo e o original segue anexo, para desespero dos falsificadores de plantão: "Para sua exclusiva informação pessoal, as decisões a seguir foram tomadas para garantir que estejamos em posição de fornecer assistência às forças anti-Goulart em tempo apropriado se eles decidirem fazer isso. 1. Despachar navios-tanque da Marinha dos EUA com POL (petróleo-gasolina) a partir de Aruba, esperando-se que o primeiro navio-tanque chegue a Santos entre 8 e 13 de abril; os três navios-tanques posteriores devem chegar no máximo com um dia de intervalo cada um. 2. Despacho imediato de uma força-tarefa naval para exercícios no Brasil. A força consistirá em um porta-aviões (espera-se que ele chegue na área em 10 de abril), quatro destróiers, dois escoltadores de destróiers, navios-tanque (espera-se que todos cheguem quatro dias depois). 3. Embarcar aproximadamente 110 toneladas de munição, equipamentos de iluminação, incluindo gás para controle de distúrbios, por via aérea para São Paulo (Campinas). A partida deve ocorrer de 24 a 36 horas após a emissão das ordens finais e envolverá 10 aviões cargueiros, seis aviões-taques e seis caças. O descarregamento de POL pelos navios-tanque da Marinha dos EUA (item 1) e o envio dos aviões (item 3) irão requerer primeiro o desenvolvimento da situação político-militar até que algum grupo com razoáveis reivindicações de legitimidade possa pleitear formalmente nosso reconhecimento e nossa ajuda, e se possível de outras repúblicas americanas também. Já o despacho de navios-tanque de Aruba e da força-tarefa naval não implicam nosso envolvimento imediato na situação brasileira e pode ser apresentada como um exercício naval normal". FIM RUSK  Primeira página  Segunda página  | Mas essa discussão toda em torno da imaginário contribuição americana para a Contra-Revolução de 1964 é só cotina-de-fumaça, como gritou o colega "Pauzão" lá encima, pois hoje sabe-se que entre 1961 e 1964 os comunistas brasileiros buscaram ajuda financeira e material de Cuba e China para fazer a revolução no Brasil. Usei livros escritos por eles mesmo para comprovar isso. Esses caras ainda escrevem livros se vangloriando de terem traído o Brasil. Parece até zombaria, como disse o outro lá. Ainda chamam os outros de entreguistas. É a velha tática proposta por Lênin: "Acuse-os do que você faz. Xingue-os do que você é".
O próprio Moniz Bandeira, na entrevista que você citou e cujo link deixou disponível, admite com todas as letras que Goulart perdeu apoio militar em virtude da quebra da hierarquia nas Forças Armadas (levantes dos marinheiros e dos sargentos), o que fez os indecisos se inclinarem para o lado dos conspiradores acreditando que aquilo era um prenúncio da comunização do Pais. Portanto, eles não aderiram aos conspiradores em razão de alguma ordem do Tio Sam, como quer fazer crer a esquerda colonizada. Nas palabras de Bandeira:
"A maior parte das Forças Armadas já inflectira contra o governo, em virtude da quebra da disciplina e da hierarquia nas Forças Armadas, com os levantes dos sargentos e marinheiros".
E NUNCA É DEMAIS RECORDAR OS FATOS A SEGUIR, COMPROVADOS E CONFESSADOS PELA ESQUERDA, QUE O APÁTRIDA PRÓ-IMPERIALISTA CURIOSO NÃO REPETIU E NÃO REBATEU ATÉ HOJE:
A Contra-Revolução foi provocada pela convicção, predominante em estratos cada vez mais amplos do oficialato militar, de que o País estava à beira de uma revolução comunista. Se essa percepção era correta ou se era uma paranóia dos fardados, discutirei adiante. Em 1961-1964 as esquerdas estavam divididas quanto ao caminho a seguir para comunizar o País. Basicamente eram dois grupos:
(1) Os comunistas partidários da tese "etapista", segundo a qual primeiro deveria ser feita a aliança "nacional e libertadora" com setores burgueses e inclusive nacionalistas de direita para posteriormente, após a vitória contra os "entreguistas", descartar os aliados reformistas e fazer a revolução proletária. Estavam sobretudo no PCB e no CGT.
(2) Os comunistas partidários da tese "foquista", segundo a qual seria possível queimar a etapa "nacional e libertadora" partindo para a guerrilha rural nos moldes castristas e maoístas, rejeitando outras forças "progressistas". Estes últimos provinham sobretudo do PC do B (que nasceu da cisão provocada por Maurício Grabois e outros no PCB em 1962) e das Ligas Camponesas.
As Ligas Camponesas nasceram no final dos anos 50 em Pernambuco sob liderança do advogado trabalhista Francisco Julião. Inicialmente elas não sofriam "contaminação" ideológica e se limitavam a lutar por direitos imediatos dos camponeses sem um conteúdo político maior, sobretudo contra a prática do "cambão", que dava coloração quase feudal às relações trabalhistas na região. De Pernambuco se espalharam pelo restante do Nordeste, fizeram sucesso, com milhares de conscritos. Após 1961 é que as Ligas Camponesas adquiriram uma conotação ideológica mais carregada, pois Francisco Julião se encantou com a Revolução Cubana, viajou a Havana com outros líderes regionais das Ligas e passou a acreditar que as Ligas seriam o instrumento de luta armada não apenas pela reforma agrária, mas pelo socialismo, etc. Enfim, o sujeito pirou e achou que poderia repetir no Brasil a "epopéia de Sierra Maestra" (diga-se de passagem que essa ilusão se repetiu em muitos países da AL). O problema é que Francisco Julião não se limitou às divagações e passou à ação, o que coincidiu com a iniciativa de Fidel de "exportar a revolução" (traduzida naquele chavão dos anos 60: "Um, dois, três, muitos Vietnãs!"). O apoio de Cuba ao projeto da luta armada começou no Brasil em fins de 1961 com a montagem de "campos de treinamento" em fazendas espalhadas no Nordeste e no Centro-Oeste. Para isso, Julião e outros líderes das Ligas contaram com o apoio de Clodomir de Morais, dissidente do PCB que discordava da tese "etapista" adotada no V Congresso do Partido, em 1960. Abro aqui um parêntese: quem conta isso é o próprio Clodomir de Morais em depoimento dado à historiadora Denise Rollemberg, petista e professora da UFRJ. Tudo está no primeiro capítulo do livro "O apoio de Cuba à luta armada no Brasil" (Ed. Mauad, 2001). Fecho parênteses. Pois bem, com Clodomir Morais deu-se início à formação dos campos de treinamento de guerrilhas no Brasil com o apoio de Cuba. O momento coincidia com o fim do governo Jânio Quadros, e o início do governo Goulart. O apoio de Cuba se concretizou na implantação desses campos, na verdade, fazendas compradas, em Goiás, Acre, Bahia e Pernambuco, formados por alguns camponeses e, em sua maioria, estudantes secundaristas e universitários vindos de Pernambuco. Apesar do fluxo constante de lideranças e militantes a Cuba, o treinamento foi dado majoritariamente no Brasil. Clodomir Morais e mais 11 membros das Ligas, alguns dissidentes do PCB, cursaram guerrilhas em Cuba entre 28 de julho e 20 de agosto de 1961, com mais 40 latino-americanos, numa viagem a pretexto de participar das comemorações do 26 de julho. Em fins de 1962, o Serviço de Repressão ao Contrabando, por acaso, desbaratou o plano de formação de um campo de treinamento das Ligas, no interior de Goiás, Dianópolis. Pensando se tratar da entrada ilegal de eletrodomésticos, o Serviço encontrou armas, bandeiras cubanas, retratos e textos de discursos de Fidel e de Francisco Julião, manuais de instrução de combate, além dos planos de implantação de outros futuros focos de sabotagem e uma minuciosa descrição dos fundos financeiros enviados por Cuba para montar o acampamento e todo o esquema de sublevação armada das Ligas Camponesas noutros pontos do País. Essa informação consta do depoimento dado pelo comunista Fernando Tavares, também no referido livro de Denise Rollemberg (Fonte: ROLLEMBERG, Denise. "O apoio de Cuba à luta armada no Brasil". Rio de Janeiro: Ed. Mauad, 2001, pp. 11-26). Abro aqui outro parêntese: a montagem dos campos de treinamento ainda em 1961 - antes, portanto, da Contra-Revolução de 1964 - desmonta aquela tese esquerdista segundo a qual a guerrilha só surgiu porque havia uma ditadura, etc. Mentira, a luta armada começou a ser preparada bem antes. Portanto, não era apenas a direita que conspirava contra o regime democrático legalmente constituído. Fecho parênteses.
Já quando se fala na esquerda etapista, convém lembrar que ela se aproveitava da crise econômica (inflação + baixo crescimento) para pressionar o Jango Bundão: o CGT (Comando Geral dos Trabalhadores) promovia dezenas de greves e paredões o tempo todo. Embora não tivesse existência legal (uma vez que a legislação trabalhista impedia formações sindicais horizontais, ou seja, fora de uma mesma categoria profissional), o CGT era, efetivamente, porta-voz do sindicalismo urbano, tanto é que Goulart reconheceu este fato num discurso proferido em 1963. Durante os anos 50 e 60 o PTB foi perdendo espaço dentro do CGT para o PCB, que estava na ilegalidade desde 1947 e desde então priorizava "conquista de espaços" no meio sindical e estudantil. Na medida em que os líderes do CGT desposavam a tese "etapista", davam apoio a João Goulart e pressionavam o Congresso pela aprovação das "reformas de base". A greve de julho de 1962, por exemplo, nada teve a ver com salários, pois pleiteava a nomeação de um ministério "progressista". Depois o CGT se engajou de corpo e alma na campanha pelo fim do Parlamentarismo, revogado em plebiscito. Abro parêntese de novo: todas essas informações estou tirando do livro "O CGT e as lutas sindicais brasileiras: 1960-1964", escrito pelo sindicalista Sérgio Amad Costa, que também é de esquerda (Fonte: COSTA, Sérgio Amad. "O CGT e as lutas sindicais brasileiras: 1960-1964". São Paulo: Editora Grêmio Politécnico, 1981, pp. 54-77). Fecho parênteses. Além das agitações de menor envergadura que ocorriam todo mês, em 1963 veio a famosa greve dos 700 mil, que parou todo o Estado de SP (se hoje uma greve de 700 mil já assustaria, imaginem naquela época, quando o Brasil tinha um terço da população atual). A coisa ficou tão feia que até João Goulart se assustou e em 3 de outubro encaminhou um pedido ao Congresso para que fosse autorizada decretação de estado de sítio, o Legislativo não aprovou. Tanto a esquerda como a direita votaram contra. A direita temendo uma ditadura tipo "república sindicalista" e a esquerda temendo ser "enquadrada" com medidas de exceção de um presidente que se mostrava hesitante na sua marcha com as "forças progressistas". Na verdade, a relação de Jango com os comunistas era bem esquizofrênica: queria usar os comunistas para criar pressões em favor das reformas e os comunistas queriam usá-lo como trampolim na sua manobra "etapista" de Revolução. Até hoje se discute se Jango tramava um golpe também ou não, mas um trecho do discurso dele no famoso comício de 13 de março de 1964 permite entrever essa intenção: "Essa Constituição é antiquada, porque legaliza uma estrutura sócio-econômica superada, injusta e desumana". No mesmo comício, o cunhado dele, Brizola, clamou pelo fechamento do Congresso, aquele maluco. Para piorar, veio outro trapalhão, o Prestes, e num comício junto com o governador de Pernambuco, o socialista Miguel Arraes, soltou essa pérola: "Nós comunistas estamos no poder, mas não estamos no governo". Pronunciamentos desse tipo só serviram para acirrar os ânimos e convencer os militares neutros de que havia uma ameaça comunista. Havia outras organizações esquerdistas menores que as Ligas Camponesas e o CGT, como a AP (Ação Popular, ligada a setores vermelhos da Igreja), mas grave mesmo foi a contaminação do meio militar, com a revolta dos marinheiros em 24 de março. O ministro da Marinha, almirante Souza Motta, ordenou a prisão dos revoltosos, mas o comandante dos Fuzileiros Navais, almirante Moniz Aragão (o famoso "Almirante Vermelho"), em flagrante traição aos princípios da hierarquia e da disciplina, impediu que a ordem fosse cumprida. E o que o Goulart fez? Demitiu o comandante da Marinha e anistiou os insurretos, para não desagradar os vermelhos fardados. Isso tudo está no livro que mencionei. No lugar do Motta, Goulart pôs um almirante indicado pelo CGT ! ! ! Aliás, a infiltração dos comunistas nas Forças Armadas, embora tenha diminuído desde 1935, não era desprezível, tanto é que o PCB chamava seus militares comunistas de Setor Mil (Setor Militar), aludido por Elio Gaspari em seu livro "A ditadura envergonhada". Gaspari, lembremos, foi do PCB na juventude (Fonte: GASPARI, Elio. "A ditadura envergonhada". São Paulo: Ed. Companhia das Letras, 2004, pp. 50-56). Tanto é que após 1964 o Exército teve que cortar na própria carne: 1.200 oficiais foram expulsos por envolvimento com os comunistas. Não é tão pouco assim, mesmo para um Exército que tinha 150 mil homens, dos quais cerca de 20 mil eram oficiais. Portanto, quem provocou essa maldita guerra foram vocês comunistas!!! Desde 1961!!! Vocês obrigaram as Forças Armadas a desencadear a Contra-Revolução! E não venham me dizer: "Ah, mas só quem partiu para a guerrilha foram as Ligas Camponesas e o PCdoB, não todos os comunistas". Ora, os comunistas da via "etapista" tentaram fazer de Jango seu marionete e usá-lo como trampolim para a Revolução. Isso está documentado no capítulo 8 das memórias do Luiz Carlos Prestes, ditadas em 1982 a dois jornalistas de esquerda (Fonte: MOARES, Denis & VIANA, Francisco. "Prestes: lutas e autocríticas". Rio de Janeiro: Ed. Mauad, 1997, pp. 199-219). Para que não restem dúvidas, transcrevo abaixo um depoimento de Jacob Gorender, dirigente do PCB em 1964, onde ele admite com todas as letras que os vermelhos chegaram bem perto dos seus objetivos:
"O período 1960-1964 constituiu o ponto mais agudo da luta de classes no Brasil, em que se pôs em xeque a estabilidade institucional da ordem burguesa sob os aspectos do direito de propriedade e da força coercitiva do Estado. Nos primeiros meses de 1964, esboçou-se uma situação pré-revolucionária e o golpe direitista teve, por isso mesmo, um caráter contra-revolucionário preventivo. A burguesia e o latifúndio tinham razões de sobra para agir antes que o caldo entornasse". (Fonte: GORENDER, Jacob. "Combate nas trevas". São Paulo: Ed. Atica, 1987, pp. 66-67)
Devemos discutir FATOS CONCRETOS. Isso são fatos. Aliás, os militares desfecharam a Contra-Revolução apenas quando se convenceram de que não havia outra saída para salvar o País do comunismo. Transcrevo abaixo os depoimentos de alguns deles:
General Antonio Carlos Murici: "Podem acreditar na palavra de um soldado: se João Goulart houvesse permanecido no centro ou até na centro-esquerda, ficando contra os comunistas, ele teria terminado seu mandato" (MURICI, Antonio Carlos. "Os motivos da revolução brasileira". Curitiba: Ed. UFPR, 1964, p. 15)
General Olimpio Mourão Filho: "Aquele comício dos sargentos foi um escândalo! Um presidente da República deixa o Palácio e vai discursar aplaudido por comunistas empunhando bandeiras com foice e martelo! E pior: montaram o palanque nas barbas do Ministério da Guerra! Foi o fim da picada!" (FILHO, Olimpio Mourão. "Memórias: a verdade de um revolucionário". Rio de Janeiro: Ed. José Olympio, 1978, p. 351)
General Agnaldo Del Nero: "Goulart, entretanto, acabou caindo. Sua queda não se deveu às reformas de base que desejou implantar. Elas eram necessárias e na maioria justas, tanto é que a Contra-Revolução de 1964 as acolheu e, a seu modo, as implementou. Goulart caiu por causa das alianças e estratégias a que se submeteu". (DEL NERO, Agnaldo. "A grande mentira". Rio de Janeiro: Ed. Bibliex, 2005).
General Carlos Alberto da Fontoura: "O Jango tinha um coração enorme, era capaz de tirar o casaco para dar ao senhor. Agora, para presidente da República não dava. Sem dúvida era bondoso, mas se deixava manobrar pelos comunistas". (FONTOURA, Carlos Alberto. Carlos Alberto da Fontoura - depoimento, 1993. Rio de Janeiro, CPDOC, 2005. 128 p. dat.)
Já sei até o que alguns aqui vão responder diante dos quatro depoimentos que transcrevi acima. "Ah, mas são depoimentos dos próprios protagonistas militares, não dá para confiar 100% na sinceridade deles". Pois bem, então transcrevo a análise de José Murilo de Carvalho, que era militante da Ação Popular e confirma a veracidade do que disseram os quatro generais acima:
"Os conspiradores militares tinham grande dificuldade em convencer os colegas fardados da necessidade de derrubar o presidente. Havia um legalismo inercial nas Forças Armadas. Para qualquer oficial, envolver-se em ação golpista comportava um grande risco, pois o fracasso da aventura significaria o comprometimento definitivo da carreira. Excluindo-se os radicais à esquerda e à direita, a maioria dos militares permanecia encima do muro (...). Porém, o discurso exaltado do presidente diante dos sargentos e marinheiros em 30 de março era tudo o que faltava para que os conspiradores militares conseguissem apoio da maioria de oficiais que hesitava em aderir aos seus planos. Corroer as bases da hierarquia e da disciplina era inaceitável para qualquer oficial, mesmo para os que apoiavam as reformas de base (...). O presidente fazia tudo o que seus inimigos pediam a Deus que ele fizesse para facilitar o golpe". (Fonte: CARVALHO, José Murilo. "Forças Armadas e política no Brasil". Rio de Janeiro: Ed. Jorge Zahar, 2005, pp. 121, 122, 124)  | No comentário das 18:44 o Curioso disse que o tal de Vernon Walters era agente da CIA em 1964. Depois, quando o Batista provou que não era, Curioso passou a dizer que ele era "assessorado pela CIA" no comentário das 22:58. Hahaha. Esse CU-rioso é uma comédia, toda vez que o Batista lhe arranca as penas, ele veste outra fantasia, vai inventando. Eu dô risada desse ator fracassado.
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