O Alfabeto

O esperanto utiliza o alfabeto latino, sendo constituído de 28 letras. Por ser um alfabeto fonético, a cada letra corresponde um único som. Portanto, há 28 sons em esperanto. Não há dígrafos. A acentuação tônica é regular, recaindo sempre na penúltima sílaba. O número de sílabas de uma palavra é determinado pelo número de vogais. As vogais são as mesmas do português: a, e, i, o, u.

A Gramática

A gramática é simples e regular, não apresentando exceções. Todo substantivo termina pela letra "o" e todo adjetivo pela letra "a". O plural dos substantivos e dos adjetivos faz-se, regularmente, pelo acréscimo de uma letra. O advérbio derivado termina pela letra "e". Só há uma única conjugação verbal e os verbos, no infinitivo, terminam em "i"; no presente, em "as"; no passado, em "is"; no futuro, em "os"; no condicional, em "us" e no imperativo, em "u". Isso em todas as pessoas, pois o pronome é quem irá indicar a pessoa em que o verbo se encontra. O artigo definido é único: "la" (o,a,os,as). A partir de numerais básicos, todos os demais são formados regularmente. Há palavras específicas para indicar advérbios, preposições, conjunções e interjeições.

O Vocabulário

O vocabulário do esperanto é internacional e oriundo dos principais idiomas modernos: 60% dos radicais provêm das línguas neolatinas (francês, italiano, etc.); 30% do inglês e do alemão e 10% dos demais idiomas.
Além disso, existe um sistema de prefixos e sufixos, de significados constantes, que, acrescidos aos radicais, diminuem, em muito, o tempo de aprendizado do idioma.

A Academia de Esperanto

O uso do idioma é controlado por uma Academia de Esperanto, reunindo os mais consagrados conhecedores da língua, que procuram, através de resoluções, disciplinar o seu uso, bem como esclarecer dúvidas, porventura, existentes.

A História do Esperanto

A língua internacional Esperanto foi concebida por Lázaro Luiz Zamenhof. Filho de judeus, Zamenhof nasceu numa pequena cidade da Polônia, denominada Bialistoque, em 15 de dezembro de 1859.
Naquela época, a Polônia encontrava-se sob o domínio russo. Para melhor subjugar, os russos adotavam a tática do "dividir para reinar", estimulando o choque de ódios raciais, religiosos e nacionais, entre os diversos grupos que viviam em solo polonês. Assim, polacos, lituanos, judeus e alemães detestavam-se mutuamente e viviam a digladiar-se pelas ruas da cidade. Nesse clima Zamenhof cresceu e viveu sua infância.
Desde criança, ele acalenta a idéia de criar uma língua, através da qual as pessoas de sua cidade pudessem se entender. Talentoso, Zamenhof aprende vários idiomas e, ainda ginasiano, elabora a "lingwe universala", aquela que viria a ser a predecessora do esperanto. Num dia de 1878, Zamenhof comemora, com alguns colegas de turma, o nascimento daquele idioma. O pai, porém, preocupado com o futuro do filho, faz com que ele se comprometa a deixar de lado o seu idioma, a fim de empenhar-se nos estudos. Tempos depois, Zamenhof vai para Moscou estudar Medicina.
Num de seus retornos, de férias, à casa paterna, Zamenhof tenta localizar seus manuscritos e não os encontra. Indaga à mãe sobre o assunto que, constrangida, informa que o pai os queimara. A partir deste fato, Zamenhof julga que não deve mais manter seu antigo compromisso com o pai, uma vez que este não fora correto ao tomar a decisão de queimar seus papéis. Assim, pacientemente, passa a reconstruir todo o seu idioma. Testa-o de todas as maneiras. Traduz grandes obras da literatura mundial. Procura aproximar sua sonoridade ao italiano, na época, a língua mais adequada para o canto.
Finalmente, em 26 de julho de 1887, com o auxílio financeiro de seu futuro sogro, Zamenhof lança o esperanto para o mundo. E faz isso através de um pequeno livro, em russo, que contém o alfabeto, as 16 regras gramaticais, alguns textos de leitura, em prosa e em verso, e um vocabulário. Seguem-se, no mesmo ano, edições em polonês, alemão e francês. A língua ganha seus primeiros adeptos, sendo fundados os primeiros clubes para o cultivo do idioma. Editam-se as primeiras revistas e surgem também livros escritos diretamente em esperanto e traduções de obras de línguas nacionais.
Em 1905, ocorre em Boulogne-sur-mer, na França, o primeiro Congresso Mundial de Esperanto, onde quase um milhar de pessoas se confraternizam e utilizam o idioma em toda a sua plenitude. O interesse pelo esperanto cresce. Sucedem-se, anualmente, outros Congressos Mundiais.
Em 1914, porém, a deflagração da 1ª Guerra Mundial interrompe a expansão do movimento esperantista. Zamenhof falece, em Varsóvia, a 14 de abril de 1917. Finda a guerra, o esperanto consegue retomar suas posições anteriores, mas volta a perdê-las com a eclosão da 2ª Grande Guerra. Hitler devota-lhe ódio mortal. Proíbe manifestações esperantistas na Alemanha e nos países por ela subjugados. Persegue, encarcera e manda matar esperantistas. Na Polônia, a família Zamenhof é dizimada. Stálin, por sua vez, faz o mesmo na Rússia e países satélites. Na China e no Japão, o esperanto sofre perseguições semlhantes.
O fim da 2ª Guerra Mundial permite uma nova reorganização do movimento, que renasce em muitos países da Europa. A UNESCO, em sua Assembléia Geral, realizada em 1954, na cidade de Montevideo, reconhece o valor do esperanto para a educação, a ciência e a cultura. Com o degelo político, ressurge o movimento esperantista nos países da Europa central e na União Soviética. Em 1959, o centenário de Zamenhof é condignamente comemorado no mundo inteiro. Nos anos seguintes, o idioma expande-se por todos os continentes e, em 1985, através de nova Resolução, a UNESCO recomenda a todos os Estados-membros apoiarem integralmente as comemorações do centenário do esperanto, que ocorre em 1987.

O Mundo do Esperanto

Como qualquer língua, o esperanto é utilizado por uma comunidade, cujos integrantes se denominam "esperantistas". Mas, diferentemente da maioria dos idiomas nacionais, os usuários do esperanto não têm uma base física definida, podendo ser encontrados em todos os quadrantes da terra.
Geralmente, nas principais cidades de cada país, os esperantistas se reúnem em clubes. Aí, o idioma é ensinado e cultivado. Promovem-se cursos para o público em geral. Informa-se à imprensa sobre as últimas conquistas do esperanto. Organiza-se uma biblioteca e, regularmente, realizam-se reuniões culturais, onde a língua é plenamente utilizada. Segundo o Anuário do Ano 2000, da Associação Universal de Esperanto, existem, atualmente, clubes de esperanto em cerca de 1000 cidades de 100 diferentes países nos cinco continentes.
Outrossim, em cada país, há uma entidade de esperantistas, geralmente denominada "liga" ou "associação", cuja principal incumbência é apresentar a comunidade a nível nacional. Essas associações procuram coordenar os trabalhos de divulgação do idioma, mediante uma ação conjunta com os clubes locais. Entre suas atividades normais, destacam-se a edição de um periódico, destinado a veicular informações sobre os progressos do movimento, e a organização de congressos nacionais, onde são discutidos os principais assuntos ligados à expansão do idioma, bem como são realizados eventos culturais, onde a língua é plenamente utilizada. De acordo com o Anuário do Ano 2000, da Associação Universal de Esperanto, existem, atualmente, associações nacionais de esperanto em 95 dos 193 diferentes países dos cinco continentes (e esperantistas avulsos em outros 10).
Além das associações nacionais, existem também as associações especializadas. Essas associações reúnem especialistas de um mesmo campo de atividades e têm como principais objetivos desenvolver o vocabulário técnico do idioma, bem como divulgar o esperanto entre os profissionais da área. Em geral, essas instituições publicam revistas e livros sobre assuntos de sua especialidade, bem como realizam congressos internacionais de seus filiados. Segundo o Anuário do Ano 2000, da Associação Universal de Esperanto, existem, atualmente, 86 associações especializadas, abrangendo os mais diferentes campos de atividades tais como Agricultura, Arte, Astronomia, Economia, Educação, Direito, Jornalismo, Medicina, Música etc...
Por outro lado, a nível mundial, existe uma organização conhecida pela sigla UEA (Universala Esperanto-Asocio = Associação Universal do Esperanto), com sede em Rotterdam, na Holanda, constituída de sócios individuais e coletivos (associações nacionais e associações especializadas). Entre suas inúmeras atividades, destacam-se:
a edição mensal de uma revista denominada "Esperanto";
a edição de um anuário (Jarlibro), que reúne as principais informações sobre o movimento esperantista;
a organização, anualmente, de um Congresso Mundial de Esperanto, reunindo milhares de participantes do mundo inteiro;
a manutenção de um serviço de venda de livros e de material áudio-visual;
a edição de obras literárias e científicas;
a representação da comunidade esperantista junto a organismos internacionais (ONU, UNESCO etc...).
Finalmente, a Juventude Esperantista também se reúne em uma Associação denominada "Tutmonda Esperantista Junulara Organizo" (Organização da Juventude Esperantista Mundial). Conforme o Anuário do Ano 2000, da Associação Mundial de Esperanto, existem 51 Juventudes Esperantistas, a nível nacional.

As Aplicações do Esperanto

Como qualquer idioma, o esperanto tem inúmeras aplicações, tanto na forma oral, como escrita. Vejamos algumas delas:

Correspondência: Através do esperanto, qualquer pessoa pode fazer amigos em todas as partes do mundo. Muitas revistas mantém seções especializadas, onde são publicados endereços de todos aqueles que desejam estabelecer relações de amizade através da correspondência. A Associação Universal de Esperanto também mantém um serviço especial que cadastra endereços de interessados.
Periódicos: Regularmente, são publicados mais de uma centena de periódicos em esperanto. A maioria é constituída de órgãos oficiais de associações nacionais, que veiculam notícias sobre o progresso do esperanto. Editam-se também revistas de caráter geral, contendo artigos sobre fatos da atualidade, assim como revistas técnico-especializadas, geralmente órgãos oficiais de associações profissionais, abordando os mais variados assuntos, tais como, ciência, jornalismo, astronomia, medicina etc...
Literatura: Já existe uma vasta literatura em esperanto, tanto original, como traduzida, constituída de dezenas de milhares de títulos. São obras em prosa e em verso. Não só traduções de grandes obras da literatura mundial, oriundas dos principais idiomas modernos, como também grandes obras de pequenas nações, cujas línguas são de pouca ou nenhuma expressão internacional. A literatura técnica e científica, embora em menor escala, também abrange diversos campos. Inúmeras revistas não só noticiam o aparecimento de novos livros, como também publicam resenhas literárias.
Material Áudio-Visual: Também é encontrado um variado sortimento de material áudio-visual em esperanto (discos e fitas), com gravações de músicas, poemas e outras manifestações artísticas, originais ou traduzidas das mais variadas culturas.
Programas de Rádio: Uma dezena de estações de rádio de diferentes países mantém transmissões regulares de programas em esperanto. Algumas transmissões são diárias, outras semanais. Quantos aos assuntos focalizados, variam desde informações de caráter geral a assuntos ligados à cultura de cada país em particular. Os periódicos esperantistas publicam, regularmente, a relação das estações de rádio com os respectivos dias, horários e freqüências.
Congressos e Encontros Internacionais: Durante o ano inteiro, são realizados mais de uma centena de congressos e encontros internacionais, nos quais a única língua oficial é o esperanto. Esses congressos podem reunir especialistas de determinado campo de atividade, assim como milhares de pessoas em encontros de caráter geral. A realização desses eventos, com informações sobre locais e datas, é noticiada pela imprensa esperantista.
Viagens Internacionais: Quando em viagem, o esperantista pode utilizar a estrutura do movimento a seu favor, seja estabelecendo contatos individuais com os esperantistas espalhados pelo mundo inteiro, seja visitando os clubes existentes nas principais cidades de cada país, seja hospedando-se, gratuitamente, em casas de esperantistas, filiados ao programa denominado "Pasporto" ("Passaporte").
Internet: Desde o advento da Internet, o esperanto vem sendo amplamente utilizado nesse meio de comunicação. Através de listas de discussões, há um rico intercâmbio de idéias e de cultura entre os participantes dos mais diferentes países, por meio do esperanto. Atualmente, segundo conceituados provedores de busca, há milhares de sítios que tratam do esperanto.

Opiniões sobre o Esperanto

Antoine Meillet (lingüista francês):" A possibilidade de instituir uma língua artificial fácil de aprender e o fato de que tal língua é utilizável estão demonstrando na prática. Toda discussão teórica é vã: o Esperanto funcionou".

Ghandi (líder nacionalista indiano): "Sou favorável a um calendário unificado, da mesma forma que advogo um só valor monetário para todos os países e uma língua auxiliar mundial, como é o Esperanto, para todos os povos".

Olavo Bilac (poeta brasileiro): "O Esperanto é uma língua simples, harmoniosa e dúctil".

Tolstoi (romancista russo):"Os sacrifícios que fará o homem do nosso mundo europeu, consagrando algum tempo ao estudo do Esperanto, são tão pequenos, e os resultados que podem advir são por tal forma grandes, que ninguém pode recusar-se a fazer essa experiência".

Upton Sinclair (escritor americano):"...Deixai-me mencionar que são necessários anos para aprender a ler o inglês, ou o francês, ou o alemão, ou o russo; mas uma pessoa de intuição média chega a compreender o Esperanto em três ou quatro semanas".

Texto extraído do livro "Esperanto - Língua Internacional Neutra Auxiliar - 2ª Edição
Editora: Societo Lorenz

Endereços Úteis

Internacional

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Nieuwe Binnenweg 176
3015 BJ Rotterdam
Tel. 31 10 436 1044
 uea@inter.nl.net
 http://www.uea.org

Nacional

Liga Brasileira de Esperanto
Ed. Venâncio III, sala 307
Setor de Diversões Sul
Caixa Postal 03625
70084-970 Brasília, DF
Tel.(0xx61)226-1298
 bel@esperanto.org.br
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No RJ

Rio de Janeiro

Kultura Kooperativo de Esperantistoj
Av. 13 de Maio, 47 sobreloja 208
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20031-000.
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Rua Silva Cardoso 673
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Trav. Olegário 10
Sepetiba. Rio de Janeiro - RJ
23530-010

Esperanto-Grupo Lumo kaj Vero
Rua Vitor Alves 226
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23080-180

Esperanto-Grupo Pachoro
Rua Primeira 258
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23515-180