O fato aconteceu quando os trabalhadores perceberam que um grupo de seguranças retirou a bandeira hasteada, chegando a atirar na mesma, que se encontrava dentro do assentamento, próximo a divisa da área da empresa. Ao se aproximarem do local os agricultores foram ameaçados pelos seguranças armados. Após o episódio outros seguranças foram flagrados dentro do lote de uma família, efetuando diversos disparos e ameaçando, inclusive crianças. Os assentados registraram Boletim de Ocorrência na delegacia do município.



Desde de que os camponeses da Via Campesina desocuparam a área, a transnacional mantém cerca de 20 homens fortamente armados no local. Segundo os agricultores alguns pistoleiros são os mesmos que atuaram arbitrariamente num despejo de famílias do MLST em Lindoeste, há mais de dois meses, sob a coordenação da Sociedade Rural do Oeste do Paraná.



As 70 famílias que ocuparam a área de 144 hectares da Syngenta para denunciar o plantio ilegal de soja e milho transgênicos, há 16 meses, saíram do local, no último dia 18, se deslocaram para o assentamento Olga


Benário.

A desocupação não significa o fim da luta. Os camponeses continuam lutando para que o local seja transformado num Centro de Ensino e Pesquisa em Agroecologia. E para que a empresa pague a multa de R$ 1 milhão, que recebeu do Instituto Brasileiro de Meio Ambiente e Recursos Naturais Renováveis (Ibama), por não possuir licenças ambientais para realizar experimentos com transgênicos dentro da zona de amortecimento do Parque Nacional do Iguaçu.



A ocupação campo de experimento tornou os crimes da Syngenta conhecidos em todo o mundo e o acampamento Terra Livre, recebeu a solidariedade internacional de mais de 370 organizações e dezenas de cientistas e outras personalidades.



No entanto, a empresa e a mídia paranaense vem promovendo uma campanha de criminalização contra a Via Campesina, com acusações de destruição e crime ambiental na área da transnacional. O que não condiz com a realidade, pois desde que chegaram na área, os camponeses transformaram o cenário do local, trabalhando na recuperação do solo contaminado pelos transgênicos e restabelecendo a biodiversidade, com a produção de sementes crioulas, em sistemas agroecológicos. Só este ano foram plantados 78 hectares, dos quais 25 toneladas de mandioca ficaram no local, devido as fortes chuvas que impediram a colheita.



Também foram plantadas mais de 3.000 mil mudas de árvores nativas no local. A Via Campesina espera que a Syngenta não destrua o reflorestamento já que a existência destas árvores inviabiliza o cultivo de transgênicos, e a legislação ambiental proíbe seu corte.



A Via Campesina ingressou com vários recursos judiciais junto aos tribunais superiores para tentar garantir a permanência dos camponeses no local, mas a maioria das ações, ainda está tramitando na justiça.



Via Campesina