A cidade de Porto Alegre presenciou hoje, durante o Fórum Social Mundial, a marcha contra o ALCA (acordo de livre comércio entre as américas). Ela contou com a presença de diversos movimentos sociais do Rio Grande do Sul e de outros Estados, além da presença de pessoas da Argentina.
O objetivo da manifestação era protestar contra o tratado, que a exemplo do NAFTA, que envolve os EUA, México e Canadá, vai fazer com que os EUA exerçam papel hegemônico entre os países que farão parte. A maioria dos países da América Latina apresentam um baixo poder econômico, o que faria com que as empresas estadunidenses espalhem seus produtos, por causa da ausência de tarifa nas exportações.
O coletivo do CMI de Porto Alegre entrevistou pessoas integrantes dos movimentos sociais que se manifestavam. Perguntamos às pessoas sobre os males que trará a implantação da ALCA. Nessa primeira pergunta, a maioria dos entrevistados respondeu de maneira semelhante. Carlos, do movimento dos catadores de materiais recicláveis, falou que uma das conseqüências do ALCA seria o êxodo rural. Ele comenta que estava na marcha para fazer presença perante o imperialismo estadunidense. Já Antônio, do Movimento Nacional de Luta pela Moradia (MNLM), fala que o ALCA trará desemprego e miséria e convoca o povo para sair a luta. Um dos integrantes do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem-Terra (MST), fala na falência de pequenas empresas, porque traria a garantia do mercado e da produção da grandes multinacionais, comparando a soberania com a colonização. Luis Fernando, da Consulta Popular, de Brasília, também faz tal comparação. Acrescenta que a única liberdade que traria seria para as empresas dos EUA. Ele incentiva o povo a fazer mais discussões sobre o assunto, em suas casas, em seu bairro. Para ele, pequenos agricultores faliriam, assim como as pequenas empresas, além de aumentar a precarização do trabalho. Ao ser perguntado acerca do MERCOSUL, que é um mercado livre entre os países da América Latina, ele diz que este também não cumpriu seu "dever de integrar mais os povos", servindo apenas para os grandes empresários. Paulo, do Movimento dos Trabalhadores Sem-Teto, do Estado do Rio de Janeiro, fala em "neocolonização do Brasil", comparando com a situação do México no NAFTA. Faz um comentário sobre a possibilidade de as empresas poderem processar o governo, quando este cria leis que prejudiquem as empresas. A exploração dos trabalhadores aumentaria, segundo o militante, que propõe que se vá contra o ALCA totalmente, sem negociações, defendendo a solidariedade entre os povos. Quando perguntado, ele não acha que o MERCOSUL seja uma alternativa para o ALCA, porque o Brasil acaba exercendo o papel de soberania. Adriana, do Movimento de Mulheres dos Trabalhadores Rurais, diz que o ALCA vai "detonar" com toda a economia brasileira, atigindo principalmente os pequenos trabalhadores rurais, comparando-a com um monstro. "Essa terra tem dono, como diria Sepé Tiarayu", exclama nossa companheira. Nando, do MLNM, opina que é um projeto criado que não está de acordo com a situação do povo. "O povo novamente foi jogado de lado". Maristela da Argentina, La Plata, comenta também o mercantilismo do EUA. Zenilda do Movimento dos Pequenos Agricultores, do nordeste brasileiro, diz que vai ser o fim de todas as iniciativas dos pequenos agricultores e todos o trabalhadores em geral. O campo e a cidade sofreriam as conseqüências, de acordo com seu depoimento. "Jamais queremos a ALCA". Sobre o MERCOSUL, ela diz que também trouxe prejuízos para o pequeno agricultor. Mariana, do Centro Acadêmico Evaristo da Veiga, da Universidade Federal do RJ, militante do Movimento Estudantil, afirma que será uma manifestação de opressão, a vinda do ALCA. Ela acredita que o MERCOSUL seja uma solução para fazer frente ao imperialismo do já citado país da América do Norte. Gilmar, do MNLM, argumenta que o acordo nunca tratará da questãs social, e convoca a união de todos os povos para a luta contra o livre comércio.
Inevitavelmente houve a tradicional disputa de atenção entre partidos políticos, que ostentavam suas bandeiras em meio aos movimentos sociais. O único destaque foi o Movimento dos catadores de materiais recicláveis, que não estava partidarizado.
Durante a marcha, houve a prisão de vinte pessoas para que nao participassem da manifestação. De acordo com testemunhas, eles foram espancados e torturados.
