"Avalie, dentre os produtos que você consome regularmente, quais podem ser substituídos por similares nacionais ou de países contrários à ofensiva do governo Bush. O bom senso deve ser o principal parâmetro para o boicote." (Idec:  http://www.idec.org.br/paginas/boicote2.asp )

Eu, repassando está notícia, estou usando um microcomputador cujas peças são produzidas, em sua maior parte, por empresas asiáticas (excessão especial para o processador). No entanto, o cérebro do computador, o sistema operacional, é produzido pela norte-americana Microsoft. No entanto, há alguns produtos que talvez eu possa substituir. Por exemplo, vou eliminar a Coca Cola Light que costumo consumir. No Brasil, como o texto do Idec nos lembra, essa forma de pressão ainda é pouco utilizada. Mas esta é uma causa muito importante, penso eu. E tem surtido efeito em diversos países.

Leia também, mais abaixo, o texto "Boicotes funcionam, diz ONG", publicado pela Folha.

Enquanto isso... Coca-Cola lança nova campanha: 'Essa é a real' Essa é a nova assinatura da multinacional americana com a qual o brasileiro vai conviver a partir de segunda-feira, quando a empresa inicia uma agressiva campanha de marketing para mostrar que tem a cara do brasileiro. O País é o terceiro mercado mundial do produto, depois de Estados Unidos e México. Clique para ler está matéria na íntegra:  http://www.estado.estadao.com.br/jornal/03/03/28/news297.html



Idec apóia Boicote pela Paz


A recente invasão do Iraque pelos Estados Unidos tem despertado nos cidadãos de todo o mundo sentimentos de perplexidade e indignação. Ignorando as incontáveis vozes que se opunham à ofensiva militar, inclusive a ONU, o governo Bush partiu para o ataque, como se a supremacia econômica e militar os credenciasse a decidir os destinos da humanidade.


Muitas iniciativas buscam impedir essa barbárie de resultados imprevisíveis, como as manifestações no mundo todo que levaram milhões de pessoas às ruas, em atitude pela paz jamais vista. Mas, além de expressar o repúdio à guerra, o que o cidadão pode fazer para efetivamente contribuir para o seu fim?

A resposta está na maior arma do consumidor: seu poder de compra! O Idec, que há mais de 15 anos luta pelos direitos do consumidor, pela preservação do meio ambiente e pelo consumo sustentável, propõe o Boicote pela Paz. Vamos substituir os produtos americanos por similares nacionais ou de países contrários ao ataque.

O boicote é uma estratégia legítima, que deve ser utilizado pelo consumidor em situações extremas. Nesta situação específica, pode ser a única forma de pressão realmente eficiente diante de uma super-potência com a força dos Estados unidos.

Boicote está na origem do movimento consumerista

O próprio movimento dos consumidores originou-se, em 1891, a partir de uma campanha liderada por donas de casa americanas, que criou uma "lista branca" (uma versão às avessas da lista de reclamações do Procon) para orientar o consumo da população, privilegiando os fornecedores e empresas que respeitassem os direitos trabalhistas.

Na década de 50 os negros americanos dos Estados do Sul, como Alabama,Geórgia, Mississipi etc, só podiam sentar nos bancos traseiros dos ônibus. Um dia uma senhora negra sentou-se num banco da frente e foi agredida e expulsa do ônibus. No domingo seguinte o Reverendo Martin Luther King iniciou um movimento de boicote aos ônibus, que obteve total adesão dos negros. Onze meses depois do início do boicote, durante o qual os negros não andaram de ônibus, os políticos, pressionados pelos proprietários das empresas, votaram uma lei que proibia a discriminação racial nos meios de transporte.

Símbolo maior da resistência pacífica, Gandhi mobilizou o povo indiano inúmeras vezes. Na mais conhecida, a Marcha para o Mar, fez com que milhares de indianos caminhassem 320 quilômetros em direção ao mar para dele extrair o sal de que precisavam, num boicote ao sal monopolizado pelos colonizadores ingleses. Foi preso, mas conseguiu a liberação completa do sal e tempos depois a independência da Índia.

No Brasil, essa atitude ainda é pouco utilizada. Mas já tivemos exemplos bem sucedidos. Em 1979, por exemplo, o movimento das donas-de-casa promoveu um boicote à carne, devido aos altos preços do produto. O movimento conseguiu uma redução de 20% no preço.


O Idec é uma organização não-governamental independente, sem fins lucrativos, mantida por seus associados.

Saiba mais:  http://www.idec.org.br/paginas/boicote2.asp



Grandes anunciantes suspendem inserções para não ter imagem associada à guerra

Empresas cancelam comerciais para se afastar de conflito

Emmanuel Dunand/ France Presse
Protesto antiamericano em McDonald's de Seul (Coréia do Sul)



DA REDAÇÃO

A campanha militar no Iraque e a cobertura intensiva das emissoras americanas de televisão fizeram com que um grande anunciante, a fabricante de carros Nissan, cancelasse seus comerciais em todas as rádios e TVs dos Estados Unidos, informou o jornal britânico "Financial Times".
A fábrica japonesa, que é controlada pela francesa Renault, é apenas a mais recente fabricante de carros a cancelar ou reescalonar seus comerciais.
Honda e Mercedes-Benz cancelaram, na semana passada, todos os anúncios em território americano por sete dias. A Toyota fez o mesmo, só que por tempo indeterminado.
Outras grandes companhias, como o grupo Procter & Gamble e a MasterCard, também suspenderam suas campanhas publicitárias nesta semana.
Durante a Guerra do Golfo, em 1991, as redes de televisão dos EUA mantiveram uma longa cobertura da guerra sem comerciais. Desta vez, elas têm alternado entre a programação regular, com inserções publicitárias, e as reportagens especiais.
"A maioria dos meus clientes diz que não quer estar próximo de histórias da guerra", disse Jean Pool, diretor de operações da Universal McCann, uma grande agência de publicidade norte-americana.
A MasterCard preparou um plano de suspensão das publicidades por sete dias, mas decidiu manter as inserções na transmissão do Oscar, na noite do último domingo, pela rede ABC.
A General Motors, maior anunciante individual dos Estados Unidos, assim como as suas concorrentes Ford e a unidade Chrysler da DaimlerChrysler, no entanto, optaram por manter a programação publicitária, mas continuam monitorando a situação de perto.
Jennifer Flake, porta-voz da Ford, disse: "Nós realmente esperamos que as redes de televisão continuem a priorizar a programação regular na cobertura de guerra. Se decidirem se mover muito para notícias da guerra, não vamos anunciar".
Fred Standish, um porta-voz da Nissan, disse que a companhia estava se assegurando de que seus anúncios não saíssem em seções dos jornais dedicadas à guerra.

Protestos e boicotes
Protestos contra a guerra entre EUA e Iraque estão aparecendo em várias partes do mundo.
No Paquistão, mais de mil manifestantes queimaram bandeiras dos Estados Unidos e da Inglaterra ontem, e consumidores disseram que iriam boicotar produtos americanos.
Um grupo muçulmano da Indonésia, o Movimento da Juventude de Kabah, encontrou o seu próprio jeito de protestar, incitando as pessoas a deixar de assistir aos filmes americanos e ingleses e pedindo a 170 salas de cinema que parem de exibir esses filmes. Um dos principais alvos é "Chicago", ganhador do Oscar de melhor filme.
No Japão, a campanha "Escolha pela Paz" está encorajando boicotes a produtos americanos, que vão dos lanches do McDonald's aos carros da Ford.
O Brasil também tem um movimento organizado contra a guerra, diz Roberto Lenox, coordenador-geral da ONG Aeco Permanente, ligada ao Fórum Social Mundial. Segundo ele, a maioria dos membros do Fórum decidiu que o ataque dos EUA ao Iraque é ilegal. A entidade prepara um abaixo-assinado, que deve ser entregue à embaixadora americana no Brasil, Donna Hrinak, no dia 4 de abril, com manifestações nas principais cidades brasileiras.
Nos EUA, no entanto, os sentimentos são opostos. Um grupo de legisladores americanos quer que um boicote contra os vinhos franceses por causa da oposição da França à guerra. Eles sugeriram um substituto: vinhos produzidos em Washington.




Boicotes funcionam, diz ONG

DA REPORTAGEM LOCAL

Não é possível prever os prejuízos causados aos produtos americanos por causa dos boicotes, mas exemplos mostram que empresas afetadas por esse tipo de comportamento do consumidor sofreram consequências, de acordo com Helio Mattar, diretor-presidente do Instituto Akatu -ONG que defende o consumo consciente.
"Podemos citar o movimento de boicote de americanos à Coca-Cola em 1997, quando a empresa foi acusada de racismo e investiu US$ 1 bilhão em um novo programa de recrutamento", afirmou Mattar.
No entanto, a maior parte dos especialistas em comportamento do consumidor não acredita em consequências econômicas mais graves para as empresas boicotadas. No Brasil, os boicotes devem ser quase insignificantes, segundo o professor de marketing da ESPM (Escola Superior de Propaganda e Marketing), Ismael Rocha: "Marcas americanas famosas, como McDonald's e General Motors, estão há muito tempo no país, e o consumidor brasileiro costuma estabelecer uma relação afetiva com produtos em geral". (ALESSANDRA MILANEZ E MAELI PRADO)