6 de abril de 2003
Invasão de privacidade
Invasores fazem revista humilhante em mulheres iraquianas
A poucos quilômetros de Basra, no sul do Iraque, um bloqueio do Exército norte-americano revista minuciosamente as iraquianas, totalmente vestidas de negro. Envergonhadas e revoltadas com essa invasão de intimidade, as mulheres dizem que não aguentam mais de ter que se submeter a essas revistas para voltar para a própria casa todos os dias.
Além da incômoda presença dos invasores trocando tiros com a população da cidade e com a resistência iraquiana, os habitantes do local enfrentam a falta de água. "Você acredita realmente que eles (os invasores) vieram para nos trazer a liberdade? É claro que não! Estão aqui por causa do nosso petróleo", afirmou a jornalistas Mohammad, um dos moradores do subúrbio de Basra.
Pedem água e recebem metralhadora
De acordo com este engenheiro que trabalha em uma indústria petroquímica da região, os habitantes do sul do Iraque conhecem muito bem os soldados britânicos que cercam a localidade, onde também estão entrincheirados centenas de guerrilheiros. "Eles já estiveram em Basra durante a Primeira Guerra Mundial e o que fizeram? Nos mataram e nos roubaram. Nossos anciãos não esquecem disso".
A poucos quilômetros dali, na estrada que leva de Safwan a Basra, jornalistas viram uma família iraquiana que viaja em um burrito parar para pedir água aos soldados que controlam o caminho, mas mudam de idéia quando os militares lhes apontaram a metralhadora. "Antes dos invasores chegaram, pelo menos tínhamos água", lamenta o pai.
