SCHLUSS MIT LUSTIG -
Tradução: acabou a diversão. Esse é o título do livro que está sendo lançado pela dona da agência de publicidade Mair and Others, de Colônia, Alemanha. O nome dela é Judith Mair. A notícia, que li na revista "Amanhã" (edição 189), diz que Judith está enfurecendo os profissionais de recursos humanos, ao colocar por terra todas as teses que defendem que o ambiente de trabalho deve ser prazeroso. Para começo de conversa, na entrada da agência tem uma faixa que diz: aqui não há lugar para quem pensa que trabalho é bom e divertido.
Numa entrevista à revista Der Spiegel, a publicitária condena o espírito de equipe porque "essa idéia leva os funcionários a pensarem que outra pessoa vai fazer o trabalho deles". E no livro, coloca em detalhes o seu jeito de pilotar o pessoal, como a obrigação de todos desligarem o celular durante o expediente, de limpar a mesa no final da jornada, proibir que as conversas pessoais durante o expediente se estendam por mais de cinco minutos, além de desestimular relações de amizade no ambiente do trabalho.
Em compensação, ela decreta com todas as letras: "Só se trabalha de segunda a sexta-feira das 9 horas às 17h30. É proibido levar trabalho para casa." Dona Judith diz, ainda, que "a confusão entre vida pessoal e trabalho provocada pela mentalidade americana é a principal causa da onda de estresse mundo afora". Pois é, o primeiro impulso é acusá-la de nazistóide, mas se pensarmos um pouquinho, vamos descobrir que o que ela está fazendo, na verdade, é retirar do âmbito exclusivo da atividade profissional a razão de viver das pessoas.
Está acabando com a hipocrisia do "amor à camisa" que, na verdade, morre nas decisões unilaterais de demitir toda vez que o resultado financeiro fica ameaçado. Os milhares de desempregados que despejam currículos no meu e-mail certamente já "amaram" seus locais de trabalho e defenderam os ambientes saudáveis e divertidos onde cumpriam suas funções, sob o olhar sorridente dos patrões.
Juro que eu preferiria mil vezes trabalhar numa empresa que já na entrevista da contratação alertasse: "mensalmente, você receberá um boletim com os resultados da empresa no período; toda vez que o desempenho baixar deste número, haverá demissões e um dos demitidos poderá ser você; portanto, não queremos nem seu amor nem sua amizade, apenas seu empenho de segunda a sexta, das 9 as 18, para que os resultados não fiquem abaixo desse número. Bem-vindo." Pronto.
Então, eu guardaria todo o meu amor e a minha alegria para desfrutar em casa, com minha família; no bar, no restaurante ou na praça, com os meus amigos de outras profissões, cuja afinidade se estabeleceu por motivos não-profissionais; na igreja, no centro comunitário, ensinando analfabetos a ler, universitários a interpretar textos, crianças a apreciar um bom livro; enfim, usaria um tanto da minha energia em favor do meu país, além do meu patrão.
No fundo, dona Judith está dizendo a frase que aparece como título da matéria da "Amanhã": vai ser feliz em casa! Será que não é disso mesmo que a gente está precisando? Descobrir que ser feliz não é receber um elogio do patrão ou do cliente. Ser feliz é ser feliz sem elogio de ninguém. Você ainda consegue?
>
>
