Há dez anos, a nação brasileira e milhões de pessoas em todo o mundo se estarreceram diante da horrenda chacina dos meninos de rua que dormiam ao lado da igreja da Candelária , no centro do Rio de Janeiro. Apenas algumas semanas depois, o assassinato sem sentido de 21 moradores do Vigário Geral, uma comunidade na periferia da cidade, serviu para estabelecer a reputação do Rio como uma das mais violentas cidades do mundo. O choque foi ainda maior quando surgiram evidências de que as duas chacinas haviam sido executadas por membros da Polícia Militar do Rio, os mesmos indivíduos pagos, treinados e equipados pelo Estado para proteger a sociedade do crime e da violência.

Dez anos depois dos massacres, a Anistia Internacional voltou ao Rio, para falar com parentes e representantes dos que morreram, e para refletir sobre a situação de hoje na cidade com organizações de direitos humanos, representantes da sociedade civil e autoridades estaduais. A organização ficou consternada ao descobrir que, embora se acredite que desde então a polícia não tenha cometido nenhum massacre individual das dimensões de Candelária e Vigário Geral, um número crescente de civis desarmados continua morrendo nas mãos da força policial da cidade a cada ano. A Anistia Internacional também documentou provas substanciais de que as comunidades mais pobres da cidade são as vítimas de uma política de policiamento público violenta e discriminatória.