Os estudantes da Unicamp se organizaram contra a disseminação de “doações” do espaço público para iniciativas privadas, que vêm se disseminando sobretudo nestes dois primeiros anos da gestão Brito.
Os estudantes reivindicam o espaço para agregar essa insatisfação em torno de ações para a transformação da universidade e da sociedade. Neste sentido, é importante o debate que realiza os projetos de extensão universitária; sem contar com o apoio institucional (estrutura, financiamento e considerações a respeito da formação dos estudantes e do sentido da universidade), os estudantes envolvidos com a extensão viram esta iniciativa como maneira de dar visibilidade ao processo de privatização da universidade, a qual desconsidera a grande parcela excluída da população brasileira para privilegiar grandes empresas nacionais e transnacionais.
Neste mesmo sentido, congregam-se neste ato pessoas envolvidas nos centros acadêmicos, nos grupos culturais e outras pessoas que se interessam pela efetividade da vivência universitária e pela mudança de rumo no projeto praticado pelos governos e pela atual reitoria em relação à universidade pública.
Participe do espaço: é do uso de todos! Proponha atividades, participe das oficinas, freqüente o espaço. Que o espaço SUBA seja uma porta de entrada para as pessoas que são colocadas à margem desta universidade e para aqueles que estão na universidade e querem transformar este estado de coisas.
Por uma universidade pública de qualidade e de todos, que não vire as suas costas para a realidade brasileira!
SUBAmos todos, para não perder o bonde da história!
(abaixo, o manifesto SUBA; a seguir, a programação da Semana. A programação conta com outras inúmeras atividades, inclusive aquelas que você propor).
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SUBA (Manifesto)
Sociedade e Universidade em Busca de Alternativas
Qual o Sentido da Palavra Público?
Há um bom tempo, o movimento estudantil, em suas mais diversas manifestações, vem questionando nos vários espaços da Unicamp o que seria uma universidade verdadeiramente pública. “Atender aos interesses da sociedade brasileira” é um objetivo suficientemente vago para que quaisquer ações possam ser justificadas.
O que o país precisa?
A atual reitoria acredita em medidas que estreitam os laços com as empresas privadas e a ampliação de cursos pagos como opção mais viável (para não dizer única) para a universidade exercer o seu sentido público. De acordo com esta visão, tais medidas levariam ao desenvolvimento da alta tecnologia e à formação de mão-de-obra qualificada para o mercado de trabalho, contribuindo, assim, para o crescimento econômico do país.
Para direcionar a universidade ao desenvolvimento de alta tecnologia em união com as empresas de Campinas, do país e do exterior, diversas ações vêm sendo implementadas ao longo destes dois anos da gestão Brito. Entre estas ações destaca-se a cessão de espaços na Unicamp para empresas com vistas a estreitar as relações universidade-empresariado; daí a existência da sala Ajinomoto, na FEA, e da sala Microsoft, no IC ( neste caso a empresa tem o direito de definir como será utilizado este espaço), além de outras instituições privadas que se instalam no campus (lanchonetes, bancos e até uma instituição de ensino), o exemplo mais recente é o do Colégio Integral, que alugou com exclusividade a FEF por um domingo.
Os gestores da Unicamp concentram esforços na promoção de cursos pagos, deixando à margem a extensão, uma parte do tripé do modelo brasileiro de universidade: ensino-pesquisa-extensão. Neste sentido, as iniciativas da organização estudantil são desconsideradas, ou até barradas pela reitoria. São impostas barreiras para o repasse de verbas aos Centros Acadêmicos, e as festas, que poderiam ser espaços públicos de encontro e diálogo em vistas de pensar nossa atuação, foram proibidas autoritariamente.
Os problemas deste caminho:
Com certeza a via pensada pela atual gestão da Unicamp define um caminho para a universidade pública brasileira. Contudo, esta proposta de universidade mostra-se extremamente restritiva ao abraçar apenas uma pequena fração da sociedade brasileira, relegando a maior parte da população ao completo alijamento do universo acadêmico. Será que a reitoria está no caminho certo, e a exclusão de dois terços da população brasileira deve ser o preço necessário a ser pago para o desenvolvimento do país? Acreditamos que não, e que a universidade poderia deixar de ser um grande problema para fazer parte de uma grande solução, se colocasse um outro caminho em sua pauta.
Parcela desta via foi pensada dentro do Plano Nacional de Extensão assinado em 1998, do qual a Unicamp faz parte. Dentro do modelo de Universidade Cidadã, a prática pedagógica é um processo educativo, cultural e científico que viabiliza a relação transformadora entre Universidade e Sociedade. A Extensão funciona como uma via de mão-dupla (universidade-sociedade) na produção do conhecimento, promovendo uma troca de saberes sistematizados (acadêmico e popular) e tendo por conseqüências: a produção do conhecimento com base nas realidades brasileira e regionais; a democratização do conhecimento acadêmico; a participação efetiva da comunidade na atuação da Universidade. Além de instrumentalizadora deste processo dialético de teoria/prática, a Extensão é um trabalho interdisciplinar que favorece a visão integrada do social.
E o que o SUBA tem a ver com isto?
Todo este conceito de universidade que acabamos de explicitar leva a reflexões maiores sobre a utilização dos espaços públicos na universidade e sobre a relação desta com outros segmentos da sociedade. A ocupação do espaço que agora denominamos SUBA (Sociedade e Universidade em Busca de Alternativas) visa mostrar todo este contingente propositadamente deixado de fora pela reitoria, pelos governos e pelo sistema, que buscam nos impor como natural a sua lógica. Tudo isso afeta a formação de estudantes, numa universidade que não privilegia a formação de sujeitos críticos na leitura e na ação em relação à sociedade da qual participam.
A utilização dos espaços de uma universidade deveria ser no sentido de eliminar as barreiras que separam o universo acadêmico do externo, promovendo ampla integração entre estas partes e permitindo a disseminação das diversas formas de conhecimento. A relação com outras formas de organização da sociedade (movimentos sociais e outros grupos organizados) deve ser promovida de forma a permitir que não somente as grandes empresas tenham acesso a esta integração.
A atual gestão da reitoria vem se negando a dialogar sobre os rumos que a Unicamp está tomando. A ocupação do SUBA vem tornar pública a hipocrisia desta gestão. Lutamos pela conquista de um espaço que congregue as insatisfações para que possamos avançar em ações que modifiquem o atual estado de coisas. Lutamos também por outras formas de estrutura, financiamento e reconhecimento que possibilitem um novo pensar sobre a universidade e a sociedade. Afinal de contas, como disse o próprio reitor da Unicamp, Carlos Henrique de Brito Cruz:
“A Universidade é o lugar da liberdade acadêmica e do desenvolvimento do conhecimento, exigindo por isso propostas capazes de motivar e estimular a comunidade acadêmica a participar cada vez mais da definição dos destinos da instituição” (em “Bons tempos para Unicamp”. Página 1).
SUBA- Sociedade e Universidade em Busca de Alternativas (20 de Outubro de 2003)
Apoio: Grupo Aberto de Extensão Universitária; Projetos de Extensão Universitária; Bateria Pública; BioArt; Campanha Nacional contra a ALCA - Comitê Unicamp; Cinematographo; Comissão de Cultura, Esporte e Lazer do DCE; Diversidade - Grupo Pela Livre Expressão da Sexualidade Humana; GPSL - Grupo Pró Software Livre; Grupo de Flautistas; Espaço Cultural da Mogiana/Guanabara; Núcleo pela Reforma Agrária "Carlos Marighella"; Pastoral Universitária; Ponte Pra Lua (Pirofagia); DCE Unicamp - Diretório Central dos Estudantes; CAB, CACH, CACT, CACo, CAEA, CAECO, CAEF, CALL, CAIA, CAP e outros centros acadêmicos da Unicamp.
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PROGRAMAÇÃO SUBA:
SEMANA DE 20 A 26 DE OUTUBRO / 2003
SEGUNDA
18h00 - Bateria Pública
21h00 - Debate: Espaço Público
TERÇA
07h30 - Café da manhã
09h00 - Oficina: Cursinho da Moradia
12h00 - Assembléia Geral dos Estudantes
14h30 - Oficina: Mano a Mano
18h00 - Debate: Educação Popular / Paulo Freire
20h00 - Filme Cinematographo: "Esta noite é minha" (89 min.)
22h00 - Avaliação do dia
QUARTA
07h30 - Café da manhã
09h00 - Oficina: Imprensa e Sociedade
12h00 - Enterro da Unicamp
14h30 - Oficina: Confecção de fantasias
18h00 - Debate: Bolsa-extensão
20h00 - Filme DCE e Núcleo Reforma Agrária: "Visões sobre o 11 de setembro" (121 min.)
22h00 - Avaliação do dia e Roda de Capoeira
QUINTA
07h30 - Café da manhã
09h00 - Oficina: Software Livre
12h00 - Carnaval "Ressurreição da Universidade Pública"
14h00 - Oficina: Diversidade Sexual
16h00 - Oficina: Sagarana (Saúde e Educação Popular)
Mostra de filmes na BioArt
18h00 - Debate: Policlínicas e Hospital Universitário
20h00 - Tambor de Crioula
22h00 - Avaliação do dia
SEXTA
07h30 - Café da manhã
09h00 - Oficina: MAP - Movimento Abrindo Portas
12h00 - Oficinas da BioArt / Reunião Ordinária do DCE
14h30 - Apresentação do Grupo de Flautas
16h00 - Mostra de Filmes na BioArt
18h00 - Avaliação Geral: Reunião do SUBA
20h00 - Sarau SUBA / BioArt
SÁBADO
07h30 - Café da manhã
09h00 - Construção de Forno à Lenha
12h00 - Almoço Coletivo
14h30 - Oficina: Grafitagem
19h00 - Evento Surpresa
DOMINGO
09h00 - Conversa do SUBA!
10h00 - Futebol e Vôlei
12h00 - Pizzada Coletiva
14h00 - Grupo de Estudos: Cio da Terra
20h00 - Cine-Clube: Apresentação de filme
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DCE Unicamp - Diretório Central dos Estudantes
Fone: (19) 3788-7042 /
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