| O choque de civilizações ou o fim da história? ( XI ) Por Lauro Monteclaro 06/07/2005 às 21:38 Universalidade e especificidade da cultura ocidental - XI O choque de civilizações ou o fim da história? Desenvolvimento do debate entre as visões de mundo de Samuel P. Huntington e Francis Fukuyama. O colapso político do socialismo real:  A queda do Muro de Berlim Muito se tem especulado, e um sem número de artigos e livros foram escritos, na tentativa de explicar um dos mais inusitados acontecimentos da história da humanidade. Trata-se do completo e total colapso de um império que mantinha seu poderio militar intacto e sua elite formalmente no poder. Isso simplesmente não tem nenhum precedente. Nenhum dos muitos “profetas” da ordem política ou econômica foi capaz de prevê-lo. Os serviços secretos de todo o mundo foram pegos de surpresa. Dizia-se, em tom de galhofa, que os agentes da CIA só perceberam a queda do muro de Berlim, quando alguns tijolos caíram em suas cabeças. Em todos os casos em que impérios se desfizeram, isso decorreu de uma sucessão de derrotas militares, sangrentas guerras civis ou rebeliões em massa que as elites, divididas e decadentes, não tinham mais como controlar. O próprio fim do czarismo ocorreu dessa maneira. A partir daí, surgiram várias hipóteses, algumas baseadas na realidade e outras em puro delírio. A crise seria ou econômica, ou política, ou derivada dos conflitos entre nacionalidades. Mikhail Gorbachev foi visto simultaneamente como herói da liberdade e como reformador desastrado e estrategista incompetente. Outros atribuíam a Margaret Thatcher e a Ronald Reagan a elaboração da estratégia da “vitória” na guerra fria. Em outras palavras, a URSS teria tombado diante da “determinação” dos líderes do “mundo livre” em enfrentá-la. Pura fantasia. Em todos esses casos, analisam-se os problemas estruturais da URSS e não do socialismo em si. A visão estratégica de Henry Kissinger, com sua “Realpolitik” (política “realista”), ensinou a várias gerações de analistas e estrategistas, o conceito de que a URSS era um império como outro qualquer. O socialismo não passava de um sistema de propaganda para justificar os objetivos geopolíticos da superpotência. Acredito, como Fukuyama, que essa idéia estava profundamente equivocada. Ao contrário dos Estados do “mundo livre”, a URSS era de fato o produto de uma experiência política e econômica de cunho iluminista e uma utopia profundamente “ocidental”. Isso significa que a ideologia era um componente fundamental na lógica do sistema. Não se tratava de simples retórica. Então o que de fato ocorreu? Teria havido de fato um colapso econômico e/ou político da União Soviética em si ou do sistema socialista, enquanto ideologia, capaz de sustentá-la? É óbvio que tudo aponta para a segunda hipótese. Em outras palavras, a crise que se abateu sobre a organização social, política e econômica da URSS não foi uma crise do Estado soviético, e sim uma crise irreversível da crença na viabilidade do socialismo. Essa crise se deu a partir das próprias elites do sistema. Isso explica o aparente absurdo de um Estado poderoso “implodir” por iniciativa de seu próprio povo. Para entendermos melhor essa questão, devemos nos ater ao pouco estudado “paradoxo da tecnologia” que se instalou na antiga URSS. Devemos nos lembrar que Vladimir Lênin, Joseph Stalin e Nikita Kruchev obtiveram enormes êxitos em vários sentidos. Além de industrializar o país, derrotar a Alemanha nazista em uma guerra que exigiu enormes esforços de produção industrial e tecnológica, ainda tiveram fôlego para alcançar os Estados Unidos e a Grã-bretanha na corrida nuclear e ultrapassá-los na espacial. Por algum tempo, parecia que a URSS logo ultrapassaria o mundo capitalista em termos de produção e avanço tecnológico. Mas na era de Leonid Brejnev, o país subitamente estagnou. Seu desenvolvimento científico e tecnológico se congelou e, ao contrário da crença de alguns estudiosos, todos pouco familiarizados com as ciências exatas, isso se estendeu inclusive ao setor militar estratégico. Nas palavras de Fukuyama: “As experiências da união Soviética, da China e de outros países socialistas indica que, embora economias centralizadas sejam suficientes para atingir o nível de industrialização representado na Europa dos anos 1950, são aflitivamente inadequadas para criar aquilo a que se chama economias ‘pós-industriais’ complexas, nas quais a inovação tecnológica desempenha um papel muito maior”.(24) Quem é do ramo, sabe que a partir dos anos 1970, um dos grandes negócios para as empresas de alta tecnologia do ocidente, incluindo-se a promissora e futuramente decisiva área de microeletrônica, era o “contrabando” de tecnologia para o “mundo comunista”. Circuitos integrados LSI (integração em larga escala), de diversos modelos e funções, eram fabricados nos EUA e repassados, por vias das mais tortuosas, para serem “rebatizados” no leste europeu como se fosse produção “local”. Em alguns casos, os códigos originais da Fairchild e da Motorola, por exemplo, eram usados sem cerimônia, mesmo pelos técnicos do complexo industrial-militar da URSS. Em resumo, uma superpotência nuclear e pioneira na conquista do espaço era obrigada a comprar “chips“ em mercados varejistas, como qualquer técnico de manutenção autônomo. Existem até mesmo alguns episódios meio cômicos. Em 1981 a CIA soube por meio da França que a KGB, a polícia secreta soviética, havia criado uma divisão especial para furtar tecnologia ocidental. Segundo Thomas Reed, na época secretário da Força Aérea e membro do Conselho de Segurança Nacional, o presidente Reagan teria ordenado a venda de tecnologia com defeito para os soviéticos. Em 1982, um programa de computador “maroto” acabou fazendo explodir um gasoduto na Sibéria, com enormes prejuízos, felizmente não houve vítimas...(25) O fato é que homens como Andei Tupolev (excepcional projetista de aviões), Mikoyan e Gurevich (autores do fabuloso MiG 21), Mikhail Kalashnikov (o projetista da arma mais usada no mundo) ou Andrei Dimitrievich Sakharov (o pai da bomba de hidrogênio soviética), subitamente desaparecem na era da informática. Enquanto os êxitos dos computadores e seus heróis pioneiros eram celebrados nos EUA, Europa ocidental e Japão, a impressão que passava era que a URSS tornara-se incapaz de desenvolver essa tecnologia. A microeletrônica aparentemente era incompatível com o socialismo. Por que? A explicação está no fato de que esse tipo de tecnologia não só exigia iniciativas de cunho individual, mas também tinha a propriedade de tornar-se um instrumento de difícil controle por parte de estados totalitários. As patéticas tentativas contemporâneas da China, Irã, Cuba e Arábia Saudita, por exemplo, para “domar” a internet representam a materialização dos temores dos planejadores soviéticos da época. Isso têm precedentes claros. Quem era radioamador nos anos 1970, ficava surpreso ao descobrir que essa atividade praticamente não existia em países socialistas. Com um pouco mais de pesquisa, descobria-se que os cidadãos desses países eram proibidos, por leis rigorosas, de possuir receptores de rádio de ondas curtas. Sinais de rádio e televisão do ocidente sofriam estranhas “interferências” nesses países. O que isso significava? É simples. As autoridades comunistas não temiam o falatório chato e dogmático das emissoras do “mundo livre”. Para isso, dispunham de um formidável monopólio de mídia para “desmascarar” as críticas a suas políticas. Temiam a tecnologia de comunicações e informática em si. Como os imperadores chineses do passado, que ordenaram a destruição de seus próprios navios de longo curso, os burocratas soviéticos temiam os impactos de novas tecnologias sobre a “harmonia” de seu mundo. Sabiam que não poderiam controlar nada parecido com a internet, embora isso ainda não existisse. Numa sociedade sem incentivos à criatividade, e em que a iniciativa individual era vista com grande suspeita, um microcomputador era uma enorme ameaça. Sabemos que a IBM entrou em pânico ao perceber que os “micros”, se ligados em rede, poderiam substituir com vantagens os seus gigantescos “mainframes”. A IBM na época, era o que mais se aproximava de uma organização soviética. Toda a tecnologia era tratada de forma altamente burocrática. O pessoal de software jamais se aproximava de um equipamento alem dos seus terminais. Os engenheiros de hardware viviam em seu próprio mundo, sem contato com os programadores e menos ainda com os usuários. Mas, diante da ameaça iminente, esses sisudos burocratas foram obrigados a confraternizar com uma nova geração de “figuras”. Mistura de hippies com “cientistas malucos”, que se caracterizavam pela excentricidade, pelo individualismo e pela indisciplina, essas pessoas formavam o núcleo da nova revolução tecnológica. Na URSS, isso era impensável. Cientistas deviam ser solidários com o proletariado. Eles deveriam apenas sentirem-se motivados pela causa da construção do socialismo. Nada de jovens malucos com motocicletas barulhentas e hábitos pouco ortodoxos. E principalmente, nada de recompensas materiais que fugissem ao padrão igualitário e nivelador. Isso foi fatal. Enquanto as sociedades capitalistas cumulavam seus “gênios” com todo tipo de bens de consumo e reconhecimento público, o sistema socialista reprimia com vigor qualquer demonstração de individualismo. Tratavam todos os mais capazes e talentosos como potenciais traidores. Artistas e esportistas excepcionais, iniciaram um processo de “deserção” que logo foi seguido por profissionais altamente qualificados. O sistema reagiu com medidas draconianas. Qualquer pessoa talentosa tinha enormes dificuldades para viajar para fora do seu “paraíso proletário”. Quando o faziam, eram vigiados muito de perto, seus familiares mais próximos, tornavam-se verdadeiros reféns. Mesmo assim, as “deserções” de escritores, cientistas, músicos, bailarinos, boxeadores, enxadristas, jogadores de basquete, técnicos em eletrônica e até militares, continuavam em escala crescente. No ocidente se acreditava que fugiam da “opressão” para a liberdade. Para os dirigentes comunistas, eram traidores, atrás apenas de recompensas materiais. Ambos estavam errados. Essas pessoas procuravam acima de tudo o “reconhecimento”, a satisfação do “thymos” de fala Fukuyama. Isso os Estados de estilo soviético não poderia jamais lhes oferecer. Essa é de fato a contradição insolúvel do socialismo. Quanto mais bem sucedido é um indivíduo, menos ele se sente satisfeito apenas com a segurança material. Os pioneiros da tecnologia e da arte soviéticas, se sentiam como revolucionários. Viam a si próprios como homens e mulheres em permanente desafio. Era isso, e não possíveis benefícios materiais, e menos ainda a glória coletiva personificada pelo Estado todo poderoso, sua verdadeira motivação. As novas gerações, ao contrário, se viam em meio a um sistema burocrático e castrador. Intelectuais e cientistas deviam compartilhar com camponeses semi-analfabetos, as crenças ingênuas pregadas por burocratas cada vez mais incompetentes e corruptos. É daí que surge o paradoxo. Sem ter como satisfazer seu desejo de reconhecimento, pessoas brilhantes mergulhavam na mediocridade e na rotina. Pintores, compositores, cineastas e escritores se dedicavam a recriar sempre as mesmas coisas. Cientistas se dedicavam a “provar” teses já definidas de antemão. Intelectuais se esquivavam de novidades “perigosas”. Administradores e técnicos temiam inovações que pudessem ser consideradas como “contra-revolucionárias”. Decisões sobre alocação de recursos e produção não tinham de ter nenhuma relação com as necessidades reais da população. A economia se orientava pela política e não pelo desprezível mercado. Ignorava-se solenemente o fato de o “mercado” poder refletir as reais necessidades do povo. “Ficou provado que a complexidade das economias modernas estava, pura e simplesmente, além das capacidades de gestão das burocracias centralizadas, qualquer que fosse o nível de seu avanço tecnológico”.(26) Um velho inimigo da civilização ocidental fez sua reaparição triunfal. O domínio da “fé” revolucionária, sobre a “razão” prática, tornou-se a norma da sociedade soviética. O resultado só poderia ser a progressiva estagnação do processo de inovação tecnológica. O “socialismo” converteu-se numa religião de Estado. Com seus dogmas e tabus, afastou-se perigosamente do caminho da verdadeira civilização ocidental que lhe deu origem. Nessas condições, não é de se estranhar que as velhas formas de identidade e reconhecimento, como a religião, a nacionalidade e a etnia, permanecessem sendo cultivadas na esfera privada. Afinal, o irracionalismo dos “comissários” não era tão diferente assim do dos “popes” ortodoxos ou dos sacerdotes islâmicos. _______________________ Notas: (24) “O Fim da História e o Último Homem” – Francis Fukuyama – 2ª Ed. - Lisboa – Gradiva – 1999 – Pág. 16/17. (25) “EUA deram à URSS tecnologia defeituosa” - Folha de S. Paulo - 28/02/2004. (26) “O Fim da História e o Último Homem” – Francis Fukuyama – 2ª Ed. - Lisboa – Gradiva – 1999 – Pág. 108. _______________________ TEXTOS ANTERIORES: 1) Introdução: http://brasil.indymedia.org/pt/blue/2005/06/319082.shtml 2) As origens da civilização ocidental: http://brasil.indymedia.org/pt/blue/2005/06/319199.shtml 3) O Problema de uma sociedade escravagista: http://brasil.indymedia.org/pt/blue/2005/06/319306.shtml 4) A questão da herança cristã: http://brasil.indymedia.org/pt/blue/2005/06/319593.shtml 5) O ocaso da religião na cultura ocidental: http://brasil.indymedia.org/pt/blue/2005/06/319977.shtml 6) Supremacia da cultura ocidental: http://brasil.indymedia.org/pt/blue/2005/06/320239.shtml 7) Reações à cultura ocidental: http://brasil.indymedia.org/pt/blue/2005/06/320984.shtml 8) Primeira guerra mundial e o primeiro “Cisma Laico”: http://brasil.indymedia.org/pt/blue/2005/06/321606.shtml 9) A crise do ocidente e o segundo “Cisma Laico”: http://brasil.indymedia.org/pt/blue/2005/06/321694.shtml 10) A guerra fria e a hegemonia do ocidente: http://brasil.indymedia.org/pt/blue/2005/07/322202.shtml
Email:: lauromonteclaro@uol.com.br URL:: http://lauromonteclaro.sites.uol.com.br >>Adicione um comentário A Bastilha, símbolo do velho regime, foi derrubada em 1789. A burguesia, vitoriosa, instalou o capitalismo. Em 1815 o velho regime sai de sua tumba, dá um curto passeio para ser, de uma vez por todas, colocado na sua sepultura. Igualmente, a burguesia foi derrubada em alguns países. Os proletários tomaram o poder, entretanto quem tem exercido ese poder é uma casta de burocratas. O capitalismo está se restaurando para ser definitivamente derrotado. É só assimilar os ensinamentos da História. Os fatos e personagens importantes da História acontecem, por assim, dizer, duas vezes, a primeira como tragédia, a segunda como farsa. O capitalismo, se comparado com o feudalismo, é um fato importantíssimo. Portanto, essa reedição farsante do capitalismo tem necessariamente de acontecer. O Socialsimo é como o mar, que recua parecendo que não tem força, mas de repente desaba sobre a areia em ondas devastadoras!! Na verdade não se trata de colapso do socialismo, mas de restauração do capitalismo.  | É isso mesmo, meninos. Todos os horizontes humanos foram acortinados com a restauração do capitalismo. Conformem-se com o capitalismo. Ele é eterno. O Neoliberalismo e sua estúpida e extrema concentração de renda chegaram prá ficar. A única coisa que esses partidários do capital e inimigos da Humanidade não sabem é que: We can have democracy in this country or we can have great wealth concentrated in the hands of a few, but we can't have both. - Supreme Court Justice Louis D. Brandeis.  | Não foi a igualdade, mas a sua ausência, a causa da restauração capitalista. Não foram os benefícios do capitalismo, mas os erros da experiência real do socialismo (na verdade capitalismo de estado), os responsáveis pela restauração do capitalismo de mercado. Além disso, em todos os países em que se tentou o socialismo não existia senão miséria para ser socializada. Veja esta carta de Kropotkin a Lenin, cuja conclusão é: ‘If the present situation continues, the very word “socialism” will turn into a curse. This is what happened to the conception of “equality” in France for forty years after the rule of the Jacobins’, confirma a miséria da sociedade russa: Dmitrov, 4 March, 1920 Esteemed Vladimir Ilich, Several employees of the postal-telegraph department have come to me with the request that I bring to your attention information about their truly desperate situation. As this problem concerns not only the commissariat of mail and telegraphs alone, but the general condition of everyday life in Russia, I hasten to fulfill their request. You know, of course, that to live in the Dmitrov district on the salary received by these employees is absolutely impossible. It is impossible even to buy a bushel of potatoes with this [salary]; I know this from personal experience. In exchange they ask for soap and salt, of which there is noe. Since [the price] of flour has gone up – if you manage to get any – it is impossible to buy eight pounds of grain and five pounds of wheat. In short, without receiving provisions, the employees are doomed to a very real famine. Meanwhile, along with such prices, the meager provisions which the postal and telegraph employees received from the moscow postal and telegraph supply center (according to the decree of August 15, 1918: eight pounds of wheat to an employee or to employees, and five pounds of wheat to incapaciated members of a family) have not been delivered for two months already. The local supply centers cannot distribute their provisions, and the appeal of the employees (125 persons in the Dmitrov area) to Moscow remains unanswered. A month ago one of the employees wrote you personally, but he has received no answer thus far. I consider it a duty to testify that the situation of these employees is truly desperate. The majority are literally starving. This is obvious from their faces. Many are preparing to leave home without knowing where to go. And in the meantime, I will say openly that they carry out their work conscientiously; they have familiarized themselves with [their jobs] and to lose such workers would not be in the interests of local life in any way. I will add only that whole categories of other Soviet employees can be found in the same desperate condition. In concluding, I cannot avoid mentioning something about the general situation to you. Living in a great center – in Moscow – it is impossible to know the true condition of the country. To know the truth about current experiences, one must live in the provinces, in close contact with daily life, with its needs and misfortunes, with the starving – adults and children – with running back and forth to offices in order to get permission to buy a cheap kerosene lamp, and so forth. There is now one way out of these trials for us. It is necessary to hasten the transitions to more normal conditions of life. We will not continue like this for long, and we are moving toward a bloody catastrophe. The locomotives of the Allies, the export of Russian grain, hemp, flax, hides, and other things that are so indispensable to us will not help the population. One thing is indisputable. Even if the dictatorship of the party were an appropriate means to bring about a blow to the capitalist system ( which I strongly doubt), it is nevertheless harmful for the creation of a new socialist system. What are necessary and needed are local institutions, local forces; but there are none, anywhere. Instead of this, wherever one turns there are people who have never known anything of real life, who are committing the gravest errors which have been paid for with thousands of lives and the ravaging of entire districts. Consider the supply of firewood, or that of last season’s spring seed... Without the participation of local forces, without an organization from below of the peasants and workers themselves, it is impossible to build a new life. It would seem that the soviets should have served precisely this function of creating an organization from below. But Russia has already become a Soviet Republic only in name. The influx and taking over of the people by the :party,” that is, predominantly the newcomers (the ideological communists are more in the urban centers), has already destroyed the influence and constructive energy of this promising institution – the soviets. At present, it is the party committees, not the soviets, who rule in Russia. And their organization suffers from the defects of bureaucratic organization. To move away from the current disorder, Russia must return to the creative genius of local forces which as I see it, can be a factor in the creation of a new life. And the sooner that the necessity of this way is understood, the better. People will then be all the more likely to accept [new] social forms of life. If the present situation continues, the very word “socialism” will turn into a curse. This is what happened to the conception of “equality” in France for forty years after the rule of the Jacobins. With comradely greetings, P. Kropotkin E outras palavras, pelas próprias circunstâncias históricas a restauração do capitalismo era certa. Confirme isso nessa outra carta de Kropotkin a Lenin: Dmitrov (Moscow province) 21 December, 1920 Respected Vladimir Illich, An announcement has been placed in Izvestiia and in Pravda which makes known the decision of the Soviet government to seize as hostages SRs [Social Revolutionary party members] from the Savinkov groups, White Guards of the nationalist and tactical center, and Wrangel officers; and, in case of an [assassination] attempt on the leaders of the soviets, to “mercilessly exterminate” these hostages. Is there really no one around you to remind your comrades and to persuade them that such measures represent a return to the worst period of the Middle Ages and religious wars, and are undeserving of people who have taken it upon themselves to create a future society on communist principles? Whoever holds dear the future of communism cannot embark upon such measures. Even kings and popes have rejected such barbaric means of self-defense as the taking of hostages. How can apostles of a new life and architects of a new social order have recourse to such means of defense against enemies? Won’t this be regarded as a sign that you consider your communist experiment unsuccessufl, and [that] you are not saving the system that is so dear to you but only [saving] yourselves? Don’t your comrades realize that you, communists (despite the errors you have commutted), are working for the future? And that therefore you must in no case stain your work by acts so close to primitive terror? [You must know] that precisely these acts performed by revolutionaries in the past make the new communist endeavors so difficult. I believe that for the best of you, the future of communism is more precious than your own lives. And thoughts about this future must compel you to renounce such measures. With all of its serious deficiencies (and I, as you know, see them well), the October Revolution brought about enormous progress. It has demonstrated that social revolution is not impossible, as people in Western Europe had begun to think. And, for all its defects, it is bringing about progress in the direction of equality, which will not be corroded by attempts to return to the past. Why, then, push the revolution on a path leading to its destruction, primarily because of defects which are not at all inherent in socialism or communism, but represent the survival of the old order and old disturbances, of an unlimited, omnivorous authority? P. Kropotkin Apesar de todos os erros, (que não podemos mais nos dar ao luxo de repetí-los), as tentativas de construção de um novo mundo valeram a pena, pois, segundo Lukács: "A confusão mental nem sempre é o caos. Pode denotar as contradições internas da actualidade, mas a longo prazo conduzirá à sua resolução. Por isso a minha ética tendeu no sentido da praxis, da acção, e portanto da política. E isso levou, por seu lado, à economia. (...) Só a revolução russa abiu realmente uma porta para o futuro; a queda do czarismo trouxe-lhe um brilho, e com o colapso do capitalismo tal apareceu à vista desarmada. Nesse tempo o nosso conhecimento dos factos e dos principios que lhes estavam subjacentes era dos menores e menos credíveis. Apesar disso vimos, finalmente! Finalmente! uma forma de a humanidade escapar à guerra e ao capitalismo."  | ‘Daqui a 300 anos os socialistas ainda estarão aguardando o advento da revolução proletária, repetindo sempre as mesmas palavras-de-ordem do século XIX’-Peido Mundinho "Sabe-se que na América e no mundo a Revolução vencerá, mas não é próprio de Revolucionários sentar-se à porta da sua casa para ver passar o cadáver do imperialismo.“ - Fidel Castro Não é Socialista quem senta à porta da sua casa para ver passar o cadáver do imperialismo e quem senta à porta da sua casa para ver passar o cadáver do imperialismo não é socialista. Consoante Che Guevara, o dever de todo Revolucionário é fazer a Revolução. Sobre a questão da restauração do velho regime (feudalismo) e a restauração do capitalismo: Whoever wishes to foresee the future must consult the past; for human events ever resemble those of preceding times. This arises from the fact that they are produced by men who ever have been, and ever shall be, animated by the same passions, and thus they necessarily have the same results. Machiavelli Hope is the other side of History. Arriba los que luchan!  | Muito bom o texto. Na minha opinião é fundamental discutir o colapso do socialismo real a partir da dicotomia socialismo X mercado. Infelizmente esta discussão é muito escassa, porque a esquerda não a realiza, e porque a direita é ignorante demais para discutir algo tão profundo. Estes citam a violência do regime soviético, como se esta só ocorresse no socialismo, e porque é fácil reproduzir números e é difícil raciocinar para além do óbvio. Há na minha opinião uma pequena contradição no texto, que em nada diminui a importância do mesmo. Todos os problemas do regime soviético apontados pelo autor são de ordem econômica. Em resumo, o problema maior seria o escasso raio de ação da livre iniciativa. Ora, se é assim, então há um “colapso econômico” e não um colapso do “sistema socialista enquanto ideologia”. A falta da livre iniciativa prejudica também a eficiência do sistema econômico como um todo, nenhum planejador nunca será capaz de identificar as reais necessidades dos consumidores, só o sistema de preços parece capaz de identificá-las e satisfazê-las. No entanto, há um problema relativamente novo que complica as coisas, a economia atual não é a mesma economia que foi analisada pelos economistas clássicos (Mill, Ricardo, Smith), a chamada concorrência perfeita, a situação em que nenhum produtor ou consumidor é capaz de influenciar o mercado não existe mais, vivemos a época dos Oligopólios, Monopólios e Monopsônios. Ou seja, o mercado funciona de forma bastante deformada, por isso não dá para dizer que a história acabou, é possível pensar formas de organização social mais eficientes que o capitalismo. Além disso, a discussão econômica não pode de forma alguma se pautar somente pela eficiência, pelo lucro, como ensinam os liberais e os neoliberais, a frenética busca do lucro privado definitivamente não garante o bem estar geral. Há uma questão muito atual: as externalidades da produção. De que adianta o avanço tecnológico se paralelamente se destrói o meio ambiente, talvez até inviabilizando a própria sobrevivência humana. Seria necessário desenvolver algum índice de lucratividade social, incluindo neste tanto a produção material, como a produção intelectual e as externalidades. Um autor que trata bastante deste assunto é o Ladislau Dowbor. Seria necessário aprofundar mais estas idéias que aqui foram quase que despejadas. De qualquer forma, gostaria de registrar aqui uma pergunta para o autor do texto: se o socialismo não foi capaz de solucionar os problemas sociais e o capitalismo também não o é, qual a alternativa? Se é que há alguma. Para finalizar, este ateu convicto apela a deus: Eu sei que deixei aqui uma brecha com esta pergunta, mas pelo amor do Deus de Israel, que não existe, que ninguém proponha primitivismo e aberrações como o linearismo, o integralismo e outras abobrinhas que perambulam por este site.  | Comentando o artigo intitulado ‘o socialismo precisa de enterro’, por contribuidor http://www.brasil.indymedia.org/pt/blue/2005/06/321749.shtml Lauro Monteclaro afirmou: "É sempre bom lembrar que a URSS foi capaz de até ultrapassar o ocidente quando o que estava em jogo eram tecnologias para fins militares. Nesse caso, o trabalho duro, disciplinado e em equipe era o suficiente. Com as novas tecnologias, ficou claro que o estímulo individual, a busca pelo reconhecimento e recompensas pessoais, eram decisivas."-Lauro Monteclaro Veja porque o estímulo pessoal, o reconhecimento e as recompensas pessoais Monteclarianos não se sustentam: "Together with Paul Allen, Bill Gates founded Micro-Soft in 1975, later called Microsoft Corporation. After having marketed its own Microsoft version of BASIC, a programming language, the company took off. As early as 1976, Gates wrote an “open letter to hobbyists”, which claimed that a commercial market existed for computer software. This may seem obvious these days, but it is important to note that software at that time was hardly ever sold. Since all software was based on the software and ideas of others, it was considered impossible to own it. Software was developed by hobbyists and was passed around and shared in the community. The capitalist logic had its last laugh, however, and the commercialisation of software paid off."-Maarten Vanheuverswyn, Bill Gates, saviour of the world? Cadê os estímulos individuais, os reconhecimentos e as recompensas pessoais dos hobbyists? Bill Gates ainda hoje os devora. "A ilusão de uma sociedade igualitária se desfez. Todos os avanços na tecnologia de informações se deveram a indivíduos isolados, normalmente exêntricos e indisciplinados."-Lauro Monteclaro Seria a IBM um indivíduo isolado, excêntrico e indisciplinado? No artigo supra Monteclaro responde que: “A IBM na época, era o que mais se aproximava de uma organização soviética. Toda a tecnologia era tratada de forma altamente burocrática. O pessoal de software jamais se aproximava de um equipamento alem dos seus terminais. Os engenheiros de hardware viviam em seu próprio mundo, sem contato com os programadores e menos ainda com os usuários.”-Lauro Monteclaro, O choque de civilizações ou o fim da história? ( XI ) Mas já se contradiz, afirmando que o isolamento -‘os engenheiros de hardware (da IBM) viviam em seu próprio mundo, sem contato com os programadores e menos ainda com os usuários’-, neste caso, já não é mais uma das condições sine qua non, senão um estorvo ao avanço tecnológico da IBM. “Mas, diante da ameaça iminente, esses sisudos burocratas (da IBM) foram obrigados a confraternizar com uma nova geração de “figuras”. Mistura de hippies com “cientistas malucos”, que se caracterizavam pela excentricidade, pelo individualismo e pela indisciplina, essas pessoas formavam o núcleo da nova revolução tecnológica.”- Lauro Monteclaro, O choque de civilizações ou o fim da história? ( XI ) Já que o isolamento monteclariano escoou pelo ralo, vamos ao estímulo pessoal, ao reconhecimento, as recompensas pessoais, à excentricidade e à indisciplina. Lauro Monteclaro afirma, n’o choque de civilizações ou o fim da história? ( XI )’, que: “Enquanto os êxitos dos computadores e seus heróis pioneiros eram celebrados nos EUA, Europa ocidental e Japão, a impressão que passava era que a URSS tornara-se incapaz de desenvolver essa tecnologia. A microeletrônica aparentemente era incompatível com o socialismo.” Como o Sr. Lauromonteclaro explica os casos de Alan Turing, super-herói pioneirísimo da ciência da computação, da engenharia da computação e dos sistemas de informação, e de seu colossus? Alan Turing “imaginou uma máquina, cuja construção não foi concretizada, que poderia efetuar de forma automática os processos geralmente desenvolvidos por um matemático. Para cada processo, haveria uma máquina: uma para somar, outra para dividir, uma terceira para calcular integrais, e assim por diante”. “Mais tarde, foram denominadas máquinas de Turing. Raciocinando sobre o funcionamento dessas máquinas imaginárias, Turing chegou a uma brilhante conclusão. Em vez de utilizar uma máquina específica para cada processo matemático, era possível desenhar um aparelho ‘universal’ que tivesse condições de realizar tudo o que as máquinas especializadas podiam fazer, desde que fossem programadas para tal. Turing tinha elaborado por acaso a teoria dos computadores programáveis”. “Quando começou a Segunda Guerra, Turing foi imediatamente recrutado do mundo acadêmico para a Escola de Códigos e Criptogramas do Governo em Bletchley Park, Buckinghamshire. Se não fosse a guerra, as máquinas de Turing não passariam de frutos de sua imaginação, mas o Bletchley Park foi incumbido do trabalho urgente e secreto de decifrar os códigos militares alemães”.[1] Lá, ele enfrentaria a máquina alemã que gerava mensagens em código, supostamente indecifráveis. Era a Enigma. “Este código era constantemente trocado, obrigando os inimigos a tentar decodifica-lo correndo contra o relógio. Turing e seus colegas cientistas trabalharam num sistema que foi chamado de Colossus, um enorme emaranhado de servo-motores e metal, considerado um precursor dos computadores digitais”.[2] Não é em muitos lugares que podemos ler que: “O Colossus foi o primeiro computador eletrônico programável construído pelo Homem. A réplica do Colossus foi reconstruída em 1996 e instalada em Bletchley Park. Entre 1942 e 1943, Alain Turing foi enviado, em missão secreta, à Moore School e à Bell Telephone. Na Bell Telephone, Turing aperfeiçoou um sistema de codificação vocal para as comunicações telefônicas entre Rossevelt e Churchil. Supõe-se que foi em Princeton, NJ, que Alain conheceu John von Neumann e daí teria participado no projeto do ENIAC na universidade da Pensilvânia, na verdade o segundo computador eletrônico da história, e não o primeiro como muita gente pensa”.[3] Check out: O verdadeiro pai da informática era gay, por Heteroliberal http://www.midiaindependente.org/es/blue/2005/05/316624.shtml Para Alan Turing, em vez de celebração, a História registra prisão: “Em 1952, foi preso por ‘indecência’, sendo obrigado a se submeter à psicanálise e a tratamentos que visavam curar sua homossexualidade.Turing suicidou-se em Manchester, no dia 7 de junho de 1954, durante uma crise de depressão, comendo uma maçã envenenada com cianureto de potássio”.[6] –Citado por Heteroliberal, em O verdadeiro pai da informática era gay. http://www.midiaindependente.org/es/blue/2005/05/316624.shtml Quanto ao Colossus, em vez de celebração, destruição e segredo: “No final da guerra, 10 computadores Colossus operavam na Grã-Bretanha decifrando também códigos italianos e japoneses. Após a vitória, Churchill ordenou que oito Colossus fossem destruídos e a existência dos dois restantes (que continuaram a operar na Guerra Fria) mantida em segredo”.[4] Mas, após 1975 tudo isso veio a público. Mesmo assim, Alan Touring nunca recebeu uma única homenagem proporcional a sua importância. Ao contrário de figuras como Herman Hollerity ou Charles Babage, sempre muito festejados, Touring é sempre apenas uma notinha de rodapé em livros de introdução à informática. Apear de tudo isso, Lauro Monteclaro ainda tem a cara de pau de afirmar que: “Enquanto as sociedades capitalistas cumulavam seus “gênios” com todo tipo de bens de consumo e reconhecimento público, o sistema socialista reprimia com vigor qualquer demonstração de individualismo. Tratavam todos os mais capazes e talentosos como potenciais traidores. “-Idem, ibidem Mas silencia, por ignorância ou por má-fé, quanto ao fato de: “Em 1952, Alan Turing ter sido preso por ‘indecência’, sendo obrigado a se submeter à psicanálise e a tratamentos que visavam curar sua homossexualidade. Turing suicidou-se em Manchester, no dia 7 de junho de 1954, durante uma crise de depressão, comendo uma maçã envenenada com cianureto de potássio”.[6] Em outras palavras, o grande herói da segunda guerra mundial e verdadeiro criador, na teoria e na prática, dos primeiros computadores, foi vítima do mais reles preconceito que ainda paira sobre os homossexuais. Além disso, como vimos, sua morte está diretamente relacionada às tentativas de “cura-lo” de sua “doença”. Quer dizer que ‘as sociedades capitalistas cumulavam seus “gênios” com todo tipo de bens de consumo’ como se eles fossem dondocas em salões de beleza? Aparece cada figura nesse CMI, que só por sorte. "History will die if not irritated. The only service I can do to my profession is to serve as a flea." - Henry Adams
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