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| | Precária situação dos/as imigrantes estimula revoltas em Paris
Desde o dia 27 de outubro, manifestações diárias acontecem nos subúrbios de Paris, em algumas cidades do interior da França e, nos últimos dias, também em Berlim e Bruxelas. As manifestações tiveram início quando dois jovens morreram eletrocutados numa estação de força no distrito de Clichy-sous-Bois, na periferia de Paris. Os jovens teriam se escondido da polícia neste local em situação ainda não esclarecida. Sabe-se apenas que os jovens fugiam para não serem enquadrados pela polícia. Ao se esconderem na estação de força dois deles morreram eletrocutados e um terceiro foi seriamente ferido. A polícia alega que não perseguia os jovens e o sobrevivente diz ter perdido a memória do incidente. Desde então, acontecem protestos diários que são reprimidos pela polícia de choque. Diariamente dezenas e, mais recentemente, centenas de carros são queimados pelos manifestantes. Prédios públicos também estão sendo incediados. Na noite de domingo, dia 29 de outubro, uma bomba de gás lacrimogêneo foi lançada (ao que tudo indica pela polícia) dentro da mesquita de Bousquets, na noite mais sagrada do Ramadã (mês sagrado para os muçulmanos). A crise foi agravada por declarações e pela política repressiva do ministro do interior Nicolas Sarkozy. Um dia antes da morte dos dois jovens, Sarkozy havia dito durante um despejo em Argenteuil que era preciso "se livrar desta escória", ofendendo os moradores do subúrbio. A situação se tornou ainda mais explosiva quando, logo após a morte dos jovens o ministro declarou que a polícia tem agido de forma correta. Partidos de oposição como o Partido Socialista e o Partido Verde pedem a demissão de Sarkozy. O ministro do interior disputa com o primeiro-ministro Dominique de Villepin a indicação da coalizão de direita UMP para as eleições presidenciais de 2007. Os eventos recentes em Paris, estão longe de ser fruto de gangues, arruaceiros ou desocupados, como proclama a grande mídia. Tais eventos são o estopim da situação das atuais gerações de imigrantes, filhos/as e netos/as de imigrantes que foram sistematicamente marginalizados/as no decorrer dos anos. Convivem com péssimas condições de vida, sendo obrigados a sobreviver em empregos precários, com míseros salários além do racismo, sempre constante. Esta não é uma situação exclusiva de Paris ou da França, mas uma realidade presente em quase todos os países da Europa Ocidental. Na Inglaterra, por exemplo, os benefícios trabalhistas só beneficiam aos/as que possuem cidadania européia. Os/as imigrantes mesmo que com documentação legal se vêem muitas vezes obrigados/as a trabalhar por menos de 1 salário mínimo. [Leia Mais]: Revoltas se iniciam também na Alemanha | Entrevista com brasileira moradora de Dijon | Protestos já atingem Berlim, Bruxelas e Brema
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