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| | 37 pessoas são indiciadas pelo ato na Aracruz Celulose
Na sexta-feira, 7 de abril, a Polícia Civil do Rio Grande do Sul indiciou 37 pessoas pela ocupação do horto florestal da empresa Aracruz Celulose, ocorrida em 8 de março, envolvendo aproximadamente 2.000 trabalhadoras rurais. O coordenador nacional do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST), João Pedro Stédile, foi apontado como mentor intelectual da ação. Além dele, estão entre os indiciados e as indiciadas os líderes internacionais da Via Campesina, Paul Nicholson (País Basco) e Henri Saragin (Indonésia) e a brasileira Luciana Piovesan, do Movimento das Mulheres Trabalhadoras Rurais. Todos foram enquadrados em crimes de danos qualificados e cárcere privado, com penas que podem chegar a seis anos de prisão. No texto "Santa Aracruz? Malditas mulheres?", o Frei Gilvander Luís Moreira compara o tratamento que a mídia corporativa deu para dois casos envolvendo a empresa Aracruz: "No dia 20 de janeiro, a Aracruz Celulose mobilizou helicópteros, bombas, armas, tratores e 120 agentes da Polícia Federal, para destruir duas aldeias e expulsar 50 pessoas dos povos indígenas Tupiniquim e Guarani de sua terra tradicional, no município de Aracruz, Espírito Santo. Na mídia, não se viu nenhuma mãe tupiniquim ou guarani com seus filhos chorando, nenhum ministro do governo condenando a ação, ou mesmo o dono da empresa lamentando a violência". Após o 8 de março, a mídia "mostrou dezenas de vezes uma pesquisadora da Aracruz chorando". É preciso que as pessoas tenham clareza do significado das mudas destruídas. Elas integrariam o deserto verde - a monocultura de eucalipto, planta cuja raiz vertical é do tamanho da árvore, sugando as águas superficiais e as mais profundas. Só a Aracruz planta cerca de 50 mil hectares de eucalipto por dia. "Se o deserto verde continuar crescendo, em breve vai faltar água para bebermos e terra para produzir alimentos. Não conseguimos entender como um governo que quer acabar com a fome patrocina o deserto verde ao invés de investir na Reforma Agrária e na Agricultura Camponesa", dizia o manifesto da Via Campesina, entregue aos participantes da II Conferência Internacional sobre Reforma Agrária e Desenvolvimento Rural, logo após o ato de 8 de março. Nos últimos três anos, o patrocínio do governo à Aracruz foi de quase R$ 2 bilhões. Leia Mais:: Rede alerta contra o deserto verde | Especial Deserto Verde | Trabalhadoras rurais sofrem repressão | Ato das mulheres camponesas marca o Dia Internacional da Mulher | Aracruz tem lucro líquido de R$ 347 milhões
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