Na madrugada de quinta pra sexta(17-18/04/08) um grupo organizado de aproximadamente 200 famílias moradores dos bairros Panamericano, Demócrito Rocha, Couto Fernandes e Bela Vista ocupou um terreno que fica por traz do campus do Picí da Universidade Federal do Ceará.

O terreno era improdutivo e já não pertencia mais à Universidade pois foi vendido em 1998 para o governo do Estado que havia se comprometido em usar o terreno para construir casas populares. Dez anos depois e sem perspectiva de ver a promessa de moradia ser cumprida a população se organizou e optou por ocupar o terreno, que já vinha sendo planejado há quatro messes. O movimento derrubou o muro que erroneamente cercava um terreno do estado como sendo da UFC e separava a sociedade da universidade, protagonizaram a luta popular para sair da favela e garantir moradia digna e de qualidade.

Porem no momento da ocupação pessoas que não estavam participando do processo desde o principio optaram por participar e garantir também sua moradia, entretanto acabaram entrando em parte do terreno da UFC que, assim como o terreno da união não tem função social, mas, ao contrario apenas servia para foco de dengue, esconderijo de assaltantes, desova de assaltos, consumo de drogas dentre outros fins.

Agora a ocupação é maior do que foi pensado a principio, porem isso não vem abalando o espírito de coletividade da ocupação. Espaços comunitários já tiveram seu terreno demarcado como a futura Escola, a Igreja e o Barracão Coletivo onde devem ser desenvolvidas atividades coletivas como as assembléias para tomadas de decisões, refeições comunitárias, dentre outras atividades. O movimento também se preocupou em criar ruas e não becos já que não tem intuito de criar uma nova favela.

Nenhuma organização havia comparecido e apoiado a ocupação até sábado quando nós da Organização Resistência Libertaria - composta em sua maioria por estudantes da própria Universidade - optamos por ir na ocupação e nos propomos a lutar junto a eles. No domingo a tarde a Federação de Bairros e Favelas também compareceu demonstrando seu apoio, mas logo se retirou. Parece que os partidos e outros grupos preferem defender uma Universidade castradora e seu sistema de ensino exclusivo do que uma população que precisa de moradia digna.

No domingo a tarde foi feita uma assembléia com larga participação e tirou-se algumas comissões como Comunicação, Segurança e Jurídica. Cada uma fez sua reunião e tirou seus encaminhamentos para melhor seguir a luta.

O Ceará sofre com a falta de moradia. O déficit habitacional no Ceará chega ao número exorbitante de 400 mil moradias segundo censo realizado pelo IBGE em 2005. O conceito de favela é diferente de outros estados. No Rio de Janeiro o entorno das favelas também é considerado como tal, já aqui no Ceará favela é apenas aonde não passa carro. O que nos leva a concluir que quase um terço da população de Fortaleza vive em situações como essas.

A semana será dura e decisiva para o Movimento que precisa do maior apoio possível para que as demandas de habitação com qualidade sejam atendidas.




SE VIVER É UM DIREITO E MORAR UMA NECESSIDADE, OCUPAR É UM DEVER!