O povo brasileiro sofre, apático, a todas conseqüências de um sistema econômico injusto e assassino. Nossa geração é seguidora do hedonismo (a moral do prazer), os valores são todos calcados no prazer de usar bens e serviços.
Estamos submetidos a lógica do capital globalizado, do pensamento único e uniforme neste mundo artificial criado pela mídia capitalista alienante. Esse consumo não depende mais da decisão consciente de cada indivíduo, baseada em suas necessidades e seus gostos, mas torna-se fruto de necessidades artificialmente estimuladas - fica claro que o papel dos meios de comunicação na dominação é fundamental.
Os indivíduos a serem dominados devem agir, pensar, se vestir e gostar das mesmas coisas, assim é mais fácil centrar seus objetivos e submeter esse grupo aos interesses dos dominadores. É uma dominação ideológica, que dá a impressão de democratização social.
Isso tudo, alia-se ao fato de sermos filhos da ditadura, não podemos nos esquecer disso. Carregamos preconceitos difundidos a exaustão. Preconceitos contra greve, contra política, enfim, ainda acreditamos que rebelar é algo ruim. Política e religião não se discutem. Ter opinião é quase um crime. Incutiram em nós que o povo organizado serve ao partido comunista e não ao próprio povo. O modelo social, apesar de ultrapassado e excludente, é a verdade superior e inquestionável para eles. Somos individualistas, acreditamos que nós sozinhos nos bastamos. É como se a união não fizesse a força. São preconceitos, e também conceitos ideológicos de uma classe da qual não pertencemos e não queremos pertencer.
A classe dominante, ocupando o poder, precisa que esse poder seja pacífico para que ela possa expropriar o trabalho alheio. Antes ela usava a força física. Atualmente essa dominação é pelo totalitarismo do controle dos meios de comunicação. A alienação torna o poder tranqüilo. A pessoa alienada submete-se cegamente sem haver um questionamento. O sujeito vive sem projetos, sem ideais, a não ser cultuar sua auto-imagem e buscar satisfação aqui e agora. Nacirzista e vazio. O bom é não ter opinião.
Aparentemente pode até parecer que o funk “pau na coxa” é cultura legítima. Porém, é preciso perceber que historicamente o funk existe nas comunidades há muito tempo. E sempre foi instrumento para cantar os anseios, as alegrias, as dificuldades, as reivindicações, enfim, a realidade da sua comunidade. Mas, o que aparece na mídia é o funk-bunda, que se contrapõe a esse funk “original”, através do “não dizer” a realidade. No máximo é uma referendo ao neoliberalismo. Tudo pode desde que não incomode o poder hegemônico. Por “não dizer ” a realidade, ele coincide com os interesses da elite, que passa a propaga-lo. Basta ver que os carros importados, com aquelas grandes caixas de som, só tocam esse funk. Ele é a contradição do funk original que trata da cultura. Sendo assim, o funk-bunda só é alimentado, incentivado e propagado por atender às necessidades de alienação que a elite deseja.
O Funk-bunda, por isso, não reflete a cultura daquele povo, mas, a cultura que a classe dominante quer que aquele povo incorpore. Para isso, a mídia se vale do subjetivismo piegas para prevalecer a não-cultura como cultura legítima, potencializando as canções de pessoas sem nenhum comprometimento social-cultural. É tudo artificial. Que em nada tem de liberdade ou de preferência. É uma de falta de opção. O que causa prejuízos culturais e sociais. É a anti-democracia, e impede a emancipação.
Enfim, a rádio comunitária ao tocar o funk, o pagode, rock que a elite quer que seja reproduzido, está infantilmente fazendo o jogo das elites.
E não me venha com o pensamento pequeno-burguês de achar que quem é contra o funk pau-na-coxa é conservador.
