O Fórum Social Mundial, na sua terceira edição, está sendo marcado por inúmeras contradições, principalmente no tocando a mídia.
Com o slogan de "um outro mundo é possível" e que o espaço do Fórum é para ser uma espécie de laboratório de novas experiências e concretização de outras tantas, vê-se que é de fundamental importância que outra mídia também seja possível.
Entrentato o que foi vivido durante a preparação do Fórum e agora em seu início, dá-se margem para afirmar que a organização do III Fórum Social Mundial trata com um certo descaso as mídias não corporativas.
As mídias alternativas não tem uma estrutura razoável para trabalhar de forma autônoma e precisam do aparato do evento para "cobrir" o mesmo.
Já as mídias empresariais estão tendo tudo o que precisam, fornecido pelo Fórum. Essas são as mesmas mídias que tem estrutura e dinheiro, portanto, poderiam dar preferência aos autônomos que não possuem a mesma estrutura.
Exemplos práticos podem ser vistos ao longo de todo o acampamento. A rádio muda, uma rádio livre da Unicamp, foi excluída do galpão de comunicação, com o argumento de que apenas as rádios comunitárias (e não as livres) teriam acesso ao local.
Já o Intergalátika, que é um laboratório de resistência global, teve seu espaço colocado fora do acampamento da juventude, numa tenda minúscula onde os pilares eram pedaços de madeira e o telhado era uma tela de mosquito que, ao chover, não servia de abrigo. Além de não ter luz nem iluminação, não havia placas nem cartazes para identificar o local.
Falar que "um outro mundo é possível" faz-se necessário. Pensar num mundo diferente, mais livre e igualitário é uma grande vitória, mas só quando colocarmos nossas idéias na prática é que saberemos se "um outro mundo" será possível ou apenas um singela especulação.
