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| | [Curitiba] MPL ocupa URBS, faz festa e entrega reivindicações Por r. do pre-cmi curitiba 26/10/2005 às 18:02 Depois de uma intensa mobilização, que distribuiu mais de 10 mil cartilhas, panfletos e realizou plenárias na porta de colégios, o Movimento Passe-Livre em Curitiba conseguiu uma adesão razoável nos números, porém radical em suas intenções. A concentração na Praça Santos Andrade, em frente a UPFR, foi tranquila. A unica cobertura jornalistica era do CMI e de uma equipe de alunos da Unicenp. Poucos guardas municipais acompanhavam a distância e a Diretran se preparava para acompanhar o trânsito. Os gritos eram ensaiados e algumas falas relembravam o objetivo do ato: Ocupar a URBS (empresa municipal de gestão do transporte) e entregar uma carta com considerações sobre o sistema de transporte e as reinvindicações. Foi amarrado que a desocupação não aconteceria antes do Diretor da Urbs e o Prefeito Beto Richa assinarem um termo onde se comprometeriam a dar uma resposta pública ás reinvindicações num prazo de 30 dias. Entre as reinvindicações estava: - passe-livre para estudantes e desempregados/as - redução significativa da tarifa comum - licitação de todas as linhas com preferência para a gestão cooperada de trabalhadores - abertura da planilha da URBS e auditoria nas empresas - fim das campanhas publicitarias em onibus, pontos e terminais Aos poucos, foram chegando as bandeiras (confeccionadas com trabalho cooperado), os batuques, apitos, chocalhos e cerca de 300 estudantes saíram em marcha. No caminho a manifestação conseguiu adesões importantes, como algumas mães que acompanharam toda a marcha e outros estudantes. Com muito barulho, todas as vias das ruas João Negrão e depois da 7 de Setembro foram fechadas tranquilamente. Em alguns cruzamentos importantes a marcha parava, sentava por alguns instantes e seguia, chamando a atenção da população - muitas/os militantes distribuiam panfletos e falavam com a populacao durante o trajeto. Na porta da rodoferroviária, onde também funciona a URBS , houve uma pequena fala e os estudantes entraram. Este foi um momento de extase! Os gritos e tambores ecoavam nos corredores da rodoviária, todos e todas sentiam o clima de festa no ar. Sem dúvida, esta entrada triunfal e festiva foi o combustível para o que aconteceu depois. O prédio da URBS fica atrás da rodoviária, num outro prédio. Quando os/as estudantes chegaram, a porta estava fechada com cerca de 10 guardas municipais na frente. Os gritos ficaram mais altos e uma roda, ou trenzinho, dançava em frente a segurança. "Sai, sai da frente! Sai que o passe-livre é da gente!". Eram 10h00 e isto durou uns 10 minutos, porque logo alguém gritou que a porta do lado estava aberta. Claro que todo mundo correu pra lá e claro que as portas do prédio público foram fechadas. Resultado: Uma porta de vidro quebrada e um conflito leve com a guarda municipal. Algumas pessoas ficaram do lado de dentro, a grande maioria fora. De qualquer forma, poucos minutos após esta pressão o Diretor de Trânsito da Urbs, Gilberto Foltran, compareceu a porta para negociação. Esta negociação foi mediada pelo vereador André Passos e a primeira proposta foi que 2 ou 3 pessoas entrassem para protocolar o documento. O MPL não tem representante, então a proposta foi que o diretor levasse a carta, protocolasse em seu nome e enviasse para o Prefeito, para que este devolvesse com o termo de compromisso assinado. Proposta aceita, a festa continuou do lado de fora. Neste meio tempo, que durou mais de uma hora, muitissimos profissionais da imprensa chegaram e tambem chegou o aparato repressor do Estado. Até então realmente não havia um conflito com a guarda municipal ou com a policia militar, mas com a chegada da Policia Civil aconteceram pelo menos 2 tentativas de prisão ilegais. A própria Delegada da Infância e Juventude tentou prender um rapaz por um motivo no mínimo ridículo: "Ele me chamou de mentirosa". Depois que um primeiro estudante foi preso por transitar (?) e liberado por pressão (!), a Delegada afirmou que a manifestação tinha "os dedos" do vereador André Passos. O segundo estudante preso disse: "Não, isto aqui é uma manifestação dos estudantes e não tem partido! André Passos afirmou que estava ali por acaso, tratando de outro caso que envolve seu mandato, e se sentiu na obrigação de apoiar a manifestação. Outro apoio importante conseguido no local e no calor das manifestações foi do Presidente do Sindicato dos Funcionários da URBS, Valdir Mestrido, que afirmou: "Estava pacífico até a chegada polícia civil. Mas se se a direção chamou a polícia é porque não está querendo negociar". Mas a pressão funcionou e por volta do meio-dia o Diretor de Transporte da URBS, José Antonio Andreguetto, entregou ao MPL a carta onde consta o compromisso do prefeito Beto Richa em responder publicamente, num prazo de 30 dias, ás reinvidicações do Movimento. Andreguetto afirmou porém que "não é possível conceder o passe-livre universal sem onerar a tarifa". Questionado sobre como é possível afirmar isto, uma vez que as empresas não apresentaram seus cálculos para a população, o diretor disse que a Prefeitura tem um pedido judicial para que as empresas divulguem os documentos. Sobre a abertura de licitações, Andreguetto afirma que a Prefeitura sinalizou a intenção antes da decisão judicial (ao contrário do que afirma o MPL) e ignora a possibilidade de uma empresa pública de transporte, dizendo "vamos buscar uma licitação transparente e ganha quem oferecer as melhores condições, cobrindo as necessidades do sistema". Mas para o MPL quem tem que ganhar é a população. O Movimento é taxativo ao afirmar que "nas mãos da iniciativa privada, o transporte não pode servir para o bem-estar da população". Antes da entrega da carta, rodas se formavam e os estudantes discutiam o sistema de transporte e as novas mobilizações. Depois da entrega, a carta foi lida em plenária e uma reunião foi chamada para o próximo dia 30, na Praça Santos Andrade. Dia 9 de novembro acontece a votação na câmara municipal de um projeto de lei que busca criminalizar e tirar o benefício do meio-passe a quem pule as catracas. A prática tem se tornado comum, principalmente na periferia, como forma de espontanea de luta e sobrevivencia das condições hostis e injustas do capitalismo modelo da capital social. Uma banda se preparava para tocar deste o inicio do ato. Levaram bateria, amplificadores, guitarras, mas ninguém conseguiu liberar uma tomada. Por causa disso e da fome que tomava os estomagos presentes, decidiu-se uma pausa para o almoco e depois tudo, todos e todas vão para a câmara municipal, onde um outro projeto de lei será votado as 14h00. O projeto, de autoria do vereador Waldemar Dias, preve a isenção tarifaria para 50 entidades ligadas a federação que ele mesmo preside, a Femoclan. O MPL está presente para garantir que a isenção seja concedida aos estudantes, desempregados e porque não ao conjunto da população??
Email:: curitiba@midiaindependente.org >>Adicione um comentário CARTA DE REIVINDICAÇÃO AO PREFEITO BETO RICHA Nós militantes do Movimento Passe Livre em ATO pacífico ocupamos este prédio público, como única forma pressionar e chamar a atenção das autoridades municipais à questão do PASSE LIVRE. Sabemos que essa reivindicação é justa e histórica, uma vez que a igualdade de condições ao acesso e permanência no ensino é um direito legítimo garantido na Constituição e o PASSE LIVRE (gratuidade da passagem) é a única forma de efetiva-lo. Hoje temos um número crescente de estudantes que deixam de freqüentar as instituições de ensino pela falta de condições de acesso às mesmas. É muito freqüente escutarmos nas propagandas institucionais a famosa frase “lugar de estudante é na escola”, porém é impossível conceber um ensino de qualidade sem a garantia a seu acesso. Curitiba se orgulha de ter um dos melhores sistemas de transporte do país. A propaganda da cidade modelo é intensa, há um tom de ironia e cinismo em tudo que se mostra, como por exemplo, a ultima campanha promovida pelo Prefeito Beto Richa, quando lançou a promoção “pague 10 e leve 1”. Conhecida como tarifa domingueira. Posteriormente se criou uma Comissão de Estudos Tarifários que não tinha representação da sociedade, salvo as duvidosas associações criadas ás vésperas para preencher os assentos desse conselho. Sendo que essa comissão propôs a redução de 10 centavos da tarifa de R$ 1, 90, subsidiando essa redução com o ISS – Imposto Municipal. É claro que as empresas não reclamaram, pois nós pagamos pela a redução. O Prefeito diz que comprou uma “briga” com o oligopólio que controla o nosso Sistema de Transporte, mas se esquece que o Ministério Público ajuizou uma ação junto a Vara de Fazendo Publica em 2001, conseguindo assim condenar a Prefeitura a realizar processo licitatório no que diz respeito à concessão do Serviço de Transporte Público a iniciativa privada, ou seja, ao oligopólio vigente. A concessão do Transporte Público a empresas privadas com o intuito de redução de gastos do Estado tem se mostrado mais uma das armadilhas do neoliberalismo. De um lado temos a sociedade lutando por condições básicas de sobrevivência e do outro lado as grandes empresas que enxergam o Estado como mera extensão de seus negócios. No nosso caso, a questão é muito pior do que se pensa, pois a propaganda da cidade modelo serve de cobertura para os que lucram desde a década de 60, quando o então prefeito biônico da ditadura, o senhor arquiteto Jaime Lerner cedeu a essas empresas o “direito” de explorarem o nosso Sistema de Transporte sem licitação. Desde essa época a sociedade não controla mais o seu Sistema de Transporte, desde essa época o nosso transporte foi seqüestrado e desde essa época somos reféns! Segundo o IBGE, a maioria das famílias gasta mais com transporte do que com a alimentação. Como podemos pensar o nosso futuro se hoje se gasta mais para se locomover do que com comida, onde somos todos onerados por essa lógica implacável. Se não bastasse isso, somos obrigados a suportar tanta poluição visual, quando temos nosso ônibus rechaçado por anúncios de publicidade, ou quando vemos o nosso ponto de ônibus transformado em merchandising. O pior de tudo, é que não sabemos nem quanto os oligopólios lucram os anúncios. Em 1990 foi criada a meia passagem estudantil, mais conhecida por passe-escolar, desde essa época o passe-escolar já foi restringindo por 3 leis e hoje em dia atende a 4,6% da população, que só podem ter acesso a esse direito depois de vencerem a humilhante burocracia imposta pela URBS, tornando assim o passe-escolar em passe-esmola. Desse modo vemos mais uma vez o oligopólio do transporte rasgar a Constituição em nome dos lucros. Outros direitos também são rasgados, quando obrigam os funcionários de nosso Sistema de Transporte a trabalharem sem as mínimas condições num ambiente de constante pressão, seja ela física ou psicológica, sem um salário digno e sem ao menos o mínimo de respeito por parte dos oligopólios. Desde modo concluímos que estando sobre a lógica privada dos oligopólios, o transporte público nunca atenderá a sua verdadeira função de prestação de um serviço vital ao desenvolvimento e integração de nossa comunidade. Por isso requeremos junto a Prefeitura uma resposta num prazo de 30 dias e a assinatura de termo de comprometimento com o Movimento Passe Livre - MPL as seguintes reivindicações: • O PASSE LIVRE universal a todos os estudantes e desempregados, como forma de redistribuição de renda e acesso a educação e cultura; • Resgate do nosso Sistema de Transporte ao município, para que esse consiga atingir a sua finalidade de atender o interesse público; • Gestão Cooperada dos Trabalhadores, como forma de acabar com a exploração dos funcionários e controle da sociedade; • Abertura da Caixa Preta da URBS, bem como sua auditoria; • Aumento da linha e frota de ônibus para melhor eficácia e integração de nossa comunidade; • Redução da Tarifa como meio de democratização do acesso ao transporte; • Fim da publicidade comercial nos ônibus e ponto de ônibus; • Manutenção da Rede Integrada. Desde já, aguardamos a resposta do Prefeito e só desocuparemos o prédio com a assinatura do termo. Movimento Passe Livre – MPL Curitiba, 26 de Outubro de 2005  | o artigo é muito bom, mas esse senssacionalismo é horrivel, vai ver até por isso que os jovens do Brasil não são levados a seri porque sempre tem uma midia sacaneano eles, pois em vez de mostrar quem estava lutando mesmo mostra uma minoria que na verdade nem sabia o que estava fazendo. E outra não é de se duvidar que eles tem entrado em c0onfrito com a policia, pois os policiais quando aparecem nas historias de jovens como eu sempre é pra da porrada e nunca pra apanha, mas quando alguém cansar e der uma de louco montar uma guarda de resistencia forte a policia que muito mal preparada vai levar um belo de um casete. POis é o tepo de ditadura já se foi, não entendo o porque da policia sai dando porrada nos estudantes desse geito já que temos "uma DEMOCRACIA". Chega de repressão e safanão, e os estudantes de ficar brincando de casinha, de ser bonzinho de cuidar do bumbum pra ficar durinho tem é que lutar mesmo e correr atraz do nosso espaço na sociedade.
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