A concentração na Praça Santos Andrade, em frente a UPFR, foi tranquila. A unica cobertura jornalistica era do CMI e de uma equipe de alunos da Unicenp. Poucos guardas municipais acompanhavam a distância e a Diretran se preparava para acompanhar o trânsito. Os gritos eram ensaiados e algumas falas relembravam o objetivo do ato: Ocupar a URBS (empresa municipal de gestão do transporte) e entregar uma carta com considerações sobre o sistema de transporte e as reinvindicações. Foi amarrado que a desocupação não aconteceria antes do Diretor da Urbs e o Prefeito Beto Richa assinarem um termo onde se comprometeriam a dar uma resposta pública ás reinvindicações num prazo de 30 dias.

Entre as reinvindicações estava:
- passe-livre para estudantes e desempregados/as
- redução significativa da tarifa comum
- licitação de todas as linhas com preferência para a gestão cooperada de trabalhadores
- abertura da planilha da URBS e auditoria nas empresas
- fim das campanhas publicitarias em onibus, pontos e terminais

Aos poucos, foram chegando as bandeiras (confeccionadas com trabalho cooperado), os batuques, apitos, chocalhos e cerca de 300 estudantes saíram em marcha.

No caminho a manifestação conseguiu adesões importantes, como algumas mães que acompanharam toda a marcha e outros estudantes. Com muito barulho, todas as vias das ruas João Negrão e depois da 7 de Setembro foram fechadas tranquilamente. Em alguns cruzamentos importantes a marcha parava, sentava por alguns instantes e seguia, chamando a atenção da população - muitas/os militantes distribuiam panfletos e falavam com a populacao durante o trajeto.

Na porta da rodoferroviária, onde também funciona a URBS , houve uma pequena fala e os estudantes entraram. Este foi um momento de extase! Os gritos e tambores ecoavam nos corredores da rodoviária, todos e todas sentiam o clima de festa no ar. Sem dúvida, esta entrada triunfal e festiva foi o combustível para o que aconteceu depois.

O prédio da URBS fica atrás da rodoviária, num outro prédio. Quando os/as estudantes chegaram, a porta estava fechada com cerca de 10 guardas municipais na frente. Os gritos ficaram mais altos e uma roda, ou trenzinho, dançava em frente a segurança. "Sai, sai da frente! Sai que o passe-livre é da gente!". Eram 10h00 e isto durou uns 10 minutos, porque logo alguém gritou que a porta do lado estava aberta. Claro que todo mundo correu pra lá e claro que as portas do prédio público foram fechadas. Resultado: Uma porta de vidro quebrada e um conflito leve com a guarda municipal. Algumas pessoas ficaram do lado de dentro, a grande maioria fora. De qualquer forma, poucos minutos após esta pressão o Diretor de Trânsito da Urbs, Gilberto Foltran, compareceu a porta para negociação. Esta negociação foi mediada pelo vereador André Passos e a primeira proposta foi que 2 ou 3 pessoas entrassem para protocolar o documento. O MPL não tem representante, então a proposta foi que o diretor levasse a carta, protocolasse em seu nome e enviasse para o Prefeito, para que este devolvesse com o termo de compromisso assinado. Proposta aceita, a festa continuou do lado de fora.

Neste meio tempo, que durou mais de uma hora, muitissimos profissionais da imprensa chegaram e tambem chegou o aparato repressor do Estado. Até então realmente não havia um conflito com a guarda municipal ou com a policia militar, mas com a chegada da Policia Civil aconteceram pelo menos 2 tentativas de prisão ilegais. A própria Delegada da Infância e Juventude tentou prender um rapaz por um motivo no mínimo ridículo: "Ele me chamou de mentirosa". Depois que um primeiro estudante foi preso por transitar (?) e liberado por pressão (!), a Delegada afirmou que a manifestação tinha "os dedos" do vereador André Passos. O segundo estudante preso disse: "Não, isto aqui é uma manifestação dos estudantes e não tem partido! André Passos afirmou que estava ali por acaso, tratando de outro caso que envolve seu mandato, e se sentiu na obrigação de apoiar a manifestação. Outro apoio importante conseguido no local e no calor das manifestações foi do Presidente do Sindicato dos Funcionários da URBS, Valdir Mestrido, que afirmou: "Estava pacífico até a chegada polícia civil. Mas se se a direção chamou a polícia é porque não está querendo negociar".

Mas a pressão funcionou e por volta do meio-dia o Diretor de Transporte da URBS, José Antonio Andreguetto, entregou ao MPL a carta onde consta o compromisso do prefeito Beto Richa em responder publicamente, num prazo de 30 dias, ás reinvidicações do Movimento. Andreguetto afirmou porém que "não é possível conceder o passe-livre universal sem onerar a tarifa". Questionado sobre como é possível afirmar isto, uma vez que as empresas não apresentaram seus cálculos para a população, o diretor disse que a Prefeitura tem um pedido judicial para que as empresas divulguem os documentos. Sobre a abertura de licitações, Andreguetto afirma que a Prefeitura sinalizou a intenção antes da decisão judicial (ao contrário do que afirma o MPL) e ignora a possibilidade de uma empresa pública de transporte, dizendo "vamos buscar uma licitação transparente e ganha quem oferecer as melhores condições, cobrindo as necessidades do sistema".

Mas para o MPL quem tem que ganhar é a população. O Movimento é taxativo ao afirmar que "nas mãos da iniciativa privada, o transporte não pode servir para o bem-estar da população". Antes da entrega da carta, rodas se formavam e os estudantes discutiam o sistema de transporte e as novas mobilizações. Depois da entrega, a carta foi lida em plenária e uma reunião foi chamada para o próximo dia 30, na Praça Santos Andrade. Dia 9 de novembro acontece a votação na câmara municipal de um projeto de lei que busca criminalizar e tirar o benefício do meio-passe a quem pule as catracas. A prática tem se tornado comum, principalmente na periferia, como forma de espontanea de luta e sobrevivencia das condições hostis e injustas do capitalismo modelo da capital social.

Uma banda se preparava para tocar deste o inicio do ato. Levaram bateria, amplificadores, guitarras, mas ninguém conseguiu liberar uma tomada. Por causa disso e da fome que tomava os estomagos presentes, decidiu-se uma pausa para o almoco e depois tudo, todos e todas vão para a câmara municipal, onde um outro projeto de lei será votado as 14h00. O projeto, de autoria do vereador Waldemar Dias, preve a isenção tarifaria para 50 entidades ligadas a federação que ele mesmo preside, a Femoclan. O MPL está presente para garantir que a isenção seja concedida aos estudantes, desempregados e porque não ao conjunto da população??